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4 dicas para o dentista que quer iniciar no serviço público

4 dicas para o dentista que quer iniciar no serviço público
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Fala galera, mais uma vez estou aqui para falar um pouco do meu dia a dia. Hoje vou falar um pouco da minha carreira como dentista no Serviço Único de Saúde – SUS, no serviço público.

A minha paixão pelo SUS começou durante a faculdade. Eu tive um professor que me mostrou o quão maravilhoso esse sistema era e como ele tinha muito a melhorar. Essa matéria acendeu uma luz na minha cabeça e me mostrou que todo o desejo que eu tinha antes de entrar na faculdade da área da saúde, poderia ser realizado. A partir daí eu me dei conta de que quando saísse da faculdade eu gostaria de trabalhar no serviço público, e foi assim que comecei minha carreira.

Cronologia

• Meu primeiro estágio foi na emergência do Hospital Municipal Salgado Filho. Eu estava apenas no terceiro período da faculdade e passava as noites de quinta colada no dentista da emergência para aprender tudo que ele fazia. Todas as quintas eram novas descobertas.

• Meu segundo estágio foi na emergência do Hospital Estadual Rocha Faria. Eu estava no quinto período da faculdade quando fiz uma prova para ser acadêmica bolsista do Estado do Rio de Janeiro e logo fui chamada para a tal vaga. Eram 12 horas semanais que eu tinha de muito aprendizado, e agradeço muito ao dentista que me acompanhava. Ele me ensinava as coisas básicas que na prática da faculdade a gente se deixa esquecer. Além dele, tive outro tutor na área de trauma, onde tive oportunidade de acompanhar cirurgias de traumas na face.

• Meu primeiro emprego foi na Prefeitura Municipal de Maricá, nela eu trabalhava em dois ótimos projetos: Saúde do Trabalhador e Saúde do Índio.

Saúde do Índio

A cidade de Maricá abriga duas aldeias indígenas e lá fazíamos um trabalho de saúde da família toda voltada culturalmente para os índios. O início foi difícil, entender a cultura deles, entender como eles pensavam sobre a saúde e o que era prioridade foi um aprendizado enorme. O nosso grupo era composto de uma enfermeira, uma médica, uma dentista e uma agente comunitária que era uma mulher índia que foi preparada pela Fundação Nacional do Índio – FUNAI para auxiliar na comunidade e a nós. Os atendimentos na área odontológica eram restritos, mas conseguíamos fazer Tratamento Restaurador Atraumático – TRA em crianças, aplicação de flúor, orientação sobre higiene bucal e o que não estava ao meu alcance no local eu encaminhava ou para o ambulatório que eu trabalhava ou para o Centro de especialidades odontológicas da cidade.

Saúde do Trabalhador

Esse projeto, ao qual eu trabalho até hoje, é um dos locais que eu mais amo trabalhar. O projeto nada mais é do que atendimento odontológico a partir das 17 horas até as 21 horas, ou seja, quem trabalha não precisa perder o dia de trabalho para realizar o atendimento.

• Após fazer o curso de Odontologia Hospitalar comecei a trabalhar no Hospital Municipal Albert Schweitzer, na cidade do Rio de Janeiro. E para mim foi a maior dificuldade que me deram nas mãos, comecei a trabalhar no CTI pediátrico. Por mais que eu já tivesse trabalhado em ambiente hospitalar, o CTI é um ambiente completamente diferente da emergência e do ambulatório odontológico, mas encarei de frente e rapidamente já estava integrada com a equipe multidisciplinar.

• E por último, mas não menos importante, há um ano aceitei um novo desafio de iniciar no Hospital Getúlio Vargas Filho, na cidade de Niterói, e com a dificuldade de só atender crianças no CTI e no ambulatório. O início foi difícil, eu não atendia crianças em ambulatório desde a faculdade, mas eu conheci a outra dentista que trabalha nesse hospital há mais de 20 anos e ela me ajudou muito. Hoje, formamos uma equipe.

Como eu trabalho também em consultório particular vou mostrar algumas diferenças que eu consigo sentir entre eles:

1 – Material – No serviço público não temos muita liberdade de escolha quanto aos materiais odontológicos. Os produtos são comprados de acordo com licitações e em grande escala. Em nenhuma prefeitura que trabalhei e que trabalho uso materiais ruins, porém a variedade é pequena.

2- Horário – Sabe aquela história de que o dentista faz o seu horário? No serviço público não é bem assim. Temos que cumprir horário, e trocar os dias é sempre mais difícil. Não existe a possibilidade de “fechar agenda” como no particular.

3- Estabilidade financeira – Mesmo sendo contrato nas duas prefeituras as quais eu trabalho, tenho a estabilidade de saber quanto irei ganhar todos os meses e com todos os benefícios de um trabalhador no Brasil (férias e 13° salário).

Algumas dicas para quem quer seguir a carreira pública:

1- Se você realmente quer ser funcionário público, o ideal é estudar para passar em concurso público. Hoje em dia está realmente difícil de abrir provas, a maioria é contrato e sem muita estabilidade. Porém, todos os anos abrem concursos para as forças armadas e são duas provas diferentes: Militar de carreira e Militar temporário.

2- Ser versátil: nem sempre vamos utilizar a nossa especialidade no dia a dia do SUS.

3- Existem pós-graduações de Gestão Pública, o que dá uma base melhor para entender o sistema público. Ideal para quem gosta de trabalhar não só na área ambulatorial e hospitalar, mas também na área de gestão.

4- Estar sempre em conexão com as outras áreas da saúde. Temos essa vantagem ao trabalhar em locais multidisciplinares e utilizar isso é fantástico.

Acho que já escrevi bastante sobre a minha vida e deixei claro o quanto sou apaixonada pelo SUS, né?! O sistema tem muito o que melhorar, mas também depende muito de nós para que ele seja perfeito. Cada sementinha que plantamos faz a diferença, e consigo enxergar isso com muita clareza quando um paciente me agradece pelo simples fato de eu estar fazendo a minha obrigação.

Parabéns a todos os funcionários públicos e principalmente aos dentistas! Nós amamos o que fazemos e faremos cada dia melhor! Espero que tenham curtido as dicas e que possamos melhorar a cada dia que passa o nosso sistema.

Autora: Dra. Lohayne Belbuche.

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