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5 dicas para usar a Radiologia a seu favor (e do seu paciente)

5 dicas para usar a Radiologia a seu favor (e do seu paciente)
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Já pensou o que seria da odontologia sem os raios X? Provavelmente ainda estaríamos extraindo dentes viáveis como forma de poupar nossos pacientes de sentir (mais) dor. Felizmente, a possibilidade de diagnósticos mais precisos – que o advento dos exames de imagem trouxe – mudou radicalmente os rumos da Odontologia pra muito, MUITO melhor.

E não é à toa que hoje é o Dia do Radiologista: foi exatamente num dia 8 de novembro, há 123 anos, que Röntgen produziu a radiação eletromagnética que hoje chamamos de raios X! Aproveitando a data, gostaria de compartilhar 5 dicas de como melhor utilizar a Radiologia e suas possibilidades dentro da prática odontológica. Vem comigo!

1. A indicação correta do tipo de exame é essencial

Existem vários tipos de radiografias – assim como outros exames de imagem que se utilizam dos raios X, como a tomografia cone beam –, e cada técnica tem sua indicação. Imagino que nenhum colega peça para o paciente fazer uma tomografia com a intenção de avaliar a existência de cáries ou a ocorrência de agenesias, por exemplo. E o motivo é simples: não há necessidade. Cáries são melhor visualizadas em radiografias interproximais e agenesias são facilmente detectáveis em uma radiografia panorâmica, por exemplo.

Já se a ideia é avaliar a condição periodontal do paciente, nada melhor do que um levantamento periapical; e se o paciente precisa de implantes precisa também de uma tomografia. Não entendam essas afirmações como uma lista de “qual exame pedir”, claro que há certa flexibilidade… mas a escolha do exame de imagem ideal como auxílio diagnóstico pode ser a diferença entre um tratamento mal e bem sucedido.

2. Exame de imagem não diagnostica nada… sozinho

Radiografia é AUXÍLIO diagnóstico, como qualquer exame de imagem. É necessário alguém que a interprete. Além disso, a formulação de um diagnóstico se baseia em uma série de informações, coletadas desde a anamnese até uma possível biópsia. A radiografia entra nesse “meio de campo” pra ajudar. Por isso quase nunca é possível afirmar o que a pessoa tem apenas olhando uma radiografia (como muitos dos nossos pacientes desejam!). Ainda não inventaram nada que substitua o contato humano na avaliação do paciente e, principalmente, nada que emule o conhecimento do(a) cirurgião-dentista. E duvido que um dia inventem. 😉

3. Não tenha medo da radiação ionizante

A Radiologia Odontológica utiliza doses baixíssimas de radiação na obtenção de imagens, principalmente hoje, em que praticamente tudo é digital; as doses são bem menores se comparadas à radiologia convencional. Então, não tenham receio de indicar tomadas radiográficas e tomografias! Respeitado o princípio ALARA (As Low As Reasonably Achievable, em tradução livre, doses de radiação “tão baixas quanto razoavelmente necessário”), tá tudo certo! Por exemplo, seria preciso fazer 100 mil (!) radiografias periapicais ou 68 panorâmicas por dia, no mesmo ano, pra aumentar o risco de se ter um câncer. Então, fiquem tranquilos e, principalmente, tranquilizem seus pacientes. Se há indicação de exame radiográfico, o benefício é infinitamente maior que o custo biológico.

4. Tomografia é um exame 3D, não 2D

Quando se faz uma tomografia, obtém-se um volume da área irradiada. É como ter um modelo do crânio do paciente nas mãos, podendo olhar pelo ângulo que você quiser. Mesmo assim, a maioria dos(as) dentistas ainda se baseia nas tomografias impressas, o que transforma um volume em uma mera imagem. Portanto, já passou da hora de deixarmos de lado as tomografias impressas e usarmos os viewers, softwares que servem pra visualizar a tomografia como ela é: em 3 dimensões.

5. Vamos imprimir menos?

Exames digitais não precisam ser impressos, eles podem ser visualizados em monitores, tablets e até no celular, com qualidade de imagem inclusive na ampliação (alta resolução)! A impressão aumenta o custo dos exames, gera lixo que leva mais de 100 anos pra se decompor na natureza e demanda espaço para o arquivamento das radiografias. Que tal quebrar esse paradigma e parar de imprimir exames digitais?

Autora: Dra. Ana Tokus – especialista em Radiologia. Siga os perfis da doutora no Instagram: @raiosxis; @odontodivas

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