Ortodontia

Ancoragem esquelética em Ortodontia com mini-implantes

Ancoragem esquelética em Ortodontia com mini-implantes
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Um dos maiores avanços da Ortodontia contemporânea, foram os mini-implantes ortodônticos (Dispositivo de Ancoragem Temporária – DAT). Apresentados por Kanomi, em 1997, surgiram como uma alternativa eficaz para as diversas formas de ancoragem descritas na literatura, que apesar de eficientes, permitem certo grau de movimentação da unidade de ancoragem ou são dependentes da colaboração do paciente. São exemplos: arco lingual e barra transpalatina, botão de Nance, elásticos intermaxilares e aparelho extrabucal.

A retenção do mini-implante é basicamente mecânica e temporária, com a função de servir apenas como unidade de ancoragem estável para forças de pequena intensidade. Diferente dos implantes dentários osseointegráveis que quando inseridos na mandíbula, maxila ou zigoma são submetidos a forças da superiores e apresentam integração com o tecido ósseo.

As possibilidades de uso dos mini-implantes são inúmeras. O planejamento da posição em que serão instalados também é um assunto primordial, para se obter os vetores de força desejados.

Atualmente, dispomos de diferentes formas e sítios de instalação, bem como dos dispositivos que englobam a terminologia DATs . Eles podem ser miniplacas, miniparafusos e demais variações que apresentam o objetivo de promover ancoragem ortodôntica de forma temporária, sendo removidos, após terapia.

Os miniparafusos podem ser instalados de modo interalveolar ou extra-alveolar. Essa última forma, foi descrito por Chris Chang e John Lin pela primeira vez, apresentando uma forma inovadora para a mecânica ortodôntica. Os sítios de instalação extra-alveolares são:

  • Buccal Shelf;
  • Crista Infrazigomática;
  • Ramo Mandibular.

O grande diferencial de sua instalação é que permite a livre movimentação dentária ao longo das arcadas superior e inferior, já que os mini-implantes encontram-se longe das raízes.

Além dessas formas, possuímos ainda e mais comum a forma interradicular ou interalveolar de instalação. São as áreas mais comuns para tal instalação:

  •  Palato;
  •  Região distal ao último molar;
  •  Áreas edêntulas;
  •  Entre raízes de dentes adjacentes.

Principais aplicações clínicas dos mini-implantes

Tais locais devem ser, preferencialmente, providos de gengiva inserida, apresentar espaço suficiente para o diâmetro do mini-implante a ser instalado, não ser área de extração recente e com cortical óssea de espessura e ter densidade adequada. As principais aplicações clínicas dos mini-implantes acontecem nas seguintes situações:

  • Fechamento de espaço (retração de dentes anteriores, perda de ancoragem);
  • Distalização de molares;
  • Verticalização de molares;
  • Intrusão (dentes posteriores e anteriores);
  • Nivelamento de plano oclusal;
  • Tracionamento de dentes retidos e como implantes provisórios.

Embora tenham sido citadas aplicações clínicas e os locais de instalação mais utilizados, cada caso deverá ser analisado de forma única. Fatores como tipo de movimento desejado, biomecânica, distância entre as raízes, faixa de gengiva inserida, altura do seio maxilar, torque e força a serem utilizadas e densidade óssea devem nortear a escolha do sítio de instalação do mini-implante.

Um planejamento cuidadoso é um dos parâmetros que definem o sucesso deste tipo de ancoragem.

Bibliografia consultada:
Chang HP, Tseng YC. Miniscrew implant applications in contemporany orthodontics. Kaohsiung Journal of Medical Sciences. 2014.30:111-15.

Pithon, M. , Nojima, L. , Nojima, M. and Ruellas, A. (2008), Comparative study of fracture torque for orthodontic mini‐implants of different trademarks. Oral Surgery, 2013. 1: 84-87.

Araujo, TM; Nascimento, MHA; Bezerra, F e Sobral, MC. Ancoragem esquelética em Ortodontia com mini-implantes. Rev. Dent. Press Ortodon. Ortop. Facial . 2006, vol.11, n.4 [cited 2018-10-04], pp.126-156

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  • Thalita Galassi

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    Cirurgiã- dentista. Especialista em Ortodontia. Pós-graduada em Dentística Estética. Mestre em Ciências da Reabilitação HRAC USP. Professora de Especialização em Ortodontia - SPO. Palestrante, escritora e consultora técnico-científica em Ortodontia. Membro da Comissão de Mídias Sociais CROSP. Diretora Social da Sociedade Paulista de Ortodontia Mídias Sociais. On-line, compartilhando odontologia desde 2013.
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