Ortodontia

Aparelho ortodôntico fixo: entenda mais sobre cada um deles

Aparelho ortodôntico fixo: entenda mais sobre cada um deles
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Olá, colegas!

Nós sabemos o quanto a ortodontia tem evoluído, tanto na forma de diagnosticar o paciente como no tratar! E hoje vamos falar um pouco de ortodontia fixa e os tipos de aparelhos disponíveis, bem como trazer algumas considerações científicas sobre eles.

Aparelho ortodôntico: bráquetes metálicos convencionais

Bem sabemos que os aparelhos metálicos convencionais são os primeiros da lista, quando o paciente busca por correção dos dentes ou de mordida. É uma das formas mais comuns e necessita de um método de ligação com o fio, seja de amarrilho ou ligadura elástica.

Aparelho ortodôntico de bráquetes metálicos autoligados

Os bráquetes autoligados são os que em seu design já apresentam uma “porta” ou forma de autoligar os fios. Eles têm sido amplamente utilizados (e solicitados pelos pacientes). A partir de um necessário aprofundamento sobre protocolos, torques, composição dos fios, modo e tempo de consultas, conseguimos compreender quando e o porquê desse método. Que não diz respeito apenas à peça chamada bráquete, mas sim a todo um conjunto baseado em um planejamento, sendo chamado de sistema autoligado.

Aparelho ortodôntico de bráquetes Estéticos

Dentro dessa linha encontramos uma infinidade de materiais e sistemas. Vamos abordar um pouco cada um?

Bráquetes de Policarbonato: chegou como um método alternativo e mais discreto do que os metálicos. Muito utilizado antigamente. Mas, por apresentar alguns pontos negativos de alteração de cor e forma e união química com a superfície dentária, nasceram os bráquetes cerâmicos. Ainda hoje encontramos bráquetes nesse material, onde melhoraram sua composição, e o intitulam como: policarbonato de alta performance.

Bráquetes Cerâmicos: mas os cerâmicos, são os que vieram, em tese, para substituir os policarbonatos e são amplamente utilizados! Podem ser divididos em bráquetes monocristalinos e policristalinos, dependendo do seu método de fabricação. Ambos apresentam a característica de não alteração de cor e semelhança com a cor da estrutura dentária, o que traz a eles sua principal característica: descrição durante o tratamento ortodôntico.

Os policristalinos são os chamados cerâmicos (opacos); já os monocristalinos, os bráquetes de safira, que possuem como característica a alta translucidez em sua composição.

Encontramos também bráquetes com canaletas metálicas e autoligados estéticos e semi-estéticos. A indicação de cada um, dependerá do caso em específico, qualidade do esmalte, perfil do paciente e principalmente sua má oclusão.

E o que a ciência diz sobre os tipos de aparelho?

Em relação ao atrito: EHSANI et al em 2009, em uma revisão sistemática analisaram a quantidade de resistência friccional expressa entre bráquetes convencionais e autoligados in vitro. Foram incluídos nessa revisão, 19 artigos. Os autores concluíram que, comparados aos bráquetes convencionais, os autoligados produzem menor fricção quando combinados a arcos redondos de pequeno diâmetro e na ausência angulação e/ou torque, em um arco com alinhamento ideal. Não foram encontradas evidências suficientes para comprovar a baixa fricção de bráquetes autoligados em relação aos convencionais, quando do uso de arcos retangulares, na presença de angulação e/ou torque, em casos de má oclusão considerável. A maioria dos estudos avaliados concordam que a fricção de bráquetes autoligados e convencionais aumenta com o calibre do arco.

Em relação à força de adesão ao esmalte: FLEISCHMANN et al., em 2008, realizaram um estudo para analisar a efetividade das bases de seis tipos de bráquetes, em relação à força de adesão ao esmalte dentário. Uma vez que a correta seleção dos materiais a serem utilizados, assim como a realização de um diagnóstico preciso, são requisitos importantes para o sucesso do tratamento ortodôntico. Sessenta incisivos bovinos foram utilizados nesse estudo. Os bráquetes foram colados no esmalte na superfície vestibular dos corpos-de-prova através de um sistema adesivo ortodôntico e, posteriormente, submetidos a testes de cisalhamento em uma máquina universal (EMIC). A força de adesão foi computada no momento do cisalhamento, medida em Newtons (N) e em Megapascal (Mpa).

Apesar de alguns estudos mostrarem que 25 dos bráquetes de policarbonato possuem uma força inferior de adesão quando comparados aos bráquetes metálicos. Neste estudo os resultados de ambos os bráquetes foi semelhante. Os seis tipos de bráquetes investigados não apresentaram diferença estatisticamente significante em relação à força de adesão.

Em relação à retenção de placa bacteriana: PELLEGRINI et al., (2008), avaliaram a retenção de placa bacteriana durante o tratamento com bráquetes convencionais amarrados com elastômeros e autoligados de 14 pacientes. Concluiu-se que pacientes com bráquetes autoligados têm menores índices de placa bacteriana do que aqueles que recebem bráquetes convencionais.

Com esse panorama sobe ortodontia fixa, fica mais fácil escolher!

Leve qualidade ao seu consultório e procure trazer inovação e principalmente ciência em seus tratamentos! Quem sabe falemos sobre fios ortodônticos ou métodos de ligação? Afinal, sem eles não há movimentação ortodôntica.

Deixe seu comentário. Até a próxima matéria!

Referências Bibliográficas:

EHSANI, S. et al. Frictional resistance in self-ligating orthodontic brackets and conventionally ligated brackets: a systematic review. Angle Orthod., Appleton, v. 79, no. 3, p. 592-601, 2009.

FLEISCHMANN, L. A. et al. Estudo comparativo de seis tipos de bráquetes ortodônticos quanto à força de adesão. R Dental Press Ortodon Ortop Facial. Maringá, v. 13, n. 4, p. 107 – 116, jul./ago. 2008.

PELLEGRINI, P. et al. Plaque retention by self-ligating vs elastomeric orthodontic brackets: quantitative comparison of oral bacteria and detection with adenosine triphosphate-driven bioluminescence. Am. J. Orthod. Dentofacial Orthop., St. Louis, v. 135, no. 4, p. 426.e1-426.e9, Apr. 2009

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  • Thalita Galassi

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    Cirurgiã- dentista. Especialista em Ortodontia. Pós-graduada em Dentística Estética. Mestre em Ciências da Reabilitação HRAC USP. Professora de Especialização em Ortodontia - SPO. Palestrante, escritora e consultora técnico-científica em Ortodontia. Membro da Comissão de Mídias Sociais CROSP. Diretora Social da Sociedade Paulista de Ortodontia Mídias Sociais. On-line, compartilhando odontologia desde 2013.
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