Pacientes Especiais (PNE)

Atender pacientes com necessidades especiais não é caridade, é especialidade

Atender pacientes com necessidades especiais não é caridade, é especialidade
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É uma grande satisfação inaugurar uma coluna de odontologia para pacientes com necessidades especiais (PNE).  Esta é uma especialidade relativamente nova na odontologia, mas que tem muito a oferecer nos dias de hoje.

Muitas vezes encontro colegas e pacientes que perguntam em qual área me especializei. Sem conhecer a especialidade, acabam invariavelmente com frases como “Que trabalho bonito atender pacientes especiais, você tem uma vaga no céu!”.

Nem preciso dizer a cara que faço ao ouvir coisas assim, mas sei que só quem atende e vive esta especialidade no dia a dia sabe que a escolha não tem a ver com altruísmo ou filantropia, como muitos podem pensar. Escolhemos atender PNE para desenvolver habilidades específicas assim como alguém que escolhe fazer endodontia, prótese, cirurgia, implantodontia ou ortodontia. Estas habilidades são necessárias para exercer outro tipo de odontologia. Encontrei em PNE um jeito de ser técnica como um dentista ao mesmo tempo em que posso estudar como um cientista.

Adoro atender síndromes que nunca ouvi falar, fazer um plano de tratamento em um paciente transplantado, adequar a boca de um paciente que vai fazer radioterapia e/ou quimioterapia, poder avaliar um hemograma, coagulograma e o nível de carga viral de um paciente com HIV, atender um paciente com diabetes descompensada, avaliar as condições clínicas de um cardiopata e poder indicar o melhor tratamento a um paciente com hepatite.

Também tenho um prazer enorme em atender crianças e adultos com paralisia cerebral, poder entender um pouco mais sobre o autismo e a mais sobre a psiquiatria.

Muitos colegas e o público geral podem não se dar conta, mas todos estes pacientes são a matéria-prima da especialidade. É por isso que escolhi viver uma odontologia fora do comum, distante do que aprendi na faculdade e que, apesar da complexidade, se traduz em um prazer enorme a cada novo tratamento.

É claro que, associado a todas as alterações que um paciente tenha, eu sempre serei dentista, e assim preciso me preocupar com uma restauração, uma prótese, um canal, enfim, com todos os tratamentos da odontologia necessários nestes pacientes.

Atualmente, segundo o Conselho Federal de Odontologia, existem 555 especialistas em PNE inscritos em todo o país, enquanto os endodontistas são 13.399, os ortodontistas 11.650 e os odontopediatras 8.971.

Considero essa diferença gritante, por isso indico a especialidade para quem busca uma área científica, com menor concorrência em concursos, e que tenham habilidade suficiente.

Se você não conhece nenhum paciente especial, ou nunca atendeu algum em seu consultório, dou uma dica: olhe bem ao seu lado! Se mesmo assim não encontrou, aumente as perguntas na anamnese!

Se mesmo assim ainda não conseguiu, abra mais os olhos até para dentro de si mesmo. Muitos dentistas reúnem condições de saúde que os colocariam como pacientes especiais, como diabetes ou hipertensão.

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