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Dentista, vale a pena atender por convênio?

Dentista, vale a pena atender por convênio?
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Uma das transformações que a gestão odontológica terá nos próximos anos será o amadurecimento no processo de rateio financeiro dos planos de tratamentos vendidos. Existem diversos modelos de negócios que contemplam diferentes formas de parcerias financeiras e posso afirmar que cada caso é um caso. O dentista deve saber a relação entre preço de venda, preço de custo e fazer simulações para tomar as decisões. Neste artigo, veremos como calcular o retorno e o rateio financeiro que uma parceria com convênio odontológico pode trazer.

Em todas as situações que envolvem parcerias, deve ser levado em consideração o fato de que todas as partes precisam estar satisfeitas para obter resultados positivos. Para facilitar a compreensão sobre como funciona o faturamento no atendimento com convênio, uso tabelas de diagnóstico financeiro de clínicas para exemplificar. O objetivo desta planilha é refletir sobre o rateio financeiro do preço de R$ 20,00 (vinte reais), valor cobrado por alguns convênios, entre um dentista dono da clínica e um dentista executor do serviço.

O Tempo de atendimento considerado foi de 30 minutos de utilização do consultório. O potencial de produtividade será de 08 (oito) horas, equivalente a 16 serviços por dia. Calcularemos quanto o dentista dono e o dentista executor terão de previsão de faturamento em 01 (um) dia de atendimento utilizando as 08 (oito) horas/dia.

Previsão de faturamento no atendimento com convênio

Tempo 30 Minutos % SERVIÇO DIÁRIA*
(+) Preço de Venda – Convênios 100% R$ 20,00 R$ 320,00
(-) Imposto 15% R$ 3,00 R$ 48,00
(-) Glosa 10% R$ 2,00 R$ 32,00
(-) kit material + biossegurança (R$5,00) 25% R$ 5,00 R$ 80,00
(-) Dentista Executor do Serviço 40% R$ 8,00 R$ 96,00
(=) Dentista Dono da Clínica 10% R$ 2,00 R$ 32,00
*Diária = Serviço X 16

Interpretando os números com base na gestão financeira

Vamos as considerações baseadas em gestão de custos:

01 – Primeiramente, o preço de venda é relativamente abaixo do preço de custo, sendo um fator crítico para o sucesso financeiro da clínica que teria mais despesas do que rentabilidade.

02 – Imposto, glosa e kit material + biossegurança são custos variáveis. Dessa forma, o dono da clínica recebe o dinheiro, mas são custos ligados diretamente a execução do procedimento, portanto, não colaboram para os custos fixos da clínica nem para sua vida pessoal. Os 15% de impostos (estimados) vão para o governo, 10% de glosas (estimados) retornam aos convênios. Este total de 25% pode variar.

Portanto, atenção ao seu planejamento tributário e ao seu controle de processos “anti-glosas”.

03 – Kit material + biossegurança com custo sugerido de R$ 5,00 representa 25% do preço de venda de R$20,00. O mesmo custo de R$ 5,00 num preço de venda de R$200,00 representa 2,5%. Algumas clínicas não fazem desta forma. Consideram o kit material + biossegurança como um custo fixo e não fazem o cálculo unitário. Facilita muito na precificação, mas aqui como no preço de venda representou 25% optei por tratá-lo na forma conceitual de custo variável.

04 – O dentista executor fazendo 16 serviços por dia com R$ 8,00 de ticket médio, não necessariamente em 16 pacientes, receberá R$ 96,00 por dia de trabalho. Numa projeção mensal de 20 dias úteis de trabalho, 08 horas por dia e 320 serviços por mês a expectativa de faturamento do dentista executor é de R$ 1.920,00 com 100% ocupação da agenda. A referência de 40% é baseada em média de mercado. No pensamento estratégico em odontologia proposto pela Pensefar, o rateio por percentual deve ser substituído pelo preço fixo e cabe nos custos da clínica pagar 40% para um executor.

Mas, quanto você ganharia?

05 – No caso do dentista dono da clínica,  fazendo a mesma quantidade de serviço do dentista executor, mas com um ticket médio de R$ 2,00, receberá R$ 32,00 por dia de utilização de uma cadeira odontológica em sua clínica. Numa projeção mensal de 20 dias úteis de trabalho com 08 horas por dia e 320 serviços por mês a expectativa de faturamento do Dentista Executor é de R$ 640,00. Este faturamento de R$ 640,00 é a colaboração desta cadeira odontológica para pagar os custos fixos da clínica: seu pró-labore, os custos prediais, com recursos humanos, marketing, dentre outros.

06 – Quando a produção de uma cadeira não consegue bancar seus custos, outra cadeira na clínica irá compensar esta perda. Um exemplo básico de rateio de custos fixos: uma clínica com duas cadeiras tem custo fixo de R$6.000,00. Se uma cadeira produz R$640,00, a outra terá que produzir R$5.360,00 para bancar os R$6.000. Em muitos casos, quem paga esta conta, o prejuízo de uma cadeira, é o dono da clínica que abre mão de sua remuneração como dentista executor, um erro grave de gestão.

Concluímos que uma coisa é fato, independentemente de ser dentista dono ou executor, a gestão de custos evidencia a necessidade de mudanças que são um caminho sem volta. Portanto, planeje, se for o caso, a sua mudança. Só você saberá o que é vantajoso para a sua carreira e desenvolvimento.

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