Casos Clínicos

Regeneração Óssea com a utilização de Bone Heal

Regeneração Óssea com a utilização de Bone Heal
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Regeneração Óssea Guiada utilizando barreira de polipropileno (Bone Heal ®) associado a enxerto xenógeno (Bio-Oss®) e enxerto de tecido conjuntivo, otimizando a reabilitação com Implante Dental.

SINOPSE

A procura da população brasileira pela reabilitação dos dentes perdidos através dos implantes dentários cresce a cada dia. Diante disso, o conhecimento do processo de cicatrização dos alvéolos pós-extração torna-se fundamental para um correto planejamento dos casos. Imediatamente após uma exodontia, inicia-se um processo de reparo no interior do alvéolo com a formação de um coágulo rico em células e fatores de crescimento que guiarão uma neoformação e remodelamento ósseo, e epitelização dos tecidos moles. Contudo, durante esse processo, está bem documentado na literatura que o rebordo alveolar sofre alterações dimensionais importantes, tanto em altura quanto em espessura, que poderão, se não minimizadas, ter uma influência negativa para a instalação dos implantes.

Visto isso, torna-se imprescindível que os profissionais da área realizem processos que favoreçam a regeneração óssea e dos tecidos adjacentes. Este artigo demonstra através de um caso clínico todos os passos para uma regeneração óssea guiada (ROG), utilizando Bioss e Membrana de Polipropileno (Bone Heal), realização de enxerto de conjuntivo, instalação do implante e reabilitação com coroa protética final.

Introdução

Ao longo dos últimos 30 anos, conforme relatado por Kopp et al (2013), com certeza a reabilitação com implantes osseointegráveis vem se tornando a primeira escolha para substituir as ausências dentárias. Estes primeiros trabalhos apresentados eram protocolos bem definidos que não incluíam uma necessidade estética alta, apenas uma reabilitação funcional baseada em próteses fixadas nos implantes osseointegrados (Branemarket al, 1983). Uma procura natural pela estética em reabilitações com implantes veio aumentando e a exigência também. E se tratando desse ponto é uma tendência a regeneração tecidual, tanto do leito ósseo quanto do tecido mucoso (Van Steenbergh et al, 1990; Tosta, 2004). A preservação e a reconstituição dos tecidos alveolares após a exodontia, certamente facilita a resolução funcional e estética.

Temos diversas pesquisas e descrições de autores que trabalharam e desenvolveram técnicas específicas para esses casos (Amler et al, 1960; Atwood e Coy, 1971; Salomão et al, 2009). Segundo Schropp et al (2003) as mudanças mais significativas em alvéolos de pré-molares e molares acontecem no primeiro ano pós exodontia, sendo 2/3 nos primeiros 90 dias. No intuito de estabelecer uma preservação e até mesmo uma reconstituição dos tecidos priimplantares, novas técnicas e novos biomaterias tem sido utilizado com sucesso (Tal et al, 2008). Materiais xenógenos de origem bovina e materiais biossintéticos tem sido comumente escrito na literatura como substitutos ósseos e com bom potencial osteocondutor, associados muitas vezes com membranas ou barreiras físicas de colágeno bovino e também de matérias bionertes como PTFE, Titânio e polipropileno. As membranas agem como uma barreira impedindo o crescimento epitelial e conjuntivo, e o material de enxerto então atua como osteocondutor (Tal et al, 2008; Schlegel et al, 1997; Salomão et al 2010).

Em alvéolos recém exodontia onde as paredes estão preservadas, Salomão et al em 2008 propuseram a utilização de uma barreira de polipropileno não-reabsorvível com o alvéolo preenchido somente com coágulo sanguíneo, a proposta dos autores é isolar o mesmo permitindo que as células indiferenciadas do coágulo possam ter “tempo” suficiente para sofrerem diferenciação em osteoblastos.

Relato de Caso Clínico

Paciente A. F. gênero masculino, cor negro, 45 anos, apresentou lesão periodontal com exposição de furca no vestibular e presença de fratura radicular na raiz mesio-vestibular, diagnosticado pelo exame físico e tomográfico (fig. 1) (fig. 2). A proposta de tratamento foi realizar a exodontia e no mesmo tempo cirúrgico fazer o preenchimento do alvéolo com biomaterial Bio-Oss® recobrindo a parede vestibular perdida pela bolsa periodontal e tudo recoberto pela barreira de polipropileno Bone Heal® (fig. 3). A barreira ficou em posição e com higiene devidamente controlada pelo paciente por 30 dias e após esse tempo foi removida (fig 4). Aguardou- se um período de 6 meses da primeira cirurgia para então realizar a instalação do implante osseointegrável hexágono interno de 4,0 x 11,5mm (Dentoflex ® – São Paulo-SP), nesse mesmo tempo cirúrgico foi realizado o enxerto de conjuntivo (fig. 5a e 5b). Após 4 meses de espera o implante recebeu o cicatrizador e teve a sua fase protética realizada em dois estágios, um provisório por 60 dias (fig. 6a e 6b), e a restauração final em metalo-cerâmica com coroa parafusada (fig. 7).

 

Discussão

Regeneração Tecidual Guiada que tem sua origem na periodontia, é uma realidade cada vez mais necessária e utilizada na implantodontia atual para solucionar problemas estéticos e funcionais no transoperatório ou até mesmo depois dos implantes instalados (Mardas et al, 2010). Diversos materiais ao longo desse período foram sendo utilizados muitos deles demonstraram ao longo do tempo serem ineficazes ou foram mal indicados pelos profissionais. Atualmente, os substitutos ósseos de lenta reabsorção, as membranas e barreiras de lenta reabsorção ou não-reabsorvíveis e o uso de fatores de crescimento, são os materiais que melhor trazem resultados a longo prazo, tanto funcionalmente quanto esteticamente (Mardas et al, 2010; Nevins et al, 1998; Rothamel et al, 2009).

É indiscutível que em qualquer trabalho de regeneração tecidual, o coágulo sanguíneo é fator imprescindível para o sucesso das enxertias tanto de tecido duro quanto de tecido mole (Salomão et al, 2009; Zuffetti et al 2013). Seguindo esse princípio Salomão et al (2009), demonstrou em seu trabalho que se isolar um alvéolo com uma barreira de polipropileno do restante dos tecidos conjuntivo e/ou mucoso, o próprio coágulo sanguíneo será responsável pela regeneração óssea e pela manutenção tridimensional do rebordo desdentado, propiciando assim uma reabilitação muito mais previsível.

Neste nosso relato de caso, usamos esse mesmo princípio da barreira de polipropileno em conjunto com um material xenógeno para preenchimento do alvéolo e regeneração da parede vestibular que houvera sido perdida por consequência da doença periodontal e da fratura radicular. O resultado obtido foi bem satisfatório em relação a regeneração da parede vestibular do alvéolo, a anatomia tridimensional do leito ósseo e gengival, e a restauração final com coroa metalo-cerâmica.

Conclusão

É possível concluir, baseados nos resultados obtidos através da técnica utilizada neste trabalho, que associar a barreira de polipropileno aos materiais substitutos ósseos xenógenos de lenta reabsorção, torna-se uma ferramenta confiável na resolução de perdas de paredes alveolares e assim otimizar a reabilitação com implantes dentários e coroas em porcelana.

Referências Bibliográficas

1-      Amler MH, Johnson PL, Salman I.Histological and histochemical investigation of human alveolar socket healing in undisturbed extraction wounds. J Am Dent Assoc 1960; 61: 46-8.


2- Atwood DA. Reduction of residual ridges: A major oral disease entily. J Prosthet Dent 1971; 26: 266-79.


3- Branemark PI, Adell R, Albrektsson T, Lekholm U, Lundkvist S, Rockeler B. Osseointegrated titanium fixtures in the treatmentof edentulousness. Biomaterials 1983; 4(1): 25-8.


4- Kopp S, Behrend D, Kundt G, Ottl P, Frerich B, Warkentin M. Dental implants and immediate loading: multivariate analysis of sucsses factors. Rev Stomatol Chir Maxillofac Chir Orale. 2013; 114(3): 146-54.


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6- Nevins M, Mellonig JT, Clem DS, Reiser GM, Buser DA. Implants in regeneratedbone: Long-term survival. Int J Periodontics Restorative Dent 1998; 18:34-45.

7- Rothamel D, Schawarz F, Herten M, Ferrari D, Mischkowisk RA, Sager M, et al. Vertical ridge augmentation using xenogenous boneblocks: a histomorphometric study in dogs. Int J Oral Maxillofac Implants 2009; 24(2): 243-50.

8- Salomão M, Siqueira JTT. Uso de barreira de poliropileno pós-exodontia-Relato de três casos clínicos. Rev Bras Implant 2009; 2: 12-5.

9- Salomão M, Alvarez FK, Siqueira JTT. Regeneração óssea guiada em defeitos extensos pós-exodontias utilizando membrana exposta ao meio bucal. ImplantNews 2010; 7(6): 753-59.

10- Schelegel AK, Mohler H, Busch F, Mehl A. Preclinical and clinicalstudiesof a collagen membranes (Bio-Guide). Biomaterials 1997; 18: 535-8

11- Schropp L, Wenzel A, Kostopoulos L, Karring T. Bone healing and soft tissue contour changes following single-tooth extraction: a clinical and radiographic 12-month prospective study. Int J Periodontics Restorative Dent 2003; 23(4):313-23.

12- Tal H, Kozlovsky A, Artzi Z, Nemcovsky CE, Moses O. Long-term bio-degradationof cross-linked and non-cross-linked collagen barriers and human guided bone regeneration. ClinOral Implants Res 2008; 19(3): 295-302.

13- Tosta M. Colocação de implantes em áreas estéticas com defeitos ósseos localizados. Abordagem simultânea. Implant News 2004; 1(5): 385-92.

14- Van Steenbergh D, Leckholm U, Bolender C, Folmer T, Henry P, Hernann I, et al. aplicabilyti of osseointegrated implants in the rehabilitation of parcial edentulism: a prospective multi-center study on 558 fixtures. Int J Oral Maxillofac Impl 1990; 5(3): 272-81.

15- Zuffetti F, Esposito M, Capelli M, Galli F, Testori T, Del Fabro M. Socket grafting with or without buccal augmentation with anorganic bovine bone at immediate post-extractive implants: 6-mouths after loading results from multicenter randomized controlled clinical trial. Eur J Oral Implantol
2013;6(3): 239-50.

Autores:

Munir Salomão – Cirurgião-Dentista, Especialista em Periodontia e Especialista em Odontologia para Pacientes com necessidades Especiais.

Paulo Odair Tessare Júnior – Cirurgião-Dentista pela Universidade “Camilo Castelo Branco”, Especialista em Implantodontia pela Universidade “Camilo Castelo Branco”, Mestre em Ciências da Saúde pelo Hospital Heliópolis e professor universitário na área de implantodontia de 1997 a 2008.

Michelle Bernardes Fonseca – Cirurgiã-Dentista pela Universidade “Camilo Castelo Branco” Especialista em Dentística pelo Cetao – SP, Mestre em Ciências da Saúde pelo Hospital Heliópolis.

Fonte: Bone Heal

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