Casos Clínicos

Caso clínico Orthometric: a verdade sobre os bráquetes estéticos

Caso clínico Orthometric: a verdade sobre os bráquetes estéticos
Compartilhar | Comentar

O bráquete cerâmico está sempre envolto de detalhes, lendas e curiosidades. O aparelho estético merece atenção por ser um lucrativo nicho da Ortodontia brasileira. O persistente apelo estético da mídia exerce forte influência no comportamento de pacientes jovens e adultos, e isso tem promovido e impulsionado a demanda por aparelhos ortodônticos estéticos.

Para incluir os bráquetes cerâmicos como opção de tratamento e formular o seu preço, deve-se levar em consideração alguns detalhes, dentre os mais relevantes: a ligadura (elástica ou com cobertura), o fio estético e o tipo de ranhura do bráquete (metálica ou não) – sendo que cada um desses itens merece uma resenha à parte.

Para uma melhor estética prefiro usar as ligaduras elásticas que não sejam transparentes. As ligaduras elásticas peroladas, ou foscas resistem mais à pigmentação, sobretudo quando a alimentação é rica em alimentos e bebidas com tonalidades fortes.

Essas ligaduras mais resistentes à pigmentação antes encontrávamos apenas em marcas importadas, e existiam apenas em elásticos modulares importados. Hoje, as empresas do Brasil já conseguiram nacionalizar a fabricação dessa cor e, além dos elásticos modulares, agora nas ligaduras em bengalinhas e elásticos em corrente, tornando mais acessível à todos um tratamento 100% estético.

A mais usada de todas é a ligaduras na cor “pearl blue” (azul perolada) por ter um leve tom azulado em sua composição. esta cor tem-se mostrado mais resistente à pigmentação – tendo certo cuidado e cooperação do paciente (evitar alimentos com pigmentos como por exemplo o do açafrão)

Todas as ligaduras com o tempo e a falta de cuidados pigmentam, mas essas novas soluções que as indústrias nos trouxeram ajudam e retardam esse processo de pigmentação.

Fios de amarrilho e arcos metálicos com recobrimento invariavelmente descascam. Não importa a marca ou procedência, todos os fios com recobrimento vão descascar, dependendo mais uma vez da dieta do paciente. Porém, nesse caso, não será pela cor do material, mas pela consistência ou maior presença de grãos ou acidez.

Aparelhos cerâmicos possuem maior atrito clássico, portanto alguns cuidados devem ser tomados, em especial, em casos de extração.

Os primeiros bráquetes estéticos comercializados foram os de policarbonato (acrílico), que ofereciam várias intercorrências, como pigmentação, deformação de canaletas e desgaste das aletas.

Introduzidos no mercado ortodôntico em meados dos anos 1980, os bráquetes confeccionados com alumina policristalina e monocristalina (Safira) solucionaram o problema de alteração de cor. O bráquete policristalino é confeccionado por meio da sinterização (aglutinação de cristais sem fusão) da alumina; enquanto o monocristalino resulta da fusão em um único cristal de alumina. Ambos os bráquetes cerâmicos possuem distintas características óticas e mecânicas. A alumina policristalina apresenta características inferiores às detectadas na alumina monocristalina, como menor translucidez e maior adesão de resíduos.

O bráquete de SAFIRA Indicado para tratamento de qualquer má oclusão. Este pacientes fez uso de mini-placas para correção de mordida aberta anterior e Má oclusão de Cl II. Tempo de tratamento: 24 meses.

DICA: para a remoção evitando as fraturas dos bráquetes Safira, costumo fazer apreensão na base da peça e movimento de alavanca mesiodistal. O importante é fazer o movimento de alavanca sem aperto para não fraturar a peça.

Quanto ao uso de alicates pode ser utilizado o de remover bráquetes da Orthometric, que comercializa um alicate especial para bráquetes cerâmicos. Podem ser removidos com ou sem o arco metálico. Bráquetes Safira podem ser removidos com muito praticidade.

Uma importante atenção aos bráquetes cerâmicos é a limpeza nas consultas mensais, para evitar a pigmentação. O desgaste do excesso de resina que, porventura não foi removida durante a colagem, também auxilia na manutenção da boa aparência.

Algumas conjunções de parte do bráquete em cerâmica e outras em policarbonato apresentam uma série de limitações, como alteração de cor ou fragilidade no clip. Os autoligados estéticos têm agradado por não incorrer na alteração de cor da ligadura elástica, portanto são recomendados para pacientes que possuem uma dieta com alimentos ou bebidas com forte tonalidade.

Em relação ao bráquete metálico, o cerâmico possui de 20 a 40 vezes menos resistência à fratura. Enquanto a resistência à fratura do primeiro é de 80 a 90 MPa/m2, no segundo é de 3 a 5,3 MPa/m2, por exemplo 6. Portanto, os bráquetes cerâmicos não aceitam dobras em arcos de aço inoxidável na mesma magnitude das realizadas para ajuste de posicionamento de bráquetes metálicos. Sendo assim, recomendo o uso de arcos de TMA (beta-titânio) por conter uma resiliência que possibilita o uso com dobras de finalização para tratamentos com bráquetes cerâmicos. Mesmo a reversão de curva de Spee e a acentuação de torques podem ser mais incrementadas nos arcos de TMA, em comparação às realizadas com arcos de aço inoxidável.

Referências:

1. Rosvall MD, Fields HW, Ziuchkovski J, Rosenstiel SF, Johnston WM. Attractiveness, acceptability, and value of orthodontic appliances. Am J Orthod Dentofacial Orthop 2009;135(3):276. e1-12; discussion 276-7.

2. Birnie D. Ceramic brackets. Br J Orthod 1990;17(1):71-4.

3. Scott Jr. GE. Fracture toughness and surface cracks the key to understanding ceramic brackets. Angle Orthod 1988;58(1):5-8.

4. Eliades T, Eliades G, Brantley W. Orthodontic brackets. In: Brantley WA, Eliades T, editors. Orthodontic materials. Stuttgard: Thieme, 2001. p.151-69.

5. Angelieri F, Pinzan-Vercelino CRM, Gurgel JA. Braquetes cerâmicos: aspectos atuais e biomecânicos na clínica ortodôntica. In: Pinto T, Garib DG, Janson GRP, Silva Filho OG. (Org.). Pro-Odonto. 1a ed. Porto Alegre: Artmed Panamericana, 2015. p.69-118.

6. Bordeaux JM, Moore RN, Bagby MD. Comparative evaluation of ceramic bracket base designs. Am J Orthod Dentofacial Orthop 1994;105(6):552-60.

Autor: Júlio Gurgel – Doutor em Ortodontia pela FOB-USP; Professor do programa de mestrado acadêmico em Odontologia (Ortodontia) da UniCeuma, em São Luís/MA; Professor assistente doutor do Departamento de Fonoaudiologia da Faculdade de Filosofia e Ciências da Unesp, campus de Marília; Coordenador do curso de especialização em Ortodontia da PUCMM, em Santiago de los Caballeros (República Dominicana).

Gostou do artigo e quer receber mais conteúdo como esse na sua caixa de entrada? Coloque seu email aqui embaixo que do resto a gente cuida.