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Dentistas nas UTI’s dos hospitais garantem qualidade de vida aos pacientes

Dentistas nas UTI’s dos hospitais garantem qualidade de vida aos pacientes
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A atuação de dentistas nas UTI’s (Unidade de Terapia Intensiva) dos hospitais garantem qualidade de vida aos pacientes, e este é um assunto que tem sido amplamente discutido. Pacientes que se encontram internados, muitas vezes, apresentam higiene bucal deficiente, o que propicia a colonização da cavidade oral por microrganismos chamados patogênicos, que são aqueles que têm capacidade para levar ao desenvolvimento de doenças, principalmente as respiratórias. “A quantidade de microrganismos patogênicos na cavidade oral aumenta com o tempo de internação.

Caso a higiene bucal não seja realizada adequadamente, a boca acaba se tornando um reservatório desses patógenos. Em paralelo, ocorre também o aumento de patógenos respiratórios que colonizam o biofilme bucal”, explica a cirurgiã-dentista e coordenadora do curso de PG de Odontologia Hospitalar do Hospital Israelita Albert Einstein, Letícia Mello Bezinelli.

Estudos mostram que existem estreitas relações entre infecções pulmonares e a condição bucal. Um exemplo é a pneumonia nasocomial ou pneumonia associada à ventilação mecânica, responsável por altas taxas de morbidade, mortalidade e aumento expressivo dos custos hospitalares. Uma das causas da pneumonia nasocomial é a aspiração do conteúdo presente na boca e na faringe, como saliva e placa, cheias de bactérias. Portanto, é necessário a manutenção da saúde bucal, além da maior integração da Odontologia e da Medicina, visando o tratamento global e dos pacientes, a prevenção de doenças e maior humanização das pessoas internadas.”

Benefícios de obter Cirurgiões-dentistas nas UTI’s

Melhora da qualidade de vida do paciente; redução do risco de infecção e do tempo de internação; menor quantidade de prescrição de medicamentos; diminuição da indicação de nutrição parenteral, já que o paciente consegue se alimentar pela boca, e redução dos custos de internação são alguns dos benefícios quando existe um cirurgião-dentista na equipe multidisciplinar do hospital.

“Uma condição bucal comprometida pode afetar negativamente a condição sistêmica da pessoa, principalmente se ela estiver imunocomprometida, apresentar doenças crônicas como diabetes, problemas cardiovasculares e hepáticos, entre outras doenças. Assim, quando o cirurgião-dentista remove focos de infecção presentes na boca, colabora para minimizar o risco de infecção desse paciente que está internado”, ressalta Letícia, ao informar que este profissional minimiza efeitos colaterais de determinadas terapias, evitando morbidades decorrentes da terapia médica, diminuindo o tempo de internação.

“Recentemente, publicamos um trabalho realizado no Hospital Israelita Albert Einstein que mostrou que a inclusão do cirurgião-dentista na equipe multiprofissional do Transplante de Medula Óssea é capaz de diminuir cerca de cinco dias o tempo de internação, diminuir também em 50% a necessidade de morfina para controle da dor, sendo duas vezes menor a necessidade de alimentação parenteral. Além disso, o risco de mucosite oral, uma das complicações bucais mais comuns do tratamento oncológico, é 13 vezes menor.”

Atualmente, existem protocolos de cuidados bucais, incluindo a Laserterapia, realizados pelo cirurgião-dentista durante a quimioterapia ou radioterapia, com resultados que verificam não apenas a redução da intensidade da dor, mas também a diminuição da severidade da mucosite oral.

Projeto de Lei

A PL 2776/2008 torna obrigatória a presença de dentistas em hospitais públicos e privados de médio ou grande porte em que haja pacientes internados ou que atendam a doentes crônicos, para prestar atendimento dentro da UTI e demais locais que haja necessidade. “Essa lei já tramita há alguns e sofreu modificações. Em 2016, teve parecer favorável da senadora Ana Amélia Lemos, mas ainda não foi sancionada pelo presidente.”

A Resolução RDC n7, de 24 de fevereiro de 2010 da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) dispõe sobre os requisitos mínimos para funcionamento de UTI e o Artigo 18 descreve os serviços à beira do leito que devem ser garantidos, por meios próprios ou terceirizados, entre os quais consta a assistência odontológica. ​

Sobre a Dra. Letícia Mello Bezinelli

Graduada pela Faculdade de Odontologia da USP, é especialista em Odontologia para pacientes com necessidades especiais, doutora em Ciências Odontológicas, cirurgiã-dentista do Programa de Oncologia, Hematologia e Transplante de Medula Óssea do HIAE (Hospital Israelita Albert Einstein) e coordenadora do Curso de PG de Odontologia Hospitalar do HIAE.

 

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