Dicas

Kit acadêmico: como escolher?

Kit acadêmico: como escolher?
Compartilhar | Comentar

O kit acadêmico é nada mais nada menos que um dos nossos principais instrumentos na odontologia. Ele é um kit composto por um micromotor, contra ângulo, peça reta, motor de alta rotação ou extra torque. Eles vêm em uma embalagem específica para transportar e também assegurar a qualidade e longevidade dos equipamentos.

E para que serve o kit acadêmico? Sabe o famoso motorzinho? Pois bem, é disso que se trata. Nossos motores, ou “melhores amigos”, são equipamentos utilizados para tratar, reabilitar, desgastar e polir dentes, próteses, aparelhos, e diversos materiais relacionados à odontologia. Por isso, é muito importante entender algumas características para fazer a escolha certa!

Separamos algumas dicas importantes, em uma linguagem mais “odontológica” e não apenas técnica, para conhecerem um pouco mais sobre o kit e assim auxiliá-los na escolha do seu!

 

Design: ergonomia, tamanho e peso

O design dos motores, também chamados de canetas, é muito importante. Ela deve ter um tamanho adequado para empunhadura e inserção na cavidade oral. Existem kits, por exemplo, específicos para o tamanho da boca das crianças (de odontopediatria). De um modo geral, os kits mais conhecidos no Brasil se adequam a essa questão.

Particularmente, recomendo que a caneta seja lisa, com o mínimo de ranhuras ou desenhos, já que é um equipamento que deve ser de fácil limpeza e que evite o acúmulo de bactérias. O peso também é importante, principalmente para os recém-formados, que ainda desenvolverão a destreza manual, o tato, a força ou a ausência dela. Por isso, é primordial que eles sejam leves e delicados.

 

Torque e refrigeração

Temos a caneta de alta rotação, ou extra torque, o micromotor e contra ângulo, também chamados de baixa rotação e a peça reta. Vale esclarecer ao leitor algumas diferenças básicas entre eles: enquanto o motor de alta rotação apresenta mais torque e velocidade de rotação,  necessitando de refrigeração quando em contato com a estrutura dentária, o de baixa rotação, apresenta menor velocidade e rotação, por vezes dispensando a refrigeração. A peça reta normalmente é utilizada para trabalhos extra orais, acoplada ao micro-motor.

Vocês aprenderão a indicação de cada um durante a graduação, na prática, em laboratório e clínica.

 

Pinça

É a parte que inserimos a broca. É muito importante optar por uma marca que valorize, a longo prazo, essa característica. Se a pinça não estiver adequada, além de aumentar o ruído e desgastar a broca erroneamente, pode-se danificar a estrutura dentária pela falta de precisão no toque da dentina/esmalte, prejudicando e muito o preparo do dente. Ah, não esqueça de lubrificá-la também. Mais abaixo, chegaremos nesse assunto.

 

Encaixe das brocas

Existem dois tipos: manual e push botton. Eu, por opção mesmo, sempre tive manual, mas a push traz a facilidade de inserção e remoção da broca, dispensando o uso de instrumentos ou acessórios como o “saca-broca”.  Ideal, por exemplo, para área de dentística, prótese, cirurgia e afins, onde a troca de uma broca e outra durante um mesmo procedimento é bastante usual.

 

Conexão

Aqui no Brasil, normalmente utilizamos o sistema Borden.

 

Cor

Normalmente elas são metálicas, mas atualmente têm aparecido algumas canetas coloridas. Se você se atrai muito por cores, pode optar sim, mas lembrando daquele item acima sobre desenho da caneta. Se não atender àquela lisura e ergonomia importantes, dispense a cor nas suas canetas. Mas não se preocupe, existem muitos outros materiais/instrumentais de odontologia que você poderá adquirir coloridos. Tenha certeza.

 

Precisão

Ah, como é importante esse item! Pense, por exemplo, em um marceneiro que trabalha com ferramentas para cortar e aplainar madeiras. Se elas não tiverem bom corte, de nada adiantará a destreza do marceneiro. Você, que está começando agora, não pense em economizar no seu kit.

Por mais que apresente um “custo alto”, pense que alto mesmo será o preço que você vai pagar se não desenvolver plenamente sua habilidade manual, tão importante para um dentista. Não recomendo comprar usado ou emprestar do familiar. Cada um tem uma forma de empunhar e de cuidar e, por isso, cada dentista ou acadêmico deve ter o seu. Recomendo que seu kit acadêmico seja novo e particular (mesmo).

 

Ruído

Existem turbinas sem ruído? Ou melhor, por que elas fazem barulho? As turbinas funcionam à ar. Isso significa que a pressão gerada pelo nosso compressor, associada ao funcionamento da turbina, desenvolverá a rotação, a força e o torque. Então essa passagem de ar pela turbina, como vem com pressão e escapa, gera o ruído.

Temos atualmente canetas fora do Brasil com outros sistemas. Inclusive à luz, como o Solea, que é um laser que por meio da modulação da frequência tem a capacidade de cortar a dentina e esmalte fazendo assim a cavidade.

 

E por que o paciente tem pavor desse barulho?

Normalmente porque ele associa o barulho com o corte de dentina e possível sensibilidade. Tenha certeza de que se ele não tiver dor, não terá traumas.  Quando em alta rotação, opte por uma técnica anestésica adequada para o procedimento e abra a água! Dente precisa ser tratado com refrigeração. Na disciplina de endodontia e dentística, vocês entenderão o porquê.

E por fim, mas não menos importante, lá vai uma dica valiosa, de uma cirurgiã-dentista formada há 11 anos e que ainda possui seu primeiro kit acadêmico:

CUIDE dele! A vida útil de seus materiais dependerá desse zelo.

 

Aí vão umas dicas de como cuidar do seu kit acadêmico. Quem não era organizado, agora, como dentista, vai ter que virar! Vocês sabem que nossos materiais têm um alto custo e facilmente podem ser perdidos se utilizados de maneira errada, por isso devem ser muito bem cuidados.

Armazenamento: o seu kit acadêmico vem em uma embalagem espumada, com formato cortado à laser, especialmente para o tamanho da sua caneta. É para ficar bonitinho? Não. Ele serve para aumentar a vida útil do seu kit. Ainda mais na fase acadêmica, quando normalmente eles não ficam quietinhos, indo pra lá e pra cá com nossas muitas malas e compartimentos de plástico que adoramos.

Imagine se você guardar o kit em um pote qualquer e ele cair no chão? Pois é. Não jogue a maleta original fora e transporte o seu kit sempre dentro dela, mesmo depois de formado. Saiu do consultório? Leve ele na embalagem específica e não corra riscos.

Limpeza: as turbinas são autoclaváveis. Faça a assepsia convencional, lubrifique bem, embale e autoclave.

Lubrificação: sabe quando a gente ouve “beba água regularmente”? O óleo para a caneta é como a água para nós. Lubrifique com gosto. Pelo menos toda noite, após o uso diário.

Pessoal: como foi dito antes, comprem os seus kits. A Dental Cremer parcela, facilita e ajuda muito na hora de comprarmos os materiais – inclusive existe lá o Programa Estudantes, que é um canal especializado em atender acadêmicos de odontologia e esclarecer todas as dúvidas que surgem com as listas. Na minha época de acadêmica, não tínhamos tantas facilidades como hoje, com tantas ofertas interessantes e possibilidades de pagamento.

Brocas: as brocas, para a nossa turbina de alta, devem ser novas e com bom corte. Brocas velhas devem ser descartadas. Elas são grandes responsáveis também pela questão falada lá em cima sobre temperatura e estrutura dentária.

Temperatura: refrigere sua turbina de alta. Abra a água!

Uso adequado: não adianta ter um excelente e novíssimo kit em mãos e não o utilizar adequadamente. Refrigere, use a baixa para procedimentos com sua indicação e faça o mesmo com a alta, respectivamente.

Responsabilidade: cuide delas pensando sempre na biossegurança. Autoclave e faça a assepsia corretamente e diariamente.

Manutenção preventiva: faça de acordo com o fabricante.

Espero que tenham gostado das informações e dicas! Qualquer dúvida, deixem aqui nos comentários que vou adorar responder em um próximo artigo.

Até a próxima matéria!

Gostou do artigo e quer receber mais conteúdo como esse na sua caixa de entrada? Coloque seu email aqui embaixo que do resto a gente cuida.

  • Thalita Galassi

    Confira todos os artigos do(a) Dr(a). Thalita
    Cirurgiã- dentista. Especialista em Ortodontia. Pós-graduada em Dentística Estética. Mestre em Ciências da Reabilitação HRAC USP. Professora de Especialização em Ortodontia - SPO. Palestrante, escritora e consultora técnico-científica em Ortodontia. Membro da Comissão de Mídias Sociais CROSP. Diretora Social da Sociedade Paulista de Ortodontia Mídias Sociais. On-line, compartilhando odontologia desde 2013.
    Facebook Instagram YouTube