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Considerações sobre as cirurgias plásticas periodontais

Considerações sobre as cirurgias plásticas periodontais
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A estética da gengiva é tão importante quanto a estética dental. Tanto que é chamada de estética rosa ou vermelha. Existem inúmeros estudos sobre o sorriso que consideram as proporções harmônicas da gengiva e quanto dela aparece. A genética, a sequência de erupção dos dentes, a posição dental, a higiene bucal, o trauma de escovação, a perda precoce de dentes de leite, as doenças de gengiva e algumas doenças sistêmicas são fatores que mexem com a estética gengival.

As cirurgias plásticas periodontais podem atuar de duas formas sobre dentes, basicamente: para remover excesso de tecido, no caso do chamado sorriso gengival e hiperplasias (crescimento desordenado de tecido) ou para recuperar tecido perdido, no caso das recessões gengivais, também conhecidas como retrações. Qualquer cirurgião dentista está habilitado para fazer esse tipo de procedimento e o especialista que estuda esta área é o Periodontista.

Esse tipo de cirurgia demanda planejamento minucioso, anamnese para saber se o paciente possui doenças sistêmicas que podem atrapalhar a reparação periodontal, exame clínico, exames complementares e principalmente uma boca limpa, livre de placa bacteriana e cálculo dental.

Outra análise que precisa ser feita é em relação ao perfil gengival. Sondagem é fundamental e as recessões gengivais são classificadas para dar maior previsibilidade aos procedimentos cirúrgicos e para a definição dos prognósticos. É importante também os dentistas prestarem atenção para um detalhe: se há desgaste em esmalte, isto é, da junção esmalte-cemento (JEC) em direção a coroa pensamos em restauração. Se há retração de gengiva e temos dentina exposta, da JEC em direção a raiz, a indicação é recobrir e não restaurar. Restaurar esses espaços podem contribuir para o aumento do acúmulo de placa e gerar mais recessão gengival.

Vale lembrar que o sorriso gengival algumas vezes não pode ser resolvido apenas com intervenção na gengiva e no osso. Em alguns casos ele tem origem esquelética e precisa de outros tipos de cirurgia para ser harmonizado. Uma outra opção é a aplicação de toxina botulínica que vem se mostrando muito eficaz como complemento da plastia periodontal. Sua única desvantagem é que sua aplicação não tem efeito definitivo.

A investigação das causas da chamada hiperplasia gengival é de suma importância. Alguns medicamentos podem ter como efeitos colaterais o crescimento da gengiva, como a Fenitoína, geralmente usada por pacientes com Epilepsia e medicamentos imunossupressores prescritos a pacientes transplantados. Doenças sistêmicas descontroladas como Diabetes ou hábitos nocivos como o tabagismo podem ser contraindicações para realização das cirurgias plásticas periodontais.

Muitos dos casos de harmonização do sorriso gengival são um pedido dos pacientes. O sorriso gengival em si não chega a ser uma enfermidade. O que incomoda na maioria das vezes são os dentes pequenos que aparentam dentes de leite, dando aspecto de um sorriso infantilizado e a quantidade de gengiva que o paciente revela ao sorrir. Agora, quando há um aumento gengival que chega a atrapalhar a higienização dos aparelhos ortodônticos fixos ou a própria higiene bucal, com a criação de “falsas bolsas”, a intervenção do dentista é mais do que necessária. Cabe ao cirurgião dentista avaliar cada caso separadamente e indicar o plano de tratamento.

Na dúvida, consulte sempre um cirurgião dentista.

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