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Considerações sobre Humanização em Saúde e Odontologia Humanizada

Considerações sobre Humanização em Saúde e Odontologia Humanizada
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Você provavelmente já ouviu falar em humanização da saúde, não é? Parto humanizado, abordagem humanizada ou até mesmo odontologia humanizada. São conceitos que estão ficando cada vez mais fortes na prática clínica em todas as áreas da saúde. Em 2003, o Ministério da Saúde lançou a Política Nacional de Humanização (PNH), com objetivo de voltar os olhos dos profissionais de saúde para o paciente como ser humano e não focar tanto nas técnicas e nas doenças. Muitos estudos corroboram que a abordagem humanizada melhora a saúde e previne doenças.

Se faça estas perguntas

– Você escuta o que seu paciente tem a dizer?

– Escuta mesmo?

– Como que o paciente é acolhido ao chegar na sua clínica ou consultório? E não estou falando apenas da hora em que o paciente entra na sala de atendimento.

A humanização preconiza o acolhimento. Em uma situação hipotética, como você se sentiria se chegasse ao consultório do seu dentista e logo de cara o manobrista do estacionamento fosse mal educado com você? Ainda por cima, a recepcionista está de cara amarrada lixando a unha e nem te olha quando pede para você esperar pela consulta. Para completar, o dentista atrasa, não avisa e nem oferece opções para remarcar a consulta, só te dá um chá de cadeira. Quando você finalmente é chamado, ele nem conversa porque está com pressa, pede para você sentar e abrir a boca, conta duas cáries e avisa: “Você tem duas cáries aí, custa tanto, vamos fazer?” É como aquele médico que nem encosta no paciente, sabe? Parece que tem “nojinho” de gente.

Abordagem que faz diferença

A abordagem da humanização é a maneira ideal de se praticar saúde, é quando você faz o paciente se sentir acolhido e, principalmente, escuta suas queixas. É importante conversar e explicar sobre as formas de tratamento, porque sabemos que geralmente podemos utilizar de diferentes meios para chegar ao resultado final e nada mais justo do que o paciente participar das decisões.

A própria PNH se pauta sobre três princípios:

1- A não separação entre a atenção em saúde da gestão dos processos;

2- A transversalidade, isto é, a comunicação entre vários profissionais, com ausência de hierarquia para se chegar ao melhor resultado possível;

3- E o protagonismo dos dentistas, médicos, farmacêuticos, psicólogos, enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas, auxiliares, gestores, entre outros.

Trocando em miúdos, é dar um atendimento mais focado na pessoa, respeitando suas vontades dentro das técnicas mais atuais disponíveis; vai além do que focar na doença em si.

Literatura científica sobre odontologia humanizada

A literatura científica nos mostra que apenas tratar doenças não é o suficiente. Por exemplo, se o seu paciente quiser manter um dente que já se encontra meio baqueado, com problemas periodontais e endodônticos, ao invés de extrair e colocar um implante, se o dente não estiver totalmente perdido, você vai explicar os riscos e respeitar a vontade do paciente.

Entretanto, veja que existe uma linha tênue nas decisões, e muitas vezes as vontades dos pacientes podem colocá-los em risco. Manter um dente perdido e infectado pode levar a perda de outros dentes e piorar a saúde bucal. Alguns modismos vestidos de “humanização” podem confundir a cabeça dos pacientes e os profissionais da saúde precisam ter o conhecimento e o discernimento para indicar os tratamentos corretos, para a humanização não ficar descaracterizada.

Humanização em saúde na prática

Vou dar um exemplo polêmico que os médicos estão enfrentando: muitas mulheres estão querendo ter o parto em casa, sem medicamentos e sem procedimentos médicos – uma busca por algo mais orgânico e um resgate à fisiologia natural, dizem os adeptos. E se houver alguma complicação no meio do caminho? O índice de mortalidade em partos hoje em dia é muito baixo, mas duas vezes maior nos partos feitos em casa do que no Hospital. Um risco considerável.

Os profissionais de saúde e gestores chegaram a um meio termo e já podemos encontrar a opção do parto humanizado dentro dos hospitais, com uso de bolas de pilates, banheira com água, alimentação diferenciada em um ambiente tranquilo com iluminação controlada. A solução pode proporcionar privacidade, emulando um parto caseiro e tirando aquele ambiente frio e impessoal do hospital.
Transferindo isso para a odontologia, também estamos caminhando para o maior conforto dos pacientes. A humanização pode começar simplesmente na escolha das cores das paredes do consultório e chegar até nas cadeiras que fazem massagem, músicas relaxantes e o mais importante: uma boa e mais longa consulta inicial para que o dentista possa entender as necessidades específicas do paciente.

Como o mercado está extremamente saturado de dentistas, aqueles que buscam o caminho da humanização já vão ser diferenciados daqueles que trabalham no piloto automático com consultas rápidas e pensando apenas no giro de pacientes. Aquela conversa franca na consulta inicial começa a gerar uma das características mais fundamentais que pacientes querem ter em seus profissionais de saúde: a confiança.

Um abraço!

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