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Convênios odontológicos: atendê-los ou não?

Convênios odontológicos: atendê-los ou não?
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Tema polêmico, porém, atual. É preciso conversar sobre a questão dos convênios odontológicos!

A primeira coisa que fiz ao pensar neste tema foi definir uma linha de raciocínio. Não quero dar uma receita pronta, mas quero trazer para você, leitor, algumas informações existentes sobre este tema.

Você verá que ainda nos faltam informações!

Primeiramente, fui buscar junto a alguns amigos que se graduaram em Odontologia comigo (há cerca de 8 anos) o que eles achavam dos convênios odontológicos que atendiam, os pontos positivos e negativos; também pedi alguns comentários:

A Dra. Ana Paula me disse que atender por convênios é “muito difícil. Chama muito paciente, mas glosa muito procedimento também. Acaba não valendo a pena. Enche o consultório de paciente, mas o dentista não recebe. Além disso, o valor pago é muito abaixo do preço particular”.

Outra informação importante que encontrei foi com a Dra. Carolina: “Eu parei de atender convênio porque não estava valendo a pena financeiramente”.

Ninguém teve muito a dizer sobre os pontos positivos dos convênios, mas é importante estar atento a um número específico sobre este tema: hoje, mais de 20 milhões de brasileiros possuem um plano odontológico.

E o que a literatura diz sobre o assunto?

Há um estudo que pesquisou as condições de trabalho e satisfação de cirurgiões-dentistas credenciados por convênios odontológicos, porém, ele foi publicado há mais de 10 anos (2004).

Os autores analisaram as respostas de 150 dentistas por meio de um questionário. Os resultados do trabalho: para 33,3% dos profissionais, o motivo do credenciamento foi a procura por maior número de clientes; apenas 31,1% dos profissionais analisados estavam satisfeitos com a empresa conveniada; sendo o principal motivo da insatisfação para 47,9% dos indivíduos o valor pago pelos serviços prestados.

Como podem perceber, essa informação é ainda hoje muito parecida com os que os meus colegas de profissão relataram logo mais acima no texto.

Entretanto, um dado mais importante ainda desse estudo é que, quando questionados sobre a situação da condição de trabalho do cirurgião-dentista com o surgimento dos convênios, aproximadamente metade da amostra (47,3%) relatou piora da qualidade.

Será que existem afinal pontos positivos em atender por um convênio odontológico?

Uma pesquisa do ano de 2012, realizada em Duque de Caxias/RJ entrevistou 74 cirurgiões-dentistas e constatou que o atendimento a mais de um plano de saúde era muito comum (88%). O aumento de paciente destacou-se como um dos pontos positivos (81% dos dentistas relataram isso) (Figura 1).

Porcentagem de dentistas que responderam sobre o que mais agrada e interessa na relação com a prestadora de convênios.

E como ponto negativo?

No mesmo estudo, 52% dos dentistas relataram que se sentiam incomodados com a falta de reajuste financeiro e ou pagamento não compatível com o mercado.

Como falar de convênios sem falar de glosas? O que é glosa? E porque ocorrem? 

É o termo referente ao não pagamento, por parte dos planos de saúde, dos valores referentes a atendimentos, materiais ou mesmo de taxas cobradas pelas empresas ou pessoas físicas que prestam o serviço.

Elas costumam ocorrer devido a uma série de questões, como por exemplo, a falta da documentação adequada, algum valor cobrado de forma indevida, etc. Cada convênio tem o seu prazo para que o profissional possa recorrer e os convênios também tem um prazo para acatar o pedido do prestador.

Quais são os procedimentos odontológicos mais glosados?

Uma pesquisa muito interessante do ano de 2011 buscou a resposta para essa pergunta e verificou que as especialidades de Dentística (50%) e Periodontia (19,5%) possuíam os maiores números de procedimentos glosados. Por curiosidade, as especialidades de Cirurgia e Endodontia tiveram o menor número de glosas.

Será que atender ou não atender é mesmo uma questão de escolha para alguns profissionais?

Em alguns casos é sim e, se me perguntarem se eu atendo ou se já atendi por convênios… eu confesso que tentei, mas ainda não consegui fazê-los funcionar em minha rotina de atendimentos.

Caso decidam atender, atenção às informações deste artigo. Elas são ainda atuais e podem ajudar a pensar se atender convênios odontológicos enquadra-se nas suas possibilidades profissionais.

Abraços e até o próximo texto!

Referências:

http://www.scielo.br/pdf/dpress/v14n3/a06v14n3.pdf

http://www.revodontolunesp.com.br/files/v33n3/v33n3a03.pdf

http://files.bvs.br/upload/S/1413-4012/2011/v16n2/a2563.pdf

http://revodonto.bvsalud.org/pdf/rbo/v69n2/a05v69n2.pdf

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