Ortodontia

Diagnóstico Facial: um norte para o tratamento ortodôntico

Diagnóstico Facial: um norte para o tratamento ortodôntico
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Olá colegas!

Hoje vamos abordar um pouco sobre um dos elementos de diagnóstico mais importantes na ortodontia: a face!

O diagnóstico facial na ortodontia é responsável por nortear nosso planejamento ortodôntico. Por ela, conhecemos qual o melhor caminho diante de cada caso e assertivo ao seu paciente. Aplicamos esse elemento desde o tratamento interceptativo ao corretivo cirúrgico.

Sabemos que a condução de um planejamento ortodôntico deve estar relacionada à posição dentária e face de cada indivíduo. No entanto, no início do século XX, grande parte das pesquisas se preocupava somente com a posição dos dentes em relação às suas bases ósseas.

Quando falamos de avaliação de face o assunto vai muito além, ou melhor dizendo, tem um outro sentido sobre padrão de beleza e harmonia de um rosto. Pois esse motivo, tem caráter subjetivo e, portanto, bastante pessoal. É essencial saber que uma face harmoniosa não é necessariamente agradável. O sentido das análises faciais é complementar aos demais itens de diagnóstico e define limites importantes.

A cefalometria radiográfica está consagrada como um exame complementar de fundamental importância para a avaliação das condições dentoesqueléticas; e o estudo das relações tegumentares da face com os perfis: ósseo e dentário, vem agregar nessa mesma avaliação dentoesquelética.

Métodos de avaliação cefalométrica do tecido mole

Vários estudos realizados tiveram como propósito desenvolver medidas que quantificassem a estética facial, para que esses valores auxiliassem no diagnóstico e no plano de tratamento das maloclusões.

Segundo Nunes et al. (2001), Ricketts, em 1957, considerou que entre os principais objetivos do tratamento ortodôntico deveriam estar o equilíbrio e a harmonia da estética facial. O autor realizou um estudo utilizando fotografias de modelos e artistas de cinema com excelentes perfis e, em seguida, apresentou uma linha que procurava quantificar a beleza facial, a linha “E”.

Outra medida usada para estudar o tecido mole é o ângulo de convexidade descrito por Legan e Burstone. Este ângulo é formado pelo tecido mole da glabela, subnasal e tecido mole do pogônio. De acordo com as disposições das linhas, teremos três perfis diferentes: reto – em pacientes Classe I; côncavo – em pacientes Classe II; e convexo – em pacientes Classe III (Suguino et al., 1996).

Steiner, em 1962, salientou que a atenção ao perfil do tecido mole seria de vital importância para uma avaliação dos problemas ortodônticos. Em vista disso, o autor preconizou o uso de uma linha, traçada tangente ao mento mole, passando pelo ponto médio da base do nariz, denominando-a linha “S” (Tukasan et al., 1996).

Holdaway, em 1975, com o objetivo de proporcionar aos Ortodontistas uma análise do perfil facial mole, introduziu uma linha traçada tangente ao mento mole e à porção mais anterior do lábio superior, denominando-a de linha “H” (Tukasan et al., 1996).

Nesta análise, utilizamos medidas para avaliação em vista frontal e em vista lateral. Dentre elas temos: avaliação dos lábios, análise do sorriso, espaço interlabial, projeção nasal, ângulo nasolabial, entre outros.

O estudo para diagnóstico facial nos proporciona algumas respostas

Função respiratória: conseguimos saber, pela face, se o paciente tem uma respiração oral ou nasal. E esse item é muito importante para conduzir o tratamento.

Função mastigatória: sabemos se o paciente possui algum hábito de mastigação desequilibrada, como mastigar unilateralmente e/ou hábitos deletérios, como sucção digital e onicofagia, que interferem diretamente nessa função.

Critério para tratamento com ou sem extrações: identificamos se extrações típicas serão aceitas pela face ou não.

Resposta muscular frente a determinada biomecânica: podemos ter o conhecimento se o paciente apresenta função muscular alterada, e consequente equilíbrio de forças frente a alguma biomecânica. Exemplo: lábio curto ou evertidos.

Alterações posturais: percebemos se o paciente possui alterações em funções, como: deglutição e respiração por posição de cabeça e pescoço.

Presença de hábitos e parafunção: identificar hábitos deletérios ou parafuncionais. Por exemplo: apegamento, bruxismo, onicofagia, sucção digital, entre outros.

Discrepâncias dentoesqueléticas: avaliamos se a sua estrutura dentoesquelética tem harmonia. Afinal, este é o arcabouço da face.

Desarmonias de bases ósseas: se há alterações entre os terços faciais e assim auxiliar na terapia necessária.

Por isso, eu reforço, todos nós ortodontistas precisamos nos atentar ao diagnóstico facial que é tão importante para um tratamento mais harmonioso. Aplicar esta técnica é enriquecer nosso planejamento ortodôntico, além, é claro, de proporcionar ao seu paciente satisfação garantida.

Referências:

ARNETT, G. W. et al. Soft tissue cephalometric analysis: diagnosis and treatment planning of dentofacial deformity. Am. J. Orthod. Dentofacial Orthop., St. Louis, v. 116, no. 3, p. 239-253, Sept. 1999.

FERES, R. VASCONCELOS, M. H. F. Estudo comparativo entre a Análise Facial Subjetiva e a Análise Cefalométrica de Tecidos Moles no diagnóstico ortodôntico.R Dental Press Ortodon Ortop Facial 81 Maringá, v. 14, n. 2, p. 81-88, mar./abr. 2009

CAPELOZZA FILHO, L. Diagnóstico em Ortodontia. Maringá: Dental Press, 2004.

ARNETT, G. W.; McLAUGHLIN, R. P. Planejamento facial e dentário para ortodontistas e cirurgiões bucomaxilofaciais. São Paulo: Artes Médicas, 2004.

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  • Thalita Galassi

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    Cirurgiã- dentista. Especialista em Ortodontia. Pós-graduada em Dentística Estética. Mestre em Ciências da Reabilitação HRAC USP. Professora de Especialização em Ortodontia - SPO. Palestrante, escritora e consultora técnico-científica em Ortodontia. Membro da Comissão de Mídias Sociais CROSP. Diretora Social da Sociedade Paulista de Ortodontia Mídias Sociais. On-line, compartilhando odontologia desde 2013.
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