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Diagnóstico odontológico: imagens 3D aliadas às tecnologias digitais

Diagnóstico odontológico: imagens 3D aliadas às tecnologias digitais
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Desde a descoberta dos chamados raios X por Roentgen em 1896, nem os maiores otimistas poderiam prever a revolução que esta forma de radiação poderia ocasionar no diagnóstico odontológico! As radiografias rapidamente passaram a ter um papel importante em como auxiliar no diagnóstico e plano de tratamento tanto para médicos como dentistas.

No Brasil, existe uma gama de exames radiográficos disponíveis aos dentistas, que durante décadas tem sido indicados sem muitas mudanças ou novidades. Entre eles, podemos destacar as radiografias periapicais, interproximais, oclusais e panorâmicas. Até que por volta do início dos anos 2000, chegam os primeiros aparelhos de Tomografia Computadorizada Cone Beam para uso comercial.

Nos dias atuais, essa recente modalidade de imagens diagnósticas tem ganhado cada vez mais espaço entre os especialistas e clínicos. A Tomografia Computadorizada por Feixe Cônico (TCFC), possibilita a visualização dos dentes, estruturas adjacentes e da face sem que haja sobreposições. Apesar do assunto ser ainda pouco abordado na maioria das graduações, vem se popularizando em razão das diversas vantagens sobre as radiografias convencionais e tomografias médicas; tais como doses de radiação cada vez menores, a melhora na resolução e da qualidade da imagem, racionalização do campo de visão, queda nos valores dos exames tomográficos, e claro, as visões axiais, coronais e sagitais em separado.

A evolução da Tomografia Computadorizada no diagnóstico odontológico

Desde o lançamento da TCFC, a Radiologia Odontológica vem passando por uma rápida evolução e mudanças na maneira de prescrever exames de imagem. Aliando-se às novas tecnologias digitais, o dentista passou a ter uma série de novos recursos diagnósticos e trabalho que vieram para ficar.

Em especialidades como a Implantodontia, a TCFC, já há algum tempo, tem sido amplamente utilizada. Importantes associações de Radiologia em todo o mundo concordam e preconizam seu uso para o planejamento e instalação de implantes dentários, sejam únicos ou múltiplos em qualquer sítio, como é o caso do SedentexCt na Europa e as “guidelines” americanas promovidas pela AMORR e ADA.

Além disso, o número de cirurgias totalmente guiadas, ou seja, sem o uso de retalho cirúrgico (flapless), tem sido cada vez mais comum, o que possibilita aos dentistas, um menor tempo de trabalho e menor morbidade pós-cirúrgica ao paciente; diminuindo chances de insucesso e intercorrências trans-operatórias.

Benefícios à Cirurgia Ortognática e Buco-Maxilo Facial

A Cirurgia Ortognática e Buco-Maxilo Facial, também vem se beneficiado das imagens tomográficas por meio dos arquivos do tipo DICOM (arquivos de computador gerados na aquisição da TCFC). Cirurgias para remoção de dentes inclusos e impactados com proximidade do nervo alveolar inferior podem oferecer riscos de parestesias, quando utilizadas as imagens tomográficas, essas possibilitam ao cirurgião uma melhor abordagem, diminuindo riscos.

Estas imagens devem ser utilizadas como padrão nestes casos para localização do NAI.  A TCFC também é utilizada para definir a extensão, localização e plano de tratamento de patologias ósseas, fraturas e correções maxilo-faciais com precisão. Ainda é possível por meio desses arquivos, a obtenção de modelos virtuais em 3D, que depois podem ser imprimidos em impressoras 3D, confeccionando-se dispositivos protéticos e aparatos cirúrgicos customizados para cada paciente

Uma nova visão para o diagnóstico odontológico

Estudos tem mostrado que essa nova tecnologia vem modificando sobremaneira o plano de tratamento em outras especialidades como a Ortodontia e a Endodontia. Por exemplo: localização de canais acessórios e laterais, raízes extranumerárias, dentes com dilacerações nas raízes, fratura dentárias, dentes supranumerários e caninos impactados que podem ou não causar reabsorções externas nas raízes de dentes erupcionados. E diversas outras situações que antes eram muito difíceis, ou mesmo impossíveis de serem visualizadas em razão das sobreposições dos exames em duas dimensões. Depois da TCFC, passaram em sua maioria a ter possibilidade de serem diagnosticadas com exatidão.

Um outro exemplo mais recente de especialidade, onde a TCFC é aliada ao planejamento digital, tem sido usada, e é o da plástica gengival ou aumento de coroa clínica, aumentando a segurança e a previsibilidade do procedimento.

As possibilidades da visão 3D são inúmeras, sem dúvidas, algumas modalidades de exames radiográficos cairão no desuso. No entanto exames práticos e com baixa radiação como as periapicais, podem fornecer informações importantes e suficientes em muitos casos e, portanto, ainda terão seu espaço durante muito tempo. Melhor ainda digitalizadas, mas isso já é outro assunto.

 A TCFC não vem substituir exames, mas somar ao arsenal de exames radiológicos disponíveis, cabendo a nós dentistas, através da reciclagem em cursos, atualizações e especializações, seja qual for a especialidade, conhecer, indicar e interpretar essa importante ferramenta de diagnóstico e planejamento. Usando, claro, de forma racional os diferentes tipos de exame de imagem que mais beneficiem e melhor atendam aos interesses dos nossos pacientes

Autor: Prof. MSc. Paulo Henrique Pola

Mestre em Radiologia pela São Leopoldo Mandic-Campinas; Especialista em Estomatologia pela São Leopoldo Mandic-Campinas; Professor da Disciplina de Radiologia e Imaginologia da FADBA; Professor da Disciplina de Cirurgia e Traumatologia da FADBA; Especialização em Implantodontia e Prótese Dentária pela Avance-Feira de Santana.

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