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Diagnóstico pela saliva: o futuro da saúde na detecção de doenças

Diagnóstico pela saliva: o futuro da saúde na detecção de doenças
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Imagine um mundo onde uma visita ao dentista pode salvar sua vida. Imagine um mundo em que os médicos não tenham que tirar o sangue para testar se você está doente. O objetivo de quem trabalha com diagnóstico através da saliva é tornar este sonho realidade.

Mas afinal, como isso é possível?

Vamos lá: a saliva é um fluído oral que contém uma abundância de biomarcadores proteicos e moléculas genéticas e tem sido reconhecida como um material biológico promissor para detecção precoce de doenças em geral.

Como? Este biofluido é composto pela secreção exócrina originada das glândulas salivares maiores (parótida, submandibular, sublingual) e glândulas salivares menores. Além de componentes não-exócrinos como células (epitelial, polimorfo nucleares neutrófilos e linfócitos e seus produtos), microrganismos e seus produtos, sangue e o fluído crevicular gengival.

A saliva é um fluído misto composto principalmente pela secreção das glândulas salivares, assim como de componentes não-exócrinos (células, microrganismos e o fluido crevicular gengival). Observe a imagem abaixo.

Adaptado de Zhang et al., 2016

Assim como o soro e outros fluídos corpóreos, a saliva contém biomoléculas como DNA, mRNA, microRNA, proteína, metabólitos e microorganismos.

Por ser de amostragem fácil e barata, com um desconforto mínimo, o fluído oral é facilmente acessível de forma não invasiva. Torna-se, portanto, uma excelente alternativa para a busca de biomarcadores, gerando assim grande interesse no âmbito da saúde pública.

Além disso, o avanço do conhecimento gerado por estudos de proteoma, transcriptoma, metaboloma e microbioma salivares, vistos como alfabetos de diagnóstico (salivaomics), permitiram que o diagnóstico salivar seja utilizado para aplicações de medicina e odontologia personalizadas.

O teste através da saliva pode ajudar a identificar quais doenças?

Uma ampla gama de biomarcadores salivares já foi relatada, com um bom potencial para detectar pacientes com diferentes doenças versus pacientes saudáveis. Resultados de estudos recentes demonstram a utilidade dos miRNAs e proteínas salivares para a detecção de câncer oral, câncer de pulmão, câncer de mama, câncer de ovário, câncer de pâncreas, HIV, zika vírus e outras doenças sistêmicas e orais.

O futuro do uso do fluído salivar como ferramenta diagnóstica

Nós vimos aqui que condições patológicas orais e sistêmicas são reconhecíveis no fluído salivar. O impacto clínico de biomarcadores salivares cientificamente credenciados melhorará o acesso aos cuidados, reduzindo as disparidades em saúde e afetando a saúde global.

Contudo, os resultados obtidos nestes estudos de diagnóstico salivar também podem contribuir para a descoberta de novos alvos terapêuticos, que no futuro podem ser úteis para o desenvolvimento de novas formas de tratamento que possam beneficiar nossos pacientes.

Espero que tenham gostado! Vamos em frente.

Segue referência bibliográfica, para aprofundamento no tema:

Kaczor-Urbanowicz KE, Martin Carreras-Presas C, Aro K, Tu M, Garcia-Godoy F, Wong DT (2017). Saliva diagnostics – Current views and directions. Experimental biology and medicine 242(5):459-472.

Zhang Y, Sun J, Lin C, Abemayor E, Wang MB, Wong DT (2016). The emerging landscape of salivary diagnostics. Periodontology 2000, Vol. 70, 38–52.

Autora: Dra. Débora Heller Douek, D.D.S., M.Sc., Ph.D. – Professora da Graduação e Pós-Graduação em Odontologia, na Univesidade Cruzeiro do Sul – Pesquisadora Visitante IIEP-Pesquisa Hospital Israelita Albert Einstein.

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