Odontologia do Sono

Ação e fisiologia dos dispositivos intra-orais no tratamento do ronco e da apneia obstrutiva do sono

Ação e fisiologia dos dispositivos intra-orais no tratamento do ronco e da apneia obstrutiva do sono
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Os dispositivos intra-orais utilizados no tratamento do controle do ronco e da apneia obstrutiva do sono atuam essencialmente com ação de tonificação muscular e com ação de abertura de espaço entre as estruturas orofaríngeanas (vias aéreas).

A ação de tonificação causada pelo uso do dispositivo intra-oral é exercida de forma isométrica, estática, não exercendo ação de adução e abdução nas estruturas musculares envolvidas na função respiratória, não causando, dessa forma, alteração do comprimento das fibras musculares, portanto sem causar ação deletérica à musculatura.

Como exemplo, podemos citar uma situação em que você segura um aparelho celular, leve, porém, observe seu bíceps, veja como ele fica tonificado, mas sem aumento de volume.

Sabemos que o fator causador do ronco é a vibração excessiva das estruturas moles envolvidas no processo respiratório (palato mole, úvula, paredes faríngeanas, epiglote e língua), por flacidez e pela perda da tonicidade muscular.

Ao realizar o avanço mandibular, com a individualização da quantidade de avanço mandibular, com o uso do dispositivo intra-oral, evita-se o colabamento do músculo genioglosso à parede posterior da faringe, impedindo desta forma a obstrução da passagem de ar e ao mesmo tempo evita-se a vibração das estruturas moles.

O dispositivo intra-oral ao impedir o colabamento das estruturas envolvidas na atividade respiratória, consegue dessa forma evitar que ocorra o processo de hipoxemia, extremamente danoso ao organismo.

Toda as vezes que inspiramos, absorvemos oxigênio, todas as vezes que expiramos, eliminamos gás carbônico.

O indivíduo apneico, ao ter a obstrução da passagem de ar, pela glossoptose (queda da língua), retém o gás carbônico que ora deveria ser expelido.

O gás carbônico é tóxico, e sua retenção fará com que ele retorne à circulação sanguínea provocando ação de destruição de neurônios no cérebro, inflamação das paredes de veias, artérias, vênulas e capilares, provocando a diminuição da motilidade cardiovascular, diminuição da função do bombeamento sanguíneo, diminuindo, em consequência, a oxigenação cerebral, levando o indivíduo apneico a ter o infarto do miocárdio e/ou AVC.

A odontologia do sono atua numa doença extremamente evolutiva e destrutiva.

Os médicos sabem que para realizar o tratamento de seus pacientes com problemas cardiovasculares e neurológicos, deverão investigar se há ocorrência da apnéia obstrutiva do sono, caso seja diagnosticado, só conseguirá eficácia no controle da doença se controlar a ação da apnéia obstrutiva.

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