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Elásticos são mesmo necessários na Ortodontia?

Elásticos são mesmo necessários na Ortodontia?
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Você conhece alguém que já usou algum tipo de elástico quando passou por tratamento ortodôntico? Já estudou sobre esse assunto na sua faculdade ou no seu curso de especialização?

Como você pode ver, continuarei o tema ortodontia aqui no Blog da Dental Cremer! Neste artigo especial vamos falar sobre os elásticos ou elastômeros usados em Ortodontia. Focarei principalmente nos elásticos intraorais e mostrarei um caso clínico para exemplificar o seu uso.

Vamos lá?

Uma primeira característica muito importante sobre os elásticos é a capacidade de retornar à sua forma inicial, de antes de ser distendido. Essa propriedade de estender-se de forma reversível resulta da estrutura espiralada de sua longa cadeia de polímeros.

Figura 1. Elástico em cadeia (Classe I) utilizado para fechamento de diastema entre os elementos 11 e 21.

Mas atenção! Essa capacidade de não sofrer distorções permanentes funciona apenas quando é respeitado o seu limite de elasticidade (distorção que é produzida sem a perda da elasticidade).

Existem variados tipos de elásticos que podem ser usados na Ortodontia, mas pode-se resumi-los em duas categorias: intraorais e extraorais.

Entre os intraorais existe uma grande variedade, inclusive de marcas, mas também pode-se pensar em categorizá-los em: elásticos de Classe I, Classe II e Classe III. Essa divisão é relacionada à direção (vetores de força) do uso dos elásticos e se esse é usado de modo intramaxilar ou intermaxilar; os elásticos de Classe II e Classe III são utilizados entre a maxila e a mandíbula, normalmente apoiados em bráquetes ou outro acessório ortodôntico.

Vamos conhecer melhor a aplicação dos elásticos intraorais com um caso clínico?

Este paciente chegou em meu consultório com uma queixa muito específica: havia um dente a menos na arcada superior (no caso, o elemento 22) (Figura 2). A opção de tratamento escolhida em concordância com os responsáveis pelo paciente foi o fechamento de espaços com a movimentação de todos os dentes do lado esquerdo superior no sentido anterior, a fim de finalizar o caso em Classe I de molares do lado direito, Classe II de molares do lado esquerdo, com o elemento 23 no lugar do elemento 22 e o 24 no lugar do 23.

Figura 2. Fotos iniciais intrabucais do paciente.

No meio do tratamento ficam mais evidentes as principais desvantagens do uso de elásticos, que é a cooperação necessária por parte do paciente e a necessidade de uso por longos períodos de tempo para grandes movimentações ortodônticas.

Entre as desvantagens existentes na literatura, citam-se também as relações com Disfunções Temporomandibulares (DTM) e com a reabsorção radicular, quando aplicam-se forças excessivas sobre as raízes dentárias durante o tratamento ortodôntico.

Figura 3. Foto lateral esquerda, com uso de elásticos intraorais de Classe III do lado esquerdo e Classe II do lado direito.

Próximo ao final do tratamento (Figura 4). O posicionamento dos elásticos é modificado e sua nomenclatura também muda: do lado direito nota-se um elástico vertical, para melhorar a intercuspidação do elemento 13 (com o auxílio de uma dobra de step down no arco superior). Do lado esquerdo do paciente ainda houve a necessidade de mais uso de elásticos de Classe III para melhora da oclusão.

Figura 4. Fotos intraorais, com uso de elásticos intraorais triangulares de Classe III do lado esquerdo e elástico vertical triangular do lado direito.

É possível observar que todo o movimento que ocorreu porque o paciente foi muito cooperador. Pode-se então dizer que os elásticos são instrumentos importantíssimos para que o Ortodontista alcance o sucesso de seu tratamento. Mas que o paciente precisa também ser informado de seu papel essencial para que os objetivos definidos antes de iniciar o tratamento sejam alcançados.

Abraços e até o próximo texto!

Referências:

http://pesquisa.bvsalud.org/bvsvs/resource/pt/bbo-44281

http://www.dentalpress.com.br/cms/wp-content/uploads/2009/04/v05n0106a01.pdf

 

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