Digital

Entenda mais sobre a radiologia digital e como funciona

Entenda mais sobre a radiologia digital e como funciona
Compartilhar | Comentar

Todos nós já nos demos conta de que a Odontologia passa por um momento maravilhoso com cada vez mais inovação, seja em produtos, técnicas e/ou procedimentos nas diversas especialidades. E a radiologia não fica de fora, ela acompanha o desenvolvimento tecnológico e possibilita ao profissional o acesso ao que temos de mais moderno para contribuir no diagnóstico radiográfico: a radiografia digital e todos os seus sistemas digitais.

Essa tecnologia é uma realidade já na rotina clínica das áreas da saúde e todas às demais áreas, por esse motivo, a Odontologia vem se adequando cada vez mais à era digital. Também ouvimos atualmente o termo “Odontologia Digital” na qual a radiologia está inserida.

Profissional, fique ligado para não ficar de fora de nenhuma inovação tecnológica, pois é sucesso. Então se ligue aqui comigo em alguns conceitos importantes sobre a Radiologia Digital. O assunto é extenso mas vou resumir aqui alguns pontos que julgo importantes pra vocês, afim de facilitar o entendimento!

O que é a radiologia digital e como ela funciona?

É a área do diagnóstico que produz imagens digitais formadas por sistemas computacionais. Na radiologia odontológica tanto as radiografias intraorais quanto as extraorais já se beneficiam dos sistemas digitais. Nesses sistemas computacionais a imagem formada utiliza por princípio a informação numérica, ou seja, a digital. É importante salientar que as fontes da energia provenientes da radiação X que formarão a imagem, permanecem inalteradas. Mas com a tecnologia digital a quantidade de radiação necessária para produzir uma imagem radiográfica adequada para o diagnóstico mais preciso e detalhado é menor quando comparada à uma radiografia convencional.

Os detalhes da radiografia digital

A radiografia digital não utiliza filme radiográfico e, desse modo não se utiliza dos cristais de sais de prata. Ela se utiliza, como já foi dito acima, de um sistema computacional, que consiste de um arranjo de células individuais organizadas em uma matriz de linhas e colunas.

Cada célula possui 3 numerações: 1- Coordenada x, 2-Coordenada y e 3- Valores de cinza, e é esse valor de cinza que corresponderá à intensidade de radiação absorvida naquele local durante a exposição do receptor da imagem digital. Essa célula isolada é que chamamos de pixel, que vem do inglês e significa “picture element”.

Tá, mas e aí? Aí que, cada pixel terá um valor correspondente à intensidade média dos fótons que atingiram a área irradiada. Então, os valores numéricos que estes elementos apresentarem, corresponderão ao tom de cinza e a posição na qual o pixel aparecerá no monitor do computador. Por isso, o computador utiliza o sistema binário como base para realizar todo este processo e os bits nada mais são do que os dígitos binários que formam a imagem radiográfica digital. Quando 8 bits se agrupam para formar uma unidade maior ela é denominada de byte e este apresenta 256 possíveis combinações numéricas. Consequentemente 256 tons que variam do preto ao branco.

A cada campo da matriz atribuímos um valor numérico que representa um valor de tons de cinza. Nesse processo todo, é importante lembrar que o olho humano consegue reconhecer até no máximo apenas 100 tonalidades de tons de cinza. Na Radiologia Odontológica, para fins de diagnóstico, trabalhamos com uma escala de 256 tonalidades de cinza. Sendo ao preto atribuído o valor zero (radiolúcido) e para o branco (radiopaco) o valor 255. Vale ressaltar aqui que o tamanho do pixel e a profundidade do bite são fatores importantes e determinantes na resolução espacial e no contraste da imagem final.

Quais as vantagens?

Além da possibilidade de obtenção imediata da imagem, os sistemas digitais permitem que a imagem possa ser processada, armazenada, pós-processada e depois interpretada em equipamentos de informática. Isso, com a capacidade de utilização de softwares que possuem ferramentas de ajustes e melhoramentos de imagem. Também alterações de contraste, densidade, ampliação, coloração entre outros, o que facilita o diagnóstico.

Dessa maneira, permite que outra grande vantagem desse sistema seja o armazenamento e distribuição destas imagens gerando mais facilidade e agilidade nos resultados e segurança nas informações. E para que isto seja possível, as imagens digitais seguem um padrão específico denominado DICOM: Digital Imaging and Comunications in Medicine. Em resumo, este padrão permite que as imagens e as informações associadas sejam transferidas entre equipamentos de imagem, computadores e hospitais diferentes mas com uma linguagem comum, sem perder dados e sem perder a definição. Desta maneira ele padroniza essa troca de informações. Consequentemente, isso permite com mais facilidade a comunicação dos profissionais por meio da transmissão rápida dos dados via Internet.

Uma vantagem considerável diz respeito à quantidade de radiação à qual o paciente é submetido, que é menor no sistema digital quando comparado ao convencional. Já falei no texto, mas agora explicando melhor: os receptores de imagem digital são mais sensíveis à radiação. Por isso são necessárias menores doses de exposição para obtenção de imagens com a mesma qualidade diagnóstica da radiografia convencional. O até mesmo qualidade superior, o que por sua vez contribui para a precisão e fidedignidade do diagnóstico.

Outro aspecto importantíssimo e positivo é de que esses sistemas não geram lixo (o descarte) para o meio ambiente. Materiais como o chumbo, que fazem parte da constituição dos filmes radiográficos convencionais e dos líquidos químicos presentes no processamento radiográfico (revelador e fixador).

Qual a importância e impacto da radiologia digital para o profissional e para o paciente?

As vantagens dessa tecnologia são evidentes. Mesmo ainda que o alto custo dos aparelhos e a não padronização dos computadores atrapalhem a disseminação dos mesmos nas clínica odontológicas e radiológicas. Mas é certo que os sistemas convencionais sejam substituídos pelos digitais. Esse impacto na rotina clínica é positivo, principalmente pelo oferecimento de serviços radiológicos mais rápidos, ecologicamente mais corretos, com menor dose de radiação para o paciente e com imagens radiográficas mais precisas contribuindo para o diagnóstico radiográfico.

Então pessoal, fiquem espertos, pois a radiologia já é digital e nós profissionais devemos estar abertos à essa inovação e acompanhar esse desenvolvimento tecnológico. Claro, sempre pensando com ética e responsabilidade qual a melhor conduta a ser tomada, para o nosso bem e para o bem do nosso paciente!

Até o próximo artigo!

Referências bibliográficas:

WHITE & PHAROAH. Radiologia Oral. Princípios e Interpretação. 7ª ed.
EDUARDO CASAROTTO DE SOUZA. Radiologia Digital na Clínica Oodntológica. [Dissertação]. Porto Alegre (Rio Grande do Sul): UFRGs. 35p. 2011.
HAITER NETO, F,; MELO. D.O. Radiologia digital. Revista da ABRO, 11(1):5-17, 2010.
SANNOMYA, E. K. Qual a diferença entre uma radiografia convencional e uma radiografia digital? Ver. Clin. Ortodo. Dental Press, Maringá, V.8, n.5; Out/Nov. 2009.
ALMEIDA, S. M. de; BÓSCOLO, F. N.; HAITER-NETO, F.; SANTOS. J. C. B.; Avaliação de três métodos radiográficos (periapical convencional, periapical digital e panorâmico) no diagnóstico de lesões apicais produzidas artificialmente. Pesqui Odontol Brás, v.15, n.1, p.56-63, jan./mar., 2001.

Autora: Professora Drª Maria Beatriz Carrazzone Cal Alonso – criadora do canal @radioacao_odonto
– Graduada FORP-USP;
– Especialização em Radiologia Odontológica FOP-UNICAMP;
– Mestrado em Radiologia Odontológica FOP-UNICAMP;
– Doutorado em Radiologia Odontológica FOP-UNICAMP;
– MBA em Gestão Educacional ESALQ-USP;
– Professora Associada dos Cursos de Graduação e Pós-Graduação UNILAGO- São José do Rio Preto/SP;
– Professora do Curso de Tecnólogo em Radiologia UNILAGO;
– Coordenadora do Curso de Odontologia UNILAGO;
– Professora Convidada do Curso de Especialização em Radiologia AORP-Ribeirão Preto/SP;
– Radiologista nas Empresas DVI e BRLaudos;
– Tem experiência em: radiologia e imaginologia odontológica, diagnóstico por imagem, tomografia computadorizada por feixe cônico (Cone Beam), radiografia panorâmica, anatomia, análises radiomorfométricas, qualidade óssea maxilomandibular e correlação com doenças sistêmicas e osteoporose mandibular.

Gostou do artigo e quer receber mais conteúdo como esse na sua caixa de entrada? Coloque seu email aqui embaixo que do resto a gente cuida.