Odontopediatria

Erosão dentária em crianças: conheça as possíveis causas

Erosão dentária em crianças: conheça as possíveis causas
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Desde o início dos anos 90, houve um aumento significativo na prevalência de erosão dentária. Este fato foi observado em crianças e adolescentes de diversos países, mudando a percepção da importância para a prática clínica e para pesquisas.

Atualmente, alguns estudos vêm demonstrando um aumento da sua frequência em crianças. Isso acontece porque houve também uma mudança no padrão de consumo de bebidas ingeridas por elas. Sucos de frutas e refrigerantes são cada vez mais frequentes. Os de laranja e uva, por exemplo, estão entre os preferidos pelas crianças e geralmente são vistos como opções saudáveis pelos pais.

No entanto, o seu consumo frequente traz riscos não só pela quantidade de açúcar (principalmente no caso dos sucos artificiais), que predispõe ao aparecimento da cárie. Mas, também pela sua acidez, que pode levar a erosão dentária. O mesmo pode ser dito dos refrigerantes, que são ainda mais ácidos.

Desgaste dentário

Existem três tipos principais de desgaste dentário, que também são conhecidos como lesões não-cariosas:

  • Abrasão;
  • Atrição;
  • Erosão.

É importante dizer que ambos ocorrem simultaneamente na cavidade oral. Portanto, é difícil identificar uma lesão não-cariosa como sendo uma delas em específico.

Um exemplo prático para entenderem melhor: uma criança toma suco de laranja, os seus dentes poderão sofrer erosão pela bebida ácida, mas também estão sujeitos à abrasão pela movimentação de língua e das bochechas durante o ato da deglutição. E, se essa criança se alimentar, seus dentes poderão sofrer atrição durante a mastigação.

Apesar dos três tipos de desgaste ocorrerem simultaneamente, é possível determinar o fenômeno predominante em cada paciente em específico. O dentista deve se ater nas características clínicas das lesões e nos dados sobre os fatores etiológicos baseados na anamnese do paciente.

Abrasão

Clinicamente observamos um desgaste localizado na região onde o objeto/tecido mole entra em contato com os dentes, normalmente na cervical das coroas, a lesão é mais profunda que larga, e o tipo de desgaste é mecânico. A etiologia se deve à escovação com forca excessiva, onicofagia (ato de roer as unhas), palitar os dentes e em tocadores de instrumentos de sopro.

Atrição

Um exemplo claro é o bruxismo. Clinicamente vemos desgaste generalizado nos elementos dentários de forma horizontal, tento o mesmo desgaste no esmalte e na dentina, e as lesões de dentes antagonistas se encaixam quando o paciente oclui.

Erosão

É um tipo de desgaste químico, onde a etiologia se dá por um ataque ácido. Podemos citar como exemplos: o refluxo gastroesofágico crônico, e consumo excessivo de refrigerantes e sucos. Clinicamente há uma superfície excessivamente lisa e brilhante, formação de concavidades nas superfícies oclusais, também conhecidas como “cuppings” sendo mais largas que profundas, e observamos também arredondamentos das cúspides.

Erosão dentária como doença multifatorial

A partir de estudos recentes, conclui-se que a erosão dental é uma doença multifatorial, podendo possuir etiologia intrínseca ou extrínseca, intimamente associada ao comportamento do paciente.

O fator etiológico intrínseco da erosão dentária é o ácido gástrico, que é levado a cavidade oral quando ocorre o refluxo gastresofágico, regurgitação ou vômito, e assim entra em contato com os dentes. O ácido gástrico é composto por ácido hidroclorídrico, produzido pelas células parietais do estomago e possui pH 1,0. Por esse motivo, a destruição do tecido dental é mais severa do que em casos de erosão por fatores extrínsecos.

Já os fatores etiológicos extrínsecos são constituídos por soluções ácidas provenientes de diversas fontes como: ácidos de alimentos e bebidas, medicamentos de uso crônico, produtos de higiene oral e drogas ilícitas. Sucos cítricos (sendo naturais ou artificiais), refrigerantes, isotônicos e líquidos fermentáveis podem ter o pH ácido e causar erosão dentária quando ingeridos com frequência.

Outros fatores importantes a serem citados sãos os ligados ao paciente, como por exemplo, a saliva. Portanto, uma atenção deve ser dada aos indivíduos com alterações de fluxo salivar ou composição salivar, como crianças com alterações sistêmicas e/ou uso crônico de medicamentos que causam xerostomia.

A melhor medida para prevenção contra a erosão dentária é a identificação e eliminação das fontes dos ácidos, e a diminuição de exposição dos dentes às substâncias. O dentista deve analisar cuidadosamente a dieta, histórico médico e hábitos do paciente, para orientá-lo da melhor maneira, no intuito de prevenir ou minimizar o problema.

Podemos dar algumas dicas aos nossos pacientes com intuito de prevenção: utilizar canudos para ingerir as bebidas ácidas, não escovar os dentes logo após vomitar ou ingerir bebidas ácidas, fazendo bochechos com água ou soluções remineralizastes após a ingestão dessas substâncias.

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