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Escaneamento intraoral e software de manipulação: como eles interferem no arquivo final?

Escaneamento intraoral e software de manipulação: como eles interferem no arquivo final?
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Por Cristiane Barros André: Um dos grandes desafios do fluxo digital é conseguir trabalhar os arquivos STL, originados no escaneamento intraoral. Tanto o processo do escaneamento, quanto a manipulação dos arquivos pelo laboratório, exigem atenção para que não haja interferências no arquivo final. A preservação da originalidade desse arquivo é importante, pois define o quão bem adaptado o dispositivo intraoral estará.

Ao realizar um escaneamento, é muito importante capturar a imagem tanto do tecido mole quanto dos dentes, seja por palatino ou por vestibular, assim como fazemos com uma moldagem convencional. Pois esse processo define os limites, possibilita biomecânicas e evita corrompimento das imagens dos tecidos.

É muito comum receber arquivos no qual a vestibular do tecido mole não foi capturada (figura 01). Nestes casos, o trabalho e o risco de perda é maior, pois é preciso reconstruir este arquivo com o uso do software e deixá-lo plano e pronto para impressão (figura 02).

Mas porque isso é tão importante?

A resposta é simples. Ao manipular excessivamente um arquivo, alteramos suas configurações, mesmo contando com profissionais experientes em manipulação de softwares, já que a falta de conhecimento nessa etapa certamente tornaria esse processo desastroso. Essa manipulação prejudica a qualidade do arquivo, que pode ao final, depois de tantas alterações, não ser mais fiel à sua forma original.

Para confirmar essa possibilidade, realizamos um teste com a sobreposição de algumas imagens de STL original, com o arquivo preparado no software Autodesk Meshmixer. Para garantir a confiabilidade desta sobreposição, utilizamos o software Ortho Analyzer da 3Shape, por sua precisão.

A sobreposição é ilustrada com um gráfico em cores, nos possibilitando ver quanto o arquivo foi alterado e em quais regiões (Figura 03). Assim, fica claro, através dos tons mais escuros, em quais regiões houve maior manipulação. Mas o que mais chama a atenção é que em uma sobreposição passiva, a imagem deveria aparecer toda branca, porém é nítido que o arquivo tem boa quantidade, inclusive de dentes, em tons claros, mas não brancos. Isso confirma que a manipulação em excesso, devido à falta de captura de imagens, que influencia diretamente a adaptação de um dispositivo.

Na arcada superior, esse trabalho se torna mais desafiador. Para o fechamento correto do arquivo, dependo do tipo de dispositivo, é preciso estendê-lo até a altura do palato para a impressão.

A figura 04 mostra a falta de captura de imagens na face vestibular e a figura 05 mostra o fechamento do arquivo.

Na sobreposição, podemos observar que, devido a grande altura necessária para o fechamento do arquivo, os tons se alteraram mais que na arcada inferior (Figura 06).

Em nossa prática, como laboratório de prótese dedicado à ortodontia, observamos que alguns dispositivos não apresentam problemas de adaptação. Porém em dispositivos maciços, como placa de bruxismo ou de apnéia, por exemplo, esta mudança pode influenciar na adaptação do aparelho ou até mesmo impedir que esta ocorra.

Com isso, fica evidente a importância de capturarmos as imagens em quantidade suficiente, tanto de tecido mole quanto dos dentes. Assim, podemos trabalhar com a menor quantidade de alteração da imagem possível e, claro, contar com profissionais experientes em manipulação de arquivos, pois isso fará total diferença no resultado final do trabalho.

Veja no passo a passo

É essencial que tanto o processo de de escaneamento quanto de manipulação dos arquivos pelo laboratório sejam bem realizados, pois eles definem a boa ou má adaptação de um dispositivo intraoral.

Autora: Cristiane Barros André (Kika) – Graduada em Radiologia Médica; Mestranda em Ciências e Tecnologia da Saúde; Programa de Pesquisa da Pós-graduação em Odontologia  da UNIARARAS; CEO na empresa Kika Ortodontia.

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