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Implante na área estética: uma estratégia de tratamento passo a passo

Implante na área estética: uma estratégia de tratamento passo a passo
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Visão geral

O termo “estética” é, com frequência, usado em demasia. Na Odontologia, inúmeros livros e diversas diretrizes foram publicados sobre esse tópico.

No contexto da terapia de implantes, logo se torna claro que a chave para uma estética ideal é um perfil de tecido mole harmonioso (assumindo uma situação clínica de outra maneira saudável). A harmonia é aquilo que é belo e esteticamente agradável aos olhos de quem vê. Não é possível alcançar a harmonia essencial absoluta na forma do dente sem um perfil harmonioso do tecido mole. A qualidade do tecido e a qualidade da coroa clínica também são fatores críticos porque eles são, idealmente, visíveis. Portanto, o foco principal do trabalho do dentista é estabelecer a harmonia dos tecidos moles.

Se esta condição não for cumprida, será impossível para o protético fabricar uma coroa que se encaixa harmoniosamente com as gengivas e os dentes adjacentes. Um déficit de tecido pode ser muito difícil ou impossível de corrigir após a conclusão do tratamento, especialmente no caso de terapia com implantes. Se determinados procedimentos de tratamento não forem realizados em uma sequência significativa, é difícil alcançar o resultado desejado ou obter alta previsibilidade.

Como descrito na introdução, os déficits teciduais encontrados na Implantodontia geralmente ocorrem como resultado da perda dentária. Assim, o restabelecimento de volume ósseo e de tecido mole representa um elemento chave na terapia com implantes dentários (Fig. 2.1).

O que significa “estética”?

O termo “estética”, como usado em Odontologia, significa nada mais do que “inspirado na natureza”, desde que a natureza tenha criado algo que combina com a pessoa em questão. Só aquilo que está adequado ao paciente por sua aparência e características individuais, pode ser estético e harmonioso. Por esta definição, a substituição de um dente de um paciente que fuma 80 cigarros por dia deve ser concebida de forma diferente daquela planejada para um paciente com belos dentes brancos sem cárie.

Uma prótese dental que reflete o caráter e os hábitos de um fumante mais antigo pode, por todos os meios, ser vista como um resultado estético ideal (Fig. 2.2). Quando inserido, o dente substituto deve se encaixar harmoniosamente com os dentes naturais da dentição remanescente. É geralmente mais difícil de alcançar este objetivo quando da substituição de um único dente em comparação com múltiplos dentes, devido à comparação direta com os dentes naturais imediatamente adjacentes (Fig. 2.3).

Se houver um grande espaço edêntulo, um resultado harmonioso ainda pode ser conseguido, por exemplo, se uma perda extensiva de papilas estiver presente, mas estiver simetricamente distribuída em ambos os lados (Fig. 2.4).

Torna-se claro, de forma relativamente rápida, que os tratamentos dentários têm os seus limites, especialmente do ponto de vista estético. O tecido em torno de dentes naturais perdidos, por exemplo, em virtude da perda de inserção (que frequentemente ocorre como uma complicação da doença periodontal inflamatória), não pode ser regenerado na maioria dos casos. Em alguns casos, isso pode ser aceito como uma característica individual do paciente. Por outro lado, muitos pacientes com dentes longos e papilas ausentes, que aparecem como “triângulos negros,” não acham isso atraente.

No entanto (como já foi mencionado acima, mas é muitas vezes esquecido na prática clínica), nem todos os problemas podem ser tratados e nem todos os desejos do paciente cumpridos ou, se puderem, apenas por meios que talvez não atendam à aprovação prévia do paciente. A perda de inserção periodontal é um exemplo clássico, onde a perda de inserção resulta na aparência das coroas clínicas longas e, em alguns casos, papilas ausentes. Uma máscara gengival removível pode satisfazer o desejo de alguns pacientes para estética nestes casos. No entanto, o paciente deve estar disposto a aceitar a desvantagem de que a restauração terá uma parte removível (Fig. 2.5).

 Embora a aparência estética de uma restauração não seja julgada por critérios objetivos exclusivamente, porque as preferências e percepções de estética dos pacientes variam, existem algumas orientações estéticas que têm de ser seguidas para imitar o que a natureza produz quando se cria uma aparência dental harmoniosa. Schärer et al.1, publicaram um checklist de estética para próteses fixas em 1980. Embora a versão original seja frequentemente copiada e modificada desde então, ainda é válida atualmente (Fig. 2.6).

Estas orientações estéticas para Odontologia Restauradora fornecem normas para garantir que o tecido mole e as coroas clínicas estejam em harmonia com a restauração. Sem entrar em detalhes, é suficiente dizer que estes critérios são bem conhecidos. Mesmo em pacientes com situações que se apresentem desagradáveis, um resultado final muito harmonioso pode ser alcançado seguindo essas diretrizes. Com esta abordagem, rapidamente se torna evidente que a criação de um perfil de tecido mole harmonioso (“estética rosa”) é a chave primária para o sucesso, seguido pela restauração com a forma do dente harmoniosa.

Resultados a longo prazo

O verdadeiro sucesso ou falha de um tratamento só pode ser determinado depois de vários anos. Do ponto de vista do paciente, os resultados a longo prazo são tão importantes quanto os resultados imediatos obtidos no final do tratamento. Um resultado estético ideal deve permanecer intacto por muitos anos.

 Nos primeiros anos de terapia com implantes, não havia conhecimento sobre os requisitos necessários para o sucesso primário. Muito sobre a taxa de osseointegração de implantes dentários já era conhecido na década de 1980. Informações sobre as taxas de sobrevivência a longo prazo e fatores de risco para falha de implante estavam disponíveis. Em contraste, não havia dados reais sobre os aspectos estéticos da Implantodontia até o final de 1980 para início de 1990. Havia uma grande quantidade de sorte envolvida em muitos casos, que são classificados como sucesso após mais de 25 anos de acompanhamento (Fig. 2.7). Grande parte do conhecimento e da experiência que temos hoje não estavam disponíveis naquela época.

Como sempre na vida, aprender com o fracasso é a maneira mais rápida para aprender, assumindo que ocorra uma análise crítica dos resultados. Ao longo do tempo, tornou-se claro que a extração traumática de dentes pode resultar em perda de tecido mole. A experiência mostra quais os tipos de incisões não devem ser utilizados, quais as consequências que uma colocação imprópria de implante poderia ter e qual a técnica de aumento de tecido não produziu os resultados desejados. Com o tempo, também se tornou evidente quais materiais não conseguiram alcançar os resultados desejados e o que poderia dar errado ao projetar e fabricar a supraestrutura, em termos de técnica, bem como da escolha de materiais. É também importante recordar que alterações ocorrem na boca do paciente durante o decorrer do tempo, não necessariamente patológicas em sua natureza. Dois exemplos são a mudança na cor do dente e a recessão natural de tecido mole que ocorrem mesmo em torno de dentes saudáveis (Fig. 2.8). Atualmente, dentro de certa medida, estas alterações previsíveis podem ser levadas em consideração.

Resumo

Se o dentista persegue o objetivo de criar restaurações dentárias inspiradas pela natureza, geralmente um resultado estético agradável será alcançado. Em última análise, as diretrizes ideais amplamente publicadas para a estética dentária são apenas o resultado de uma análise cuidadosa do sorriso usando imagens dos dentes naturais saudáveis que nós, subjetivamente, gostamos ou consideramos atraentes. No entanto, as condições variam de um indivíduo para outro. Portanto, estas noções idealizadas devem ser adaptadas à situação individual, de modo a produzir uma imagem que combine com o paciente; em outras palavras, um resultado estético perfeito.

Referências

  1. Schärer P, Rinn LA, Kopp FR. Ästhetische Richtlinien für die rekonstruktive Zahnheilkunde. Berlin: Quintessenz, 1980.

Autor: Ueli Grunder.

Fonte: Livro Implante Na Área Estética: Uma estratégia de tratamento passo a passo.

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