Casos Clínicos

Laminados Cerâmicos – Os 5Ws: Mock-up

Laminados Cerâmicos – Os 5Ws: Mock-up
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O Caso Clínico de hoje foi extraído do livro “Os 5Ws”, onde os autores citam a importância de um bom mock-up em um tratamento de Laminados Cerâmicos.

A importância da previsibilidade do tratamento

Planejamento estético somente estará completo quando testes intraorais forem feitos para garantir o máximo de previsibilidade. Para esta simulação prévia do resultado final, várias técnicas têm sido sugeridas e, tradicionalmente, o enceramento diagnóstico é visualizado pelo paciente nos modelos de gesso. Entretanto, nesta situação existe uma completa desconsideração dos tecidos moles (lábios e periodonto) em posição estática e dinâmica, em outras palavras: não se sabe qual a relação dos futuros “dentes” com a arquitetura gengival atual (margens gengivais e papilas interdentais) e com a posição dos lábios entreabertos, sorrindo ou pronunciando fonemas importantes como “f”, “v”, “m”, “s”.

Sendo assim, é fundamental que se transfira o planejamento executado no gesso para a boca do paciente, permitindo as avaliações acima, além de esclarecer possíveis correções funcionais (guias de desoclusão). A técnica do mock-up, ou restaurações teste, pode ser usada para este fim com grande sucesso. Nesta técnica, restaurações provisórias são feitas diretamente na boca do paciente pelo uso de uma resina bisacrílica (exemplos comerciais: Protemp IV 3M; Structur 2 ou 3 Voco; Luxatemp DMG) e moldes de silicone baseados no enceramento previamente realizado.

As vantagens do mock-up

  • Aumento de previsibilidade do tratamento;
  • Possibilita ajustes prévios;
  • Julgamento do paciente;
  • Testes fonéticos e funcionais;
  • Melhora a comunicação com o protético e demais membros da equipe de trabalho;
  • Facilita a aprovação familiar e pode ser usado, com cautela, como provisório;
  • Possibilidade de uso como guia cirúrgico periodontal.

Caso clínico

As figuras 01 A-G a 22 A-C descrevem a técnica de confecção do mock-up com resina bisacrílica. Além da opção descrita acima, é possível que se faça a simulação prévia com o uso de restaurações em resina composta feitas diretamente na boca, sem tratamento adesivo, com restaurações provisórias em resina acrílica e até mesmo com o uso de simulações digitais em softwares. Entretanto, Reshad et al. relatam que a avaliação tridimensional possibilitada pela técnica do mock-up supera e complementa todas as demais técnicas. É importante salientar as limitações ou dificuldades desta técnica.

  1. Em casos em que o enceramento foi regressivo, ou seja, o protético precisou desgastar o modelo de gesso para acrescentar cera, visto que no planejamento não havia possibilidade de se fazer apenas enceramento progressivo (puro acréscimo de cera), o molde de silicone terá dificuldade de ser inserido nos dentes ainda não preparados, podendo resultar em um mock-up inadequado ou com falhas;
  2. As resinas bisacrílicas são opacas e injetadas em uma única cor, tendo características estéticas limitadas;
  3. A resina bisacrílica é friável, embora resistente, e em espessuras finas quebra facilmente;
  4. O reembasamento é possível, embora difícil, e pode ser feito com resina fotopolimerizável flow ou convencional;
  5. Caso seja usada como provisório, idealmente deve-se deixar os dentes unidos para evitar fratura constante. O paciente deve ser orientado a usar digluconato de clorexidina a 0,2%, 3x ao dia, 30 minutos após ter escovados os dentes, nos espaços interdentais, para evitar inflamação gengival (aplicar com algodão ou cotonete apenas no local em que os provisórios estão instalados, entre os dentes).

Cuidados sugeridos

Deste modo, os seguintes cuidados são sugeridos de modo a aumentar as chances de sucesso durante a realização destas técnicas:

  1. Realizar o molde de silicone idealmente 24 horas antes, para que o silicone esteja totalmente polimerizado e não ataque a superfície da resina bisacrílica deixando-a mais áspera;
  2. Moldes devem ser espessos na vestibular para evitar distorções;
  3. Preferir silicones pesados mais rígidos;
  4. Hidratar os modelos por 5 min, evitando que os silicones grudem no modelo de gesso;
  5. Dispensar o primeiro jato da seringa de automistura, visto que a mistura inicial pode não ser perfeita e a resina não polimerizará adequadamente;
  6. Injetar, preenchendo continuamente o molde, evitando gerar bolhas;
  7. Manter molde em posição sem pressionar.

Autor: Rodrigo B Fonseca e colaboradores.

Fonte: Livro Laminados Cerâmicos: Os 5Ws.

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