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Lesões Cervicais não Cariosas: conheça as principais e como prevenir

Lesões Cervicais não Cariosas: conheça as principais e como prevenir
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Seus pacientes se queixam com frequência de sensibilidade e ao exame clínico você não nota qualquer causa aparente?

A anamnese é ferramenta fundamental para diagnosticar estes casos, que em grande parte são classificados como Lesões Cervicais não Cariosas, ou seja, que não apresentam tecido cariado e, por muitas vezes, não há cavidade. Contudo, vários fatores estão envolvidos para que ocorra esse tipo de lesão.

Três grandes grupos podem ser definidos como os principais, são eles: Tensão, Fricção e Biocorrosão.

Tensão – amplamente conhecida como Abfração

Foto: Divulgação ProdentalClinica

A tensão envolve dois fatores:

  • Endógenos (parafunção e desgaste);
  • Exógenos (mastigação, ocupações e próteses odontológicas): pode ser do tipo estática ou fadiga (cíclica).

Fricção

Foto: Divulgação

Na fricção, que é o desgaste, também visualizamos parafunção e deglutição, que são os fatores endógenos por atrição. E aqui podemos citar a mastigação e a ação da língua como endógenos por abrasão. Neste grupo também se encaixam a higiene dental, hábitos, ocupações e próteses odontológicas como fatores abrasivos exógenos. A erosão por movimentação de líquidos na cavidade bucal leva ao desgaste por fricção, sendo mais um componente causados das LCNC.

Biocorrosão

Foto: Divulgação GazetaInterior

O fator decisivo para o aparecimento destas lesões – e muitas vezes desconhecido pela falta de uma boa anamnese – é a biocorrosão. Onde entram dietas com alimentação ricas em ácido, placa bacteriana e doenças gástricas que interferem diretamente na boca.

Os indivíduos mais afetados por estas condições normalmente estão na faixa etária entre 19 e 25 anos, entretanto, são pacientes que já fizeram o uso de aparelho (pós-ortodontia) em 45% dos casos.

O formato da lesão nos diz muito mais do que a profundidade da mesma, e tem uma forte relação com traumas que estes dentes sofrem. Os pacientes que mais devemos estar atentos são os que apresentam apertamento dental, que geralmente não buscam ajuda de um profissional. Já os que apresentam bruxismo são mais frequentes no dia a dia, e assim conseguimos diagnosticá-los. O fato de o paciente relatar a hipersensibilidade dentária não pode ser deixado de lado, porque com certeza irá evoluir para uma LCNC se não diagnosticado e tratado da maneira correta.

O clareamento dental é outro fator importante e decisivo para o relato ou aparecimento destas lesões, e deve ser conduzido de maneira segura pelo CD. Neste, o gel clareador não deve ocupar o último milímetro cervical dos dentes, pois nesta área é a dentina que está exposta, não o esmalte, e como sabemos, só o esmalte dental clareia.

Dos pacientes que relatam hipersensibilidade, 3 em cada 4 são encontrados em dentina ao exame clínico, e não em esmalte.

Principais grupos de risco das LCNC

  • Pós-ortodônticos: entram neste grupo os pacientes que após usar aparelho ortodôntico ainda realizam clareamento dental.
  • Pacientes que apresentam apertamento dental: onde verificamos apenas lesões isoladas.
  • Pacientes que sofrem de refluxo gastroesofágico.
  • Atletas que tem dieta rica em ácidos, pois ficam expostos na cavidade bucal e realizam muito apertamento dental devido à fadiga dos exercícios.
  • Dependentes químicos que tem o pH da cavidade bucal modificado em decorrência do uso de substâncias químicas.

6 estratégias simples para a prevenção das Lesões Cervicais não Cariosas

1 Relatório da dieta do paciente para observar se contém alimentos com ácido.

2 Perguntar sobre a escovação dental para analisar se está ocorrendo logo após o consumo de alimentos ácidos.

3 Verificar se o paciente apresenta apertamento dental.

4 Inteirar-se do histórico de doenças gástricas.

5 Para atletas indicar o uso de protetores bucais durante as atividades.

6 Avaliar os contatos oclusais principalmente em pacientes que passaram por tratamento ortodôntico.

Visto que já sabemos como previnir e diagnosticar, as LCNC não vão passar despercebidas pelos nossos consultórios, certo?

Autora: Dra. Ana Luiza Cardoso – Cirurgiã-dentista formada na FURB; Especializanda em Prótese e Dentística na UTP; Capacitação em endodontia mecanizada no IOA; Capacitação em Toxina Botulínica e Preenchimento Facial na Zenith.

Instagram @dra.anacardoso

Facebook Dra. Ana Cardoso

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