Veja a entrevista do dentista e técnico que mudou o futebol da Islândia

Veja a entrevista do dentista e técnico que mudou o futebol da Islândia
Compartilhar | Comentar

Heimir Hallgrimsson, dentista e técnico da seleção da Islândia, vai estrear na Copa do Mundo, que acontece na próxima semana, contra a Argentina, em Moscou. Heimir nasceu e iniciou sua carreira de técnico no arquipélago de Vestmannaeyjar, localizado no pequeno país de 330 mil habitantes – o menor a disputar a Copa em toda a história. Mas ele não abandonou as raízes, pois ainda tem uma casa na ilha e o consultório onde trabalhava.

Antes da Copa, Heimir foi auxiliar-técnico da Islândia ao lado do treinador sueco Lars Lagerback, na Euro, em 2016. Juntos, viram seu time avançar na competição e serem reconhecidos como a revelação daquele ano. Eliminaram a Inglaterra nas oitavas e foram eliminados nas quartas pela França. Com a saída de Lars, Heimir aceitou o desafio de comandar a equipe, conseguindo a classificação da Islândia para o Mundial.

O dentista sabe que não será fácil a primeira etapa, o grupo D conta com: Nigéria, Croácia e Argentina. Mas Heimir encara toda a situação com otimismo e realismo. “Todos estão realmente otimistas. Todos estão achando que as coisas irão bem e é bom que todos conheçam a Islândia. Se fizermos bom jogos, tivermos boas performances ficaremos felizes. Porém sabemos que estamos num grupo muito difícil, vamos até o nosso limite”, revela.

Em entrevista para o globoesporte.com, ele conta como a odontologia o ajudou na carreira de treinador, como futebol entrou na sua vida, o que espera da Copa do Mundo, o futebol no Brasil, entre outras. “Esse time da Islândia tem que ter uma identidade. Não queremos fazer as mesmas coisas que todos fazem”, ele diz.

Confira!

Globo Esporte: Vamos começar do começo. Você, o cara do futebol da Islândia. Como a está sua vida na Islândia nesse momento?

Heimir Hallgrimsson: É humilde, como nossa pequena comunidade. Especialmente numa ilha onde a liberdade é 100%. As crianças podem sair para brincar de manhã e voltar as sete horas da noite sem seus pais se preocuparem. Você pode ir à casa dos seus amigos. A liberdade total faz você valorizar a vida e isso provavelmente é o mais valioso numa comunidade como a nossa. Sem crimes, com todas as casas abertas. Não conte isso a ninguém. Você pode ir andando para casa, você pode ver seus vizinhos de carro, se quiser ir rápido. A liberdade e a confiança que as pessoas tem umas nas outras outros é maravilhoso em lugares como esse.

G.E.: Como é o futebol na sua vida?

H.H.: O futebol é o esporte mais popular da Islândia. Meu irmão foi capitão de vários times. Provavelmente é igual ao Brasil, jogamos futebol o dia todo. Foi desse jeito que o futebol se tornou a coisa mais importante na minha vida.

G.E.: Você tinha TV nessa época? Você conseguia ver partidas de futebol, jogos da Copa do Mundo, o Brasil? O que significava para você?

H.H.: Claro. Nós víamos futebol, quando éramos criança. A gente via jogos aos sábados, os jogos que tinham passado na semana passada na Inglaterra. Nós sabíamos o resultado. Eu lembro de um jogo da Inglaterra, no começo da televisão.

G.E.: Como foi esse começo jogando, treinando, ainda aqui na ilha, primeiro com times femininos?

H.H.: Fui treinador durante 17 anos de categoria de base e enquanto estudava também treinava categoria iniciais. Também fui treinador, quando ainda jogava. É minha paixão. Eu amo ser treinador.

G.E.: Você gosta mais de treinar ou de jogar? Como é?

H.H.: Os dois, os dois. Eu realmente amei o tempo que treinei times juvenis. Os jogos em nível de seleções trazem mais responsabilidades. Eu treinei times adultos femininos por cinco anos muito bem. Depois disso, me chamaram para treinar futebol masculino, depois de cinco anos muito bons. Fui pegando mais responsabilidades e grandes desafios, primeiro fui assistente da seleção, depois tentei ser treinador da seleção e agora sou o treinador. Eu não tenho certeza, se é uma grande tarefa ir com sua seleção ir para uma Copa do Mundo.

G.E.: Você pensava que conseguiria chegar a esse feito, que isso poderia acontecer com você?

H.H.: Eu não fico pensando sobre algo a mais. Se eu estou trabalhando aqui, eu fico pensando em o que fazer aqui. Eu sou apaixonado no meu trabalho. Se eu estou aqui vou ficar 100% focado no que estou fazendo e é estranho, porque o futebol na Islândia não é um esporte profissional, é um esporte amador e normalmente o treinador tem um emprego a mais. Para ser honesto ser dentista é melhor ou mais bem pago do que ser treinador de futebol na Islândia. Minha família me perguntava, porque eu quereria ser treinador, se ficar na clínica daria mais dinheiro. Mas sempre foi minha paixão, quando eu tive a oportunidade de ser treinador em tempo integral eu topei.

G.E.: Tem algo que você aprendeu durante o estudo de dentista que pode ser usado para a carreira de treinador?

H.H.: Claro, a gente faz seis anos de faculdade e aprende sobre várias coisas. Sobre o corpo, sobre medicamentos. Você estuda com doutores por três anos, você acumula uma bagagem com isso. Penso que a experiência trabalhando como dentista foi a que mais me ajudou. Como dentista você tem diferentes pessoas em sua cadeira. Muitas com medo, muitas relaxadas, tensas. Você tem que atender a pessoa que está ali na cadeira do dentista. A mesma coisa com os jogadores de futebol, você tem jogadores diferentes. Todo mundo é diferente, todo mundo tem caraterísticas diferentes, você sempre tem que encontrar uma forma adequada para falar com a pessoa que você está tentando ajudar. Então, eu penso que essa experiência é a que mais me acrescentou sendo dentista.

Continue lendo a matéria…

Fonte: SporTV.globo

Gostou do artigo e quer receber mais conteúdo como esse na sua caixa de entrada? Coloque seu email aqui embaixo que do resto a gente cuida.