Halitose

O papel dos monitores portáteis no diagnóstico da halitose

O papel dos monitores portáteis no diagnóstico da halitose
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Já estamos em pleno 2018 e ainda hoje há profissionais da saúde, além de grande parte da população, que acreditam que a halitose só advém do estômago e da má higiene bucal. Essa crença aumenta o consumo de produtos usados na higiene e a realização excessiva de exames como a endoscopia. Posso dizer que, até certo ponto, isso é “normal”, já que pouco aprendemos sobre hálito e disfunções salivares na graduação.

Se já chegássemos ao final do curso mais embasados seria uma maravilha, mas se não é assim precisamos recorrer a cursos, livros e artigos científicos. Quem sabe assim muitos saberiam qual o papel da saliva, do equilíbrio do microbioma bucal, da dieta e de muitos outros fatores no hálito, que na maioria das vezes não está alterado por causa da higiene bucal ou do pobre do estômago.

Mas se você já conhece tudo isso, o próximo passo é saber sobre os aparelhos que fazem o diagnóstico. Será que você deve investir nesses equipamentos?

Diagnóstico por aparelho

O exame que quantifica os compostos sulfurados voláteis (CSVs) se chama halitometria. Ele nos dá números e, com um determinado aparelho, consegue diferenciar os três gases mais comuns da halitose. Isso é muito bom porque em alguns casos de halitose subclínica (halitose percebida pela própria pessoa) podemos deixar o paciente acompanhar a evolução do tratamento por meio de números. Isso facilita o entendimento mediante a queixa da percepção sensorial do paciente.

Aparelhos mostram o local de formação?

Sabe aquela fórmula mágica que muitos acreditam existir? Algo do tipo: “se o aparelho me mostrou o tal número, ‘tá’ fácil!” Não se engane, pois não está não! Saber qual o composto sulforado está predominante não te diz “aqui está o problema”. Tudo bem que quem é qualificado no diagnóstico e tratamento da halitose sabe sim em qual parte do organismo pode estar ocorrendo a formação do CSV. Mas infelizmente a fórmula apresentada com laudo e tratamento “fixo” pode não dar os resultados que o paciente espera quando busca pelo tratamento. E pedir que ele se submeta a halitometria de nada vai adiantar se você não sabe reconhecer e tratar a halitose. Seria como se você resolvesse dirigir um carro sem antes aprender a guiar e sem estudar placas e sinais de trânsito.

O aparelho é acessível?

Infelizmente para muitos cirurgiões-dentistas esse aparelho não é acessível, até mesmo porque nenhum desse tipo de equipamento é produzido no Brasil.

O exame organoléptico

Esse nome desconhecido tem o seguinte significado: substância capaz de imprimir sensações aos órgãos do sentido, tal qual o olfato. O nosso próprio olfato é que qualifica melhor o hálito dos pacientes. E não só o do cirurgião-dentista, mas também o do auxiliar de saúde bucal, que é treinado para isso. Temos uma classificação para o exame organoléptico, ao contrário da halitometria que tem valores referenciais. Sendo assim, os aparelhos aferidores do hálito complementam, mas não substituem as células do nosso epitélio olfatório.

O organoléptico transmite doenças?

Não se sabe até o momento de algum profissional que tenha se infectado enquanto realiza o exame. A contaminação cruzada se dará apenas com perdigotos (gotículas de saliva). Entretanto, o paciente recebe orientação para deglutir a saliva antes das diferentes avaliações organolépticas.

Enfim, caso você, cirurgião-dentista, queira se qualificar no diagnóstico e tratamento da halitose, o investimento em materiais para diagnóstico da halitose é considerado baixo, sendo que os monitores são equipamentos dispensáveis para o fim a que se destina.

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