Odontologia do Esporte

Odontologia do esporte e as categorias de base

Odontologia do esporte e as categorias de base
Compartilhar | Comentar

Sabemos que a odontologia representa um papel importante na manutenção integral da saúde do atleta. Muitos elencos já apresentam orientações em relação a esse tema e, alguns clubes já contam com dentistas e departamentos odontológicos para a realização de exames preventivos.

Quando o assunto se refere as categorias de base, a odontologia representa um papel ainda mais importante. Atletas jovens (entre 13 e 20 anos) costumam apresentar doenças odontológicas debilitantes em larga escala, comuns nessa faixa etária, como:

  • Doenças bacterianas e infecciosas;
  • Cáries;
  • Doenças periodontais e endodônticas;
  • Doenças relacionadas a má posição dentária ou de má formação óssea (que podem estar diretamente associadas à disfunções respiratórias);
  • Apneia do sono;
  • Má postura.

Essas doenças quando ignoradas podem representar a queda precoce de desempenho e um enorme prejuízo ao jovem atleta que está lutando por firmar seu espaço na equipe.

Muitos estudos apontam essa relação, um deles em 2006 com as categorias de base do FC Barcelona chegaram a essa conclusão.

Algumas particularidades devem ser levadas em conta na avaliação de atletas jovens, como doenças sexualmente transmissíveis que se manifestam através de lesões ulcerativas, e o aparelho ortodôntico falso que, apesar de ilegal é utilizado por muitos jovens por simples “enfeite”. Estes fatores sem a manutenção adequada causam desequilíbrio oclusal, desencadeando outras doenças como disfunção da articulação temporomandibular até perda de elementos dentários.

Principal preocupação na odontologia do esporte

Uma das doenças mais preocupantes é a pericoronarite. Ela é uma inflamação gengival ao redor do siso, que, muitas vezes não nascem por completo, dificultando sua higienização, originando uma inflamação gengival crônica que pode ser indolor ou não. Seu diagnóstico deve ser antecipado, uma vez que acomete jovens entre 16 e 24 anos; idade onde os atletas costumam iniciar seu vínculo profissional com os clubes.

No Brasil, as categorias são divididas em:

– Fraldinha: 7 a 9 anos;

– Dente de leite: 10 a 11 anos;

– Pré-mirim: 11 a 12 anos;

– Mirim: 12 a 13 anos;

– Infantil: 14 a 15 anos;

– Infanto-juvenil: 15 a 16 anos;

– Juvenil: 17 a 18 anos;

– Júnior: 17 a 20 anos.

Cada categoria apresenta doenças bucais distintas, e isso acontece devido a diferença entre as dentições, dieta, desenvolvimento ósseo/oclusal e nível de competitividade que influencia diretamente no número de lesões orofaciais.

Os traumatismos são uma realidade recorrente, presentes em qualquer categoria esportiva, apresentam diferentes protocolos emergenciais devido à variação de idade, dentição, maleabilidade e conformidade óssea, configurando dessa forma diferentes reações de dissipação das forças de impacto frente aos traumas orofaciais e dentários.

A adolescência é um momento da vida humana caracterizada por profundas mudanças físicas, emocionais e sociais. Toda atenção com a saúde geral deve ser levada em conta, principalmente se for um jovem atleta onde seu corpo é utilizado como um constante instrumento de trabalho.

Deveres do clube com os atletas de base

O 2º parágrafo do artigo 29 da Lei Pelé elenca a finalidade e os requisitos para que um clube de futebol seja caracterizado como clube formador de atleta. Segundo os direitos e deveres do clube formador de atleta o ítem V (i) descreve:

“Comprovar que disponha de meios que permitam, de forma constante e continua, proporcionar assistência odontológica aos atletas em formação através de medidas preventivas e terapêuticas, tanto por meio de serviços terceirizados, próprios ou conveniados”

Hoje, no Brasil são mais de 40 clubes formadores, o que significa que todos eles apresentam alguma forma de avaliação e tratamento odontológico de seus atletas. Porém, na prática, podemos contar em apenas uma das mãos quantos clubes de fato apresentam um departamento odontológico, com profissionais especialistas em odontologia do esporte, e que tenham condições plenas de dar apoio total individualizado e suporte emergencial a seus atletas de base e profissionais.

É fato que este cenário precisa passar por grandes mudanças para que nossos atletas tenham o suporte necessário quando falamos de odontologia, e obviamente, tenham um melhor desempenho em campo.

Gostou do artigo e quer receber mais conteúdo como esse na sua caixa de entrada? Coloque seu email aqui embaixo que do resto a gente cuida.