Especialidades

Odontologia para pacientes com paralisia cerebral: dicas de atendimento

Odontologia para pacientes com paralisia cerebral: dicas de atendimento
Compartilhar | Comentar

Profissionais de diversas especialidades da odontologia em algum momento se deparam com pacientes com paralisia cerebral (PC), seja no serviço público ou no consultório particular. Muitos acabam atendendo esses pacientes, porém, sempre que possível, referenciá-los para um especialista em odontologia para pacientes especiais é a melhor escolha.

A paralisia cerebral é a rotina do especialista, é a base da especialidade e a realidade mais frequente na maioria dos serviços de odontologia. Alguns artigos relatam que a incidência em países desenvolvidos é de 2 a 3 por 1.000 nascidos vivos. No Brasil, no entanto, o índice é bem maior, chegando a 7 por 1.000 nascidos vivos. A PC tem etiologia pré-natal, perinatal ou pós-natal, mas as evidências mostram que a maioria é de origem pré-natal. Diversas são as causas como, por exemplo, genéticas, inflamatórias, infecciosas, anóxias, traumáticas e metabólicas. O baixo peso no nascimento e a prematuridade aumentam a probabilidade de uma criança desenvolver a PC. Vale lembrar que as manifestações clínicas dependem diretamente da localização da lesão no cérebro.

Com relação à odontologia, o desafio do atendimento e as dificuldades clínicas podem ser reduzidas com algumas dicas valiosas.

A primeira é posicionar o paciente na cadeira odontológica com almofadas de posicionamento ou colchões que inflam e se adaptam ao corpo do paciente, trazendo maior conforto.

Abridores de boca são extremamente úteis e imprescindíveis. Estes pacientes muitas vezes podem apresentar dificuldades em abertura bucal ou em manter a boca aberta por longo período, portanto, confeccionar um simples abridor com palitos de sorvete enrolados em uma gaze ajuda muito no tratamento.

Também é importante sempre dispor de um sugador potente, uma vez que a maioria dos pacientes com PC apresentam sialorreia (excesso de salivação). A dificuldade em restaurar algum dente será diminuída com um sugador com bomba a vácuo, por exemplo.

Outro fator importante para se ter em mente é o tempo de atendimento – o dentista deve procurar ser o mais breve possível. Se alongar demais pode dificultar ainda mais os procedimentos, já bastante complexos tanto do ponto de vista do profissional como do paciente.

Uma simples ida ao dentista, para um paciente com PC, já é um tanto complicada, principalmente pelas questões de acessibilidade e mobilidade. Muitos deles usam cadeiras de rodas especiais, que não superam escadas facilmente nem passam por qualquer tamanho de porta.

Portanto, tornar a visita ao consultório em uma atividade lúdica, prazerosa, evita que os pacientes fiquem irritados e colaborem menos no procedimento. Uma coisa que funciona bem, por exemplo, é ter almofadas de posicionamento com formas de animais – as crianças, principalmente, adoram!

Na parte clínica, a aplicação de verniz de flúor ajuda a diminuir a incidência de cáries. Mas, em minha opinião, uma boa aula de higiene oral para os responsáveis pelo paciente é o fator mais importante para a manutenção.

Estas são só algumas dicas reunidas da experiência do dia a dia. A odontologia para pacientes especiais é uma especialidade que está pronta para atender pacientes com paralisia cerebral e poder ajudar os responsáveis a encontrar o melhor caminho, que é manter sempre uma saúde bucal satisfatória e menos necessidade de procedimentos clínicos em consultório odontológico.

Gostou do artigo e quer receber mais conteúdo como esse na sua caixa de entrada? Coloque seu email aqui embaixo que do resto a gente cuida.