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Odontologia para pacientes com Síndrome de Down

Odontologia para pacientes com Síndrome de Down
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A convite da Dental Cremer, vou contar para vocês um pouco sobre os pacientes que eu tenho prazer de atender: os pacientes com Síndrome de Down.

Qual é a diferença entre vocês e eles?

Começo esse texto com essa pergunta, inspirado pela publicação do Dr. Drauzio Varella, que de uma forma bem legal, fala sobre o “mundo” das pessoas com Síndrome de Down.

A grande diferença é um cromossomo a mais, que costumo chamar de “cromossomo do amor”.

Cada indivíduo possui uma série de características pessoais, que difere de uma pessoa para outra e assim que deveria ser visto. O que essa condição genética altera é o processo de aprendizagem, que passa a ser mais lento e algumas alterações físicas: a hipotonia muscular, uma linha única na palma da mão, os olhos sempre amendoados e por algumas vezes uma língua um pouco maior.  Porém, os portadores da Síndrome de Down também são capazes de trabalhar, estudar, viajar, namorar e até mesmo morar sozinhos. Existe uma organização não governamental chamada “Movimento Down” que tem como meta ver cada vez mais pessoas com Down andando por aí, independentes e felizes.

O conceito mudou muito da década de 80 até os dias de hoje. Começando pelo nome antes chamado por mongoloides e hoje identificados pela trissomia do cromossomo 21 ou, apenas, Síndrome de Down (como homenagem ao seu primeiro descritor, o médico inglês Jonh Langdon Down).

Também pela estimativa de vida que antes alcançava 30 anos e que, hoje, graças a um novo olhar sobre a síndrome, passa dos 60 anos.

A cada ano, pelo menos oito mil novas mães brasileiras vivem a experiência de ter um filho com essa síndrome.  O diagnóstico ainda na gravidez é fundamental para proteger a saúde do bebê e os estímulos que uma criança Down receberá nos primeiros anos de sua vida, que contribuirão muito para o seu futuro em diversos aspectos, do desenvolvimento motor à comunicação.

Como manifestações sistêmicas, esses pacientes apresentam algumas particularidades, como cardiopatias, defeito no funcionamento da glândula tireoide, alterações oculares e ou auditivas, assim como a coordenação motora.

Um outro ponto que devemos tomar cuidado é com a articulação atlantoaxial, que promove a comunicação entre a primeira e segunda vértebra. Nos pacientes com Síndrome de Down, ocorre uma distância maior entre elas, podendo causar algum tipo de compressão da medula espinhal durante movimentos bruscos. Por isso, é preciso muito cuidado caso tenha que ser feito algum tipo de contenção durante o tratamento odontológico.

As pessoas com Síndrome de Down têm muito mais em comum com o resto da população do que diferenças. Se você é pai ou mãe de uma criança com Síndrome de Down, o mais importante é descobrir que seu filho pode alcançar um bom desenvolvimento de suas capacidades pessoais e avançará com crescentes níveis de realização e autonomia. Gosto de reforçar que ele é capaz de sentir, amar, aprender e se divertir. Poderá ler e escrever, deverá ir à escola como qualquer outra criança e levar uma vida autônoma. Em resumo, ele poderá ocupar um lugar próprio e digno na sociedade.

O dia 21 de março marca, anualmente, o Dia Internacional da Síndrome de Down. Esta data tem como objetivo mostrar a importância da luta dessas pessoas e dos seus respectivos pais, amigos e parentes, para que tenham direitos iguais.

Esse ano o tema é “Meus amigos, Minha Comunidade – Os benefícios dos ambientes inclusivos para as crianças de hoje e adultos de amanhã”.

Eu adoro atender os pacientes com Down, eles são espontâneos, sinceros, alegres e cheios de um sentimento que tenho como um dos mais bonitos: a Pureza!

Espero ter transmitido um pouco da minha experiência e do amor que tenho por eles.

Autor: Lucas Gazzinelli

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