Casos Clínicos

Otimização de resultado através da colocação do Implante Dentário e associação de osso liofilizado e membrana reabsorvível

Otimização de resultado através da colocação do Implante Dentário e associação de osso liofilizado e membrana reabsorvível
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Resumo: A realização de enxertia óssea convencional visando corrigir defeitos ósseos, para posterior colocação de implantes dentários é uma opção viável e previsível, mas que aumenta o tempo e a morbidade dos tratamentos Implantodônticos. Sendo assim, a realização da implantação mesmo em áreas com deficiente volume ósseo, associada com a colocação de biomateriais e membranas reabsovíveis é uma opção para reduzir a duração e a morbidade do tratamento. De acordo com a literatura, esse método quando bem indicado e executado, proporciona resultados semelhantes à enxertia convencional. Diante do exposto, o objetivo do presente trabalho foi relatar e discutir o caso clínico de um paciente que apresentava perda óssea em região anterior de mandíbula e que foi tratado através de implantação, colocação de biomaterial e membrana reabsorvível sobre a superfície exposta do implante, no mesmo momento cirúrgico. Os resultados pós-operatórios demonstram estabilidade, tecidos moles mantidos em posição e volume gengival adequado, o que vem a evidenciar o sucesso do plano de tratamento executado.

Palavras-chave: Implante dentário. Enxerto ósseo. Reabsorção. Previsibilidade. 

A presença de um osso alveolar adequado é um aspecto fundamental para o alcance da Osseointegração e sucesso na Implantodontia1-2. No entanto, muitos pacientes que procuram reabilitação Implantodôntica perderam seus dentes há muitos anos, o que pode resultar em um desequilíbrio entre a formação e a reabsorção óssea no processo alveolar, culminando muitas vezes em atrofias alveolares e defeitos ósseos em altura, espessura ou associados3-5.

De acordo com a literatura, a realização de enxertos ósseos para posterior instalação de implantes dentários é considerada uma opção viável para readequar esses defeitos, mas que aumenta o tempo de tratamento dos pacientes, bem como sua morbidade2,6-10.

Sendo assim, uma opção que também visa otimizar os resultados e propiciar a estabilidade em longo prazo na Implantodontia, é a instalação do implante dentário no remanescente ósseo existente e a realização de regeneração óssea guiada nas superfícies expostas do implante, através de osso liofilizado e membrana reabsorvível1,4,7.

Através desta técnica é possível reduzir o tempo de tratamento e os custos ao paciente, quando comparado ao método de enxertia convencional. Outra vantagem que também pode ser observada é a redução da morbidade, visto que será realizada a implantação e o tratamento do defeito ósseo em um mesmo momento cirúrgico1,4,7.

Entretanto, a indicação desta técnica é restrita aos casos em que mesmo com a perda óssea, exista osso suficiente para ancorar o implante e tecido mole para recobrir todo o conjunto implante, osso liofilizado e membrana reabsorvível1,4,11-14, o que vem a dificultar e tornar peculiar os casos que podem ser tratados por meio da mesma.

Diante do exposto, o presente trabalho teve por objetivo relatar o caso clínico e o acompanhamento de 4 anos, do tratamento de um paciente que apresentava perda óssea considerável na região anterior da mandíbula, e que foi submetido a implantação com colocação imediata de osso liofilizado e membrana reabsorvível.

Relato de caso

Paciente AMD, gênero masculino, 37 anos de idade, procurou o curso de Especialização em Implantodontia para instalação de implante dentário. Durante anamnese o mesmo não relatou histórico de trauma ou dado médico relevante. O exame clínico e radiográfico revelou uso de aparelho ortodôntico em fase de finalização do tratamento, ausência do elemento 41, com manutenção de 6mm de espaço mésio-distal e presença de depressão gengival na região, indicativo de pouco remanescente ósseo (Figuras 1 e 2).

Discussão

A reabilitação oral por meio de implantes dentários é considerada uma opção viável, previsível e duradoura para o tratamento de pacientes edêntulos unitários, parciais ou totais. A quantidade e a qualidade óssea do leito receptor do implante são importantes fatores para o sucesso, mas que nem sempre são encontrados em condições suficientes para possibilitar a osseointegração e manutenção dos resultados a longo prazo1-2,5-6,12.

O tratamento convencional das regiões que apresentam quantidade óssea insuficiente para implantação envolve a realização de enxertos ósseos, para posterior colocação dos implantes dentários, o que vem há aumentar o tempo, a morbidade e os custos do tratamento para o paciente5-6,8-10.

Uma alternativa para aperfeiçoar essa questão é a realização de regeneração óssea guiada, onde é instalado o implante no rebordo alveolar deficiente e adicionado biomaterial sobre suas roscas expostas, devendo todo o conjunto ser isolado através de membranas. De acordo com a literatura1,4,7,11-14, através deste método é possível obter resultados previsíveis e estáveis em longo prazo, ao mesmo tempo em que são reduzidos a duração, morbidade e os custos do tratamento.

A grande questão em relação a esta técnica esta na necessidade de um travamento e posicionamento adequado do implante, em um remanescente ósseo deficiente, o que vem a exigir grande habilidade e experiência do Cirurgião. Além disso, o tecido mole existente necessita ser suficiente para recobrir todo o conjunto de forma passiva, para que não ocorra exposição ao meio bucal1,4,7,14.

É importante salientar que, caso seja realizada implantação e o tecido mole venha a ficar em contato com as roscas do implante, em um curto espaço de tempo essa região gengival estará fadada ao escurecimento, trazendo grande prejuízo estético.

No presente caso clínico, apesar da perda óssea acentuada, existia remanescente ósseo com possibilidade de implantação. Outro fator importante que pode ser observado é a presença de cristas ósseas junto aos dentes vizinhos, o que de acordo com a literatura, vem a tornar mais previsível a regeneração óssea e a manutenção dos tecidos moles.

Durante o ato cirúrgico foi conseguido um travamento do implante de 30Ncm, o que nos deixou seguro em relação ao alcance da Osseointegração. A colocação de biomaterial e membrana reabsorvível possibilitou um contorno adequado à região e aos tecidos moles envolvidos, sendo que após 4 anos os resultados estão estáveis e mantidos, o que vem a demonstrar o sucesso do plano de tratamento realizado.

Considerações Finais

A colocação de implantes dentários, associada com a utilização de biomaterial e membranas reabsorvíveis em regiões ósseas deficientes, mostrou ser uma alternativa viável e previsível de tratamento, possibilitando a manutenção dos resultados mesmo após quatro anos.

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14- Liu J, Kerns DG. Mechanisms of Guided Bone Regeneration: A Review. Open Dentist J 2014;8:56-65.

Autores:

– Guilherme Pirágine Contador- CD, Esp, Msc

Mestre em Implantodontia pela Universidade Santo Amaro (Unisa), Coordenador da Especialização em Implantodontia da APCD SANTOS/SP

– Claudio Ferreira Nóia- CD, Esp, MSc, PhD.

Doutor em CTBMF pela Unicamp, Coordenador da Especialização em Implantodontia da Ciodonto- Porto Velho/RO.

– Bruno Costa Martins de Sá- CD, Esp, Msc.

Mestre em Implantodontia pelo ILAPEO/PR, Professor da Especialização em Implantodontia da Ciodonto- Porto Velho/RO.

Caio Vinícius Roman Torres – Professor da UNISA/SP

Geraldo Guedes Martini – Especialista em Implantodontia

– Maria da Graça Naclério Homen – Professora da FOUSP/SP.

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