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Para pacientes especiais, cuidados especiais

Para pacientes especiais, cuidados especiais
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Segundo a ONU, hoje dia 21 de março, é celebrado o Dia da Síndrome de Down com eventos no mundo todo para conscientizar a população a inclusão dos portadores da “Síndrome do Amor”, como é apelidada carinhosamente por muitos.

É importante lembrar que os portadores da trissomia do 21, que é a alteração genética que caracteriza, possuem muitas outras características especiais quanto os DEMAIS seres humanos e que a SÍNDROME NÃO AS DEFINE.

Um aspecto muito importante para tratarmos não só na odontologia mas em todos os âmbitos, é a INCLUSÃO.

Pacientes especiais necessitam de cuidados especiais e de profissionais especiais também, que sejam sensíveis as necessidades de cada indivíduo. O primeiro ponto a tratar é: não devemos generalizar ou rotular os pacientes. Cabe ao profissional cuidar e respeitar individualmente cada um deles.

Alguns estudos apontam que o paciente especial que começa a frequentar o dentista ainda no primeiro ano de vida, reage muito melhor ao tratamento e são mais fáceis de lidar.

E para atendê-los melhor, precisamos saber alguns aspectos importantes sobre as condições de saúde do mesmo, e os desafios que a síndrome possa ter.  Uma anamnese detalhada, histórico médico e uma boa conversa sobre a saúde geral são muito importantes para o sucesso do tratamento.

Os portadores de SD possuem algumas características orais importantes, como:

  • Mandíbula e cavidade bucal pequenas;
  • Palato estreito, alto e ogival;
  • A língua apresenta-se frequentemente fissurada e grande, podendo apresentar língua geográfica.

Segundo Regezi & Sciubba, é comum a postura da língua aberta devido a uma nasofaringe estreita, bem como tonsilas e adenoide hipertrofiada. A protrusão da língua e respiração bucal frequentes resultam em secura e fissura dos lábios. Na região das comissuras labiais, podemos observar a presença de queilite angular, devido à dificuldade do indivíduo em fechar a boca, também por conta da hipotonia muscular se aplica.

A dentição apresenta algumas anomalias como oligodontia, microdontia, hipodontia, fusão e taurodontia. Atraso na erupção dental, malformações coronárias e radiculares também são achados comuns e IMPORTANTES á serem lembrados.

O fluxo salivar de pacientes com SD é em média 50% menor do que em crianças normais. Esta redução está vinculada preferencialmente ao metabolismo da glândula parótida. Além disso, o pH salivar é mais alto, assim como os níveis de sódio, cálcio e bicarbonato. Consequentemente, a capacidade tampão também é elevada, o que acarretaria uma baixa incidência de cárie, porém, maior acúmulo de placa bacteriana e assim, apresentam uma significativa propensão ao desenvolvimento de doença periodontal, a qual tende a aumentar com a idade.

Embora a literatura afirme que pacientes com SD têm baixa incidência de cárie, estes dados precisam ser revistos. Pois, se levarmos em conta o número de cáries em relação ao número de dentes, a diferença na incidência de cárie entre normo-pacientes e sindrômicos desaparece ou tornam-se pouco significativos.

Alguns cuidados no manejo são importantes em razão da hipotonia muscular que os portadores da trissomia do 21 possuem, que seria uma “frouxidão” dos ligamentos, e com isso, tendem a manter uma postura mais relaxada, já que seus músculos são menos tencionados e suas articulações mais frouxas. Na cadeira do dentista, conseguimos lidar com essa hipotonia fazendo um CONTORNO CORPORAL com almofadas para que o paciente se sinta mais confortável e seguro.

O mais importante de tudo: APOIO DOS PAIS e INCENTIVO FAMILIAR! É importante lembrar que os pais e responsáveis fazem parte da equipe! Sempre reforçar os atendimentos com palavras positivas e de incentivo (chamamos de reforço positivo verbal), e cabe ao profissional, orientar ao pais quanto os cuidados preventivos e a implementação de bons hábitos alimentares e de higiene precocemente, para que esses indivíduos tenham uma saúde bucal adequada e uma melhor qualidade de vida!

Toda a diversidade é enriquecedora. Olhe sempre para O PACIENTE como UM INDIVÍDUO e não para a síndrome que ele porta. Você vai aprender muito com ele, assim como ele vai aprender muito com você! Ame o próximo como a si mesmo!

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