Odontopediatria

“Precisamos deixar de lado aquela odontologia do ‘entra, senta e abre a boca'”, diz Dr. Lucas

“Precisamos deixar de lado aquela odontologia do ‘entra, senta e abre a boca'”, diz Dr. Lucas
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Você sabia que hoje é o Dia Internacional do Deficiente Físico? As pessoas que possuem limitações físicas estão incluídas no PcD, que significa Pessoas com Deficiência. O PcD inclui todas as limitações permanentes, sendo: auditiva, física, visual ou intelectual, seja por genética ou que ocorrem ao longo da vida. No mundo todo, mais de um bilhão de pessoas vivem com alguma deficiência, deste número quase 93 milhões são crianças. No Brasil, são 45,6 milhões de pessoas, que representam quase 24% da população brasileira com alguma forma de deficiência, segundo dados da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).

Apesar de muitas conquistas recentes no que se refere à inclusão, as iniciativas de apoio ao deficiente e defesa de seus diretos precisam alcançar voos mais altos. A luta é de todos nós para melhorar o acesso dos deficientes a tudo que temos disponível.

O Dr. Lucas Gazzinelli, Odontopediatra e com capacitação para atendimentos em Pacientes com Necessidades Especiais (PNE), conta que sua percepção de vida mudou depois que começou a atender nessa área. “Você se coloca no lugar do outro e começa de forma involuntária a agradecer pela sua vida, não no sentido que você não tem dificuldades. Mas começa a perceber que a vida é de uma grandiosidade, que ao invés de você reclamar, tem que ir à luta todos os dias por algo maior e melhor. Você percebe depois de um tempo o que realmente importa: o amor, a atenção, empatia e todos aqueles sentimentos que faltam nas pessoas hoje em dia.”

O processo de adaptação não acontece somente com o paciente, mas também o dentista e o consultório precisam estar preparados para os atendimentos. O Dr. Lucas trabalha muito com o ambiente sensorial, onde cada detalhe foi pensado e planejado especialmente para levar acessibilidade aos estímulos sensoriais dos pacientes. “A clínica fica no térreo o que facilita o acesso, além disso, a escolha da cadeira odontológica foi algo muito importante, os braços são giratórios, para o sugador acrescentamos um braço extra e a flexibilidade do encosto de cabeça”, ele diz.

Das principais doenças bucais encontradas nesse perfil, as principais são: doença cárie, traumatismo e de doença periodontal decorrente de uma higiene bucal precária, desvios de oclusão, respiração bucal, uso de medicamentos e dieta cariogênica são comuns nesses pacientes, os quais podem influenciar negativamente na saúde bucal e na qualidade de vida do indivíduo. Para o Odontopediatra muitas pessoas com deficiências apresentam dificuldade de manter a saúde da boca adequada ou de ter acesso aos tratamentos odontológicos pela condição médica, cultural ou socioeconômica.

O atendimento com anestesia geral era um procedimento muito indicado, só que esse quadro mudou. Hoje, há vários recursos que podem ser inseridos nos consultórios odontológicos para atendimentos mais assertivos e humanizados. “Eu já trabalhei no centro cirúrgico de um hospital público realizando só atendimento sob anestesia geral de crianças especiais, o que tinha de indicação errada não é brincadeira. Além disso, uma fila de espera de mais de 300 crianças.”

Abordagens lúdicas na Odontologia

No seu consultório, o dentista em parceria com a Dra. Angel, possui uma coleção de jalecos baseada em Super-heróis que faz toda a diferença na abordagem odontológica. “O que as pessoas precisam entender, principalmente aquelas que atendem crianças, é que precisamos deixar de lado aquela odontologia do ‘entra, senta e abre a boca’ por uma odontologia mais humanizada, onde precisamos entender todo o contexto familiar e as crianças de hoje em dia.” E reforça que é essencial trabalhar todo o processo com objetos lúdicos, som ambiente, músicas sensoriais, aromaterapia, etc..

Ele ainda deixa uma dica preciosa pra quem deseja se capacitar: “Tem que gostar de estudar e se dedicar. Para atender os PNE’s é preciso enxergar uma nova odontologia, baseada numa abordagem diferenciada e, claro, em evidência científica. Se tratando de sentimentos, é preciso ter empatia, se colocar no lugar do outro, buscando entender as dificuldades, limitações, mas sempre enxergando o potencial de cada paciente.”

Siga o Dr. Lucas Gazzinelli no Instagram e acompanhe o seu trabalho @superdentista

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