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Dentista, você ganha quanto você custa? Saiba como definir seu pró-labore

Dentista, você ganha quanto você custa? Saiba como definir seu pró-labore
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Dentistas são profissionais que têm diversas formas de serem remunerados, mas todos com um ponto em comum. Cada um, dentro do seu Modelo de Negócio, tem que saber definir seu pró-labore (“pelo trabalho”, em latim) que conceitualmente é a remuneração de um sócio administrador (dono/gestor) de uma empresa (clínica/consultório). Aqui o termo pró-labore é representado pelo valor que o profissional deve receber para bancar sua vida pessoal.

As diversas formas de remuneração

Hoje, o dentista pode ser dono/sócio de clínica, ter seu consultório próprio, adquirir uma franquia, trabalhar como executor por produtividade, atender clientes particulares ou de convênios, pode ser locador ou locatário de turnos, etc.

Aqui, temos na maioria dos casos receitas flutuantes, ou seja, que podem sofrer alterações positivas e negativas ao longo de um ano. Isso mesmo, um ano! Pense anualmente!

O dentista também pode atuar no serviço público, onde o salário mensal ao ser multiplicado por 13,3 (12 meses + 13º + 1/3 de férias – veja isso em seu contrato!), permite uma previsão anual mais certeira. O dentista também atua na área acadêmica, quer seja como professor em uma graduação quer seja como gestor de cursos próprios ou em sociedade com outros colegas.

E, por fim, claro, um cenário que ocorre muito em odontologia: a segmentação do tempo do dentista em mais de uma das atividades descritas acima. Isso justifica o uso do termo Modelo de Negócio.

Classifique seu modelo de negócio

Cada dentista tem seu próprio Modelo de Negócio, seu formato de divisão e sua capacidade anual instalada (carga horária anual), devendo saber avaliar o desempenho isolado em cada um dos seus segmentos de receita.

Esse modelo deve bancar os custos da vida pessoal – pró-labore – e os custos para bancar sua atividade profissional. Um dentista dono de um consultório tem muito mais custos fixos e profissionais (manter o negócio anualmente) do que um dentista que atua no segmento público (sem custos fixos anuais). Nesse modelo, o que importe é definirmos o custo da vida pessoal do dentista.

Dentista, defina seu pró-labore

Saber quanto se ganha e quanto se custa são pilares para a definição do pró-labore. Então, veja algumas dicas poderosas:

01 – Separe as finanças pessoais das finanças da empresa. Retiradas aleatórias são desastrosas para a gestão do negócio. Aqui o correto é definir um valor de pró-labore mensal e fazer uma única retirada da conta da empresa. A PenseFar sugere a retirada no primeiro dia útil de cada mês. Este é o custo mais importante de seu consultório.

Faz sentido para você? Esta retirada mensal de pró-labore deve ser definida a partir de um planejamento de finanças pessoais anual. Pense anualmente! Se você for desorganizado nas finanças, é necessário que tenha as duas contas bancárias separadas: uma pessoal e outra da empresa.

02 – Registre seus gastos pessoais mensais (educação, prediais, combustível, mercado, escola, etc.), sazonais (imposto de renda, seguro do carro, 13º da empregada, IPTU, manutenção do carro, previdência, etc.) e calcule sua previsão de custo anual.

Pode parecer um desafio gigantesco, mas acredito que no papel ou numa planilha você não levará mais do que duas ou três horas para fazer uma das descobertas mais poderosas para seu planejamento de carreira: quanto custa sua vida pessoal durante o ano?

03Registre números por estimativa, de forma aproximada e arredondada neste primeiro momento. Reúna todas as contas que você paga, como: prediais, saúde, educação, planejamento, empregados, alimentação, etc. Não lance uma conta de energia de R$117,93, lance R$120,00 por exemplo (na dúvida, arredonde pra cima).  O objetivo nestas 2 ou 3 horas de tarefa é saber se sua vida anual custa em torno de R$ 70 mil, R$ 120 mil, e não se é R$ 103.759,39. Estimativa permite um resultado mais rápido e se bem feita representará um número muito próximo do real.

04 – Considere neste planejamento anual uma parte para investimentos e sua independência financeira. Um dia, o trabalho deverá ser uma opção em sua carreira e não uma obrigação, aí sim você terá sua independência financeira. Existe uma conta que sugere guardar de 8 a 10% durante 40 anos de trabalho ou 15 a 20% durante 20 anos. Outra conta mais agressiva é se for guardar 30%.

Entenda, o mais importante é a cultura do guardar uma parte. Estabeleça metas anuais. Se seu momento permitir, guarde mais! Tenha sinergia com o ganhar, o gastar e o guardar. Um percurso planejado de carreira passa pela acumulação, transição e independência financeira.

05 – O pró-labore para um dentista que atua exclusivamente como profissional liberal ajuda no cálculo da sua hora clínica. Por exemplo, no curso da PenseFar, EaD sobre Gestão de custos em clínicas, simulamos a vida pessoal anual estimada do dentista em R$130 mil e ele tem a capacidade instalada anual de 1.680 horas, ou seja, esta é a carga horária máxima anual de trabalho (210 dias úteis x 8 horas). Ao dividirmos o custo pessoal anual pelo tempo no ano, observamos que uma hora deste profissional é apenas para bancar sua vida pessoal, custando em média R$ 77,38 (R$130 mil / 1.680 horas).

06 – O pró-labore de um dentista que tem um emprego público é realizado por meio de seu salário. Para um Profissional de R$130 mil o salário (pró-labore) deveria ser de R$ 9.775 (R$ 9.775 x 13,3 salários). Esta comparação é importante. Como num emprego o salário é definido e constante, saber se o ganho do ano cobre ou não o planejamento anual é fantástico. Se não cobrir, o ajuste deve ser na vida pessoal.

07 – O pró-labore de um dentista que mescla os dois segmentos deve ser compreendido separadamente para tomada de decisões. Vejam o exemplo: O Profissional de R$130 mil por ano trabalha todas as manhãs num emprego público e recebe R$4 mil, ou seja, vezes 13,3 é igual a R$53.200 anuais. Neste caso, ele terá que faturar nas tardes (1.680 horas / 2 = 840 horas), em seu consultório, R$76.800 (R$130 mil menos R$ 53.2000). Concluindo, seu custo/hora no consultório para bancar seu pró-labore nos turnos da tarde será de R$ 91,42 (R$ 76.800 / 840 horas).

08 – O pró-labore de um dentista que mescla em sua clínica dois segmentos: clientes particulares e convênios. Vejam o exemplo: o profissional de R$130 mil por ano trabalha todas as manhãs com convênios e recebe R$36 mil anuais. Neste caso, ele terá que faturar nas tardes (1.680 horas / 2 = 840 horas) em seu consultório R$94 mil (R$130 mil menos R$36 mil).

Concluindo, seu custo/hora no consultório para bancar seu pró-labore nos turnos da tarde será de R$111,90 (R$ 94 mil / 840 horas). Na carga horária de 840 horas, referente aos convênios, o ticket médio de receita é de R$42,86 (R$36 mil / 840 horas).

O valor de R$42,86 de ticket médio de receita dos convênios é menor que R$ 77,38 (R$130 mil / 1.680 horas) que representa o custo/hora para bancar a vida pessoal do dentista. Neste exemplo o segmento particular tem que compensar o desempenho do segmento de convênios. A segmentação de receitas ajuda na tomada de decisões em relação ao direcionamento de vendas. Faz sentido isso?

Todas as contas acima foram simulações gerenciais criadas por estimativas e com o objetivo de estimular o pensamento estratégico baseado em gestão de custos em odontologia.

Custos variáveis, como tributários (impostos), taxas de cartões e materiais de consumo foram considerados como parte desta conta, com a intenção positiva de facilitar a compreensão do conceito pró-labore.

Um levantamento mais preciso, com suporte de planilhas e separando custos fixos de variáveis, torna o processo muito mais preciso para se definir o custo/hora do dentista e de um serviço prestado em seu Modelo de Negócio.

Por fim, uma frase/dica de Peter Drucker muito valiosa na visão da PenseFar:

“O planejamento não diz respeito a decisões futuras, mas às implicações futuras de decisões no presente”.

Espero que este artigo tenha ajudado e caso tenha alguma dúvida, deixe aqui nos comentários para que eu possa responder.

Até a próxima!

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