Ortodontia

Problemas verticais em Ortodontia: sobremordida exagerada (Mordida profunda) – Parte 2

Problemas verticais em Ortodontia: sobremordida exagerada  (Mordida profunda) – Parte 2
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Como eu já disse em outros textos postados aqui no Blog da Dental Cremer, acredito que a educação em Odontologia e, neste caso, especificamente em Ortodontia, é o que nos mantém atualizados. Além disso, nos mantém preparados e com respaldo para tratar qualquer tipo de maloclusão em nossos consultórios. Bem como, saber encaminhar para um Especialista quando assim for a indicação. 

O tema deste post, como já diz o título acima, é a sobremordida exagerada ou também conhecida como mordida profunda. Uma maloclusão que merece a atenção do Ortodontista, mas também do clínico geral, pois há várias consequências advindas desta situação de anormalidade. Vou, portanto, continuar o texto anterior, onde já vislumbramos sua etiologia, prevalência e diagnóstico.

Por se tratar de uma maloclusão com grande frequência na população (10,8%), entendo que o conhecimento sobre seus pormenores são essenciais para o seu correto diagnóstico e tratamento. Esse texto tem a função de esclarecer alguns aspectos importantes. Entretanto, para informações mais profundas, busque sempre fontes confiáveis como livros e artigos científicos de qualidade.

Mas antes, um lembrete importante sobre o último post, é o conceito desta maloclusão: que se caracteriza como o indivíduo apresentando um transpasse excessivo (acima de 1/3 de recobrimento) dos incisivos superiores sobre os inferiores no plano vertical.

Diagnóstico diferencial

Para tratar corretamente é necessário também diagnosticar corretamente. Por isso, este é o tópico mais importante desse post. Algumas análises devem ocorrer para que alguma anormalidade seja percebida, ela começa quando o paciente entra no consultório do Ortodontista.

As fotos iniciais permitem avaliar as proporções faciais do paciente, com especial análise para os terços, que são proporcionais. Os planos palatal, oclusal e mandibular também devem ter uma correta relação, nem divergente demais e nem convergentes demais. Aqui, um paralelismo parece ser o ideal para alguns. Mas, é preciso que, neste e em outros casos, o diagnóstico também seja individualizado. O espaço livre funcional é muitas vezes esquecido pelos profissionais, sendo que ele deve ser de 1 a 2 milímetros.

Com a foto do paciente de perfil e a radiografia cefalométrica é possível também observar e diagnosticar qualquer anormalidade dos dentes com o tecido mole do paciente (lábio superior). (Figuras 1 e 2). A distância entre o lábio superior e o bordo incisal dos incisivos superiores deve ser de 2 a 3 milímetros (variando um pouco em relação ao sexo e também em relação à idade do paciente – quanto maior a idade, menor a exposição de incisivos em repouso).

Figura 1 – Fotografia lateral e radiografia cefalométrica lateral. Atenção à distância entre o lábio superior e o bordo incisal dos incisivos superiores. A medida ideal é de 2 a 3 mm.

 

Figura 2 – Fotografia lateral e radiografia cefalométrica lateral. Aqui há uma anormalidade na sobremordida, com maior exposição dos incisivos superiores em repouso.

E o sorriso?

Assim como na análise do momento dos tecidos moles em repouso, obtida por meio de fotografias, também deve-se avaliar o paciente sorrindo. Neste caso, especial atenção deve ser dada aos tipos diferentes de arquiteturas do sorriso com lábios formando diferentes desenhos. Sendo eles mais curtos, mais longos ou simplesmente com maior elevação junto aos músculos que trabalham durante o ato de sorrir. (Figura 3)

Figura 3 – Fotografias frontais do sorriso de dois diferentes pacientes. Apesar da sobremordida profunda em ambos, no paciente de cima tem-se uma grande exposição de incisivos e de gengiva ao sorrir, fato que não ocorre com o paciente das fotos inferiores.

Consequências

Entre as principais possíveis consequências do não tratamento desta maloclusão estão os problemas periodontais na região afetada, os problemas na articulação temporomandibular (ATM), abrasão dentária, trauma, mastigação inadequada, dentre outros.

Tratamento

Não é possível elucidar aqui profundamente os principais tipos de tratamento desta maloclusão. Mas, é possível tentar resumir de algumas formas. Por exemplo, se o problema for dentário, a intrusão de incisivos superior, inferiores ou ambos pode ser uma solução adequada. Bem como, se a face permitir, o tratamento pode envolver a extrusão de dentes posteriores com aparelhos auxiliares como placas de mordida.

Na dentição permanente o desafio fica um pouco maior, mas as opções ainda assim são variadas. O Ortodontista pode lançar mão de um aparelho extra-oral de puxada cervical (com vetores de extrusão de dentes). Ainda, pode-se utilizar algum aparelho funcional, também para extruir dentes e, quando se quer fazer ambos, intrusão anterior com extrusão posterior, pode-se usar um arco com curva de Spee reversa nos dentes inferiores ou um arco de intrusão. (Figura 4)

Figura 4. Curva de Spee reversa no arco inferior e seus principais vetores numa vista lateral dos dentes.

Em alguns casos, serão necessárias outras abordagens para auxiliar o tratamento, como, por exemplo, a indicação de cirurgia ortognática.

Conclusões

Vimos então, que os modelos de estudo, as fotografias intra e extra-bucais, as radiografias cefalométricas e um exame clínico detalhado são elementos fundamentais para o diagnóstico da sobremordida exagerada. O tratamento em princípio tem por objetivo proporcionar contatos estáveis de manutenção e estabilizar os dentes. Mas o diagnóstico apurado é fundamental, já que o tratamento visa não somente a estética e a harmonia faciais. Mas também um bom funcionamento do sistema estomatognático como um todo.

Até o próximo texto!

 

REFERÊNCIAS:
http://www.scielo.br/pdf/dpress/v14n3/a17v14n3.pdf
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1415-54192009000600014&script=sci_abstract&tlng=pt

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