Ortodontia

Saiba mais sobre o bráquete autoligado ativo e passivo

Saiba mais sobre o bráquete autoligado ativo e passivo
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Afinal, qual a diferença dos sistemas?

Antes de abordar essa diferença, vamos conversar um pouco, sob uma visão clínica, sobre autoligados versus convencional?

Boa leitura!

O que é o aparelho autoligado?

Um tipo de aparelho fixo que possui clipes nos bráquetes, ao invés de ligaduras para “ligar o fio”. Foi descrito pela primeira vez, há mais de 80 anos por Russel que descreveu em 1935 na literatura um sistema, onde o arco era fixado e pressionado dentro da canaleta dos bráquetes Edgewise por um parafuso.

A ausência das ligaduras traz vantagens na higiene e estética. Como o fio do aparelho passa diretamente por dentro de canaletas e é preso pelas tampas do bráquete, dispensa o uso do acessório de amarração convencional, que acaba acumulando mais placa, pelo volume e tipo de material elástico.

Outra vantagem é em relação ao tempo de tratamento. Mas muita atenção, visto que o tempo de tratamento envolve muitos fatores, inclusive a cooperação do paciente, não gosto de adicionar esse fator como algo atrativo para seleção. Costumo comunicar com os pacientes e também alunos, utilizando o termo “otimização de tempo” e não “redução do tempo”. Sim, temos menos tempo de cadeira, troca de arcos mais espaçados e com uma sequência mais enxuta, posso assim dizer, então conseguimos adiantar fases de tratamento.

Com a existência de um menor atrito entre as estruturas do aparelho e a possibilidade de se aplicar a força adequada para a movimentação dentária a ser obtida, os danos aos tecidos que circundam os dentes (ossos, gengivas e ligamentos periodontais) poderão ser menores. Causando movimentações mais biológicas e ao mesmo tempo menos efeitos colaterais que possam causar desconforto.

A ausência de atrito é um fator importante a ser explorado, mesmo com o sistema autoligado, poderemos sim ter projeção de incisivos e inclinação. O que vai diferenciar no tratamento com este sistema é o bom manejo dos torques, entendimento da relação bráquetes/arcos e também um criterioso diagnóstico e planejamento biomecânico, com auxiliares. Temos uma matéria por aqui, onde abordamos fios ortodônticos. Vale a pena dar uma lida, CLIQUE AQUI. É ortodontia. E essa não muda, no ponto de vista de diagnóstico.

Embora tenha passado uma visão mais racional sobre o sistema, eu utilizo em 90% dos meus casos no consultório. E posso listar as vantagens. Sob uma visão crítica, clínica, mas também científica:

Existem dois tipos distintos de sistemas de aparelhos ortodônticos autoligados, que são o passivo e o ativo/interativo. Os passivos são aqueles em que o sistema de fechamento do clip na canaleta do bráquete não faz pressão sobre o fio ortodôntico, tendo um melhor desempenho no deslizamento dentário. Os interativos se comportam como ativos e passivos, e as presilhas flexíveis que fecham a canaleta podem pressionar ou não o arco, dependendo do seu calibre.

Bráquete autoligado: ativo x passivo

A literatura apresenta resultados em ambos os tipos. Mas basicamente, e de forma sucinta, podemos aqui ressalvar suas características anatômicas. Na forma passiva, o arco está livre para se movimentar dentro da ranhura enquanto as arestas do arco retangular entram em contato com os lados da ranhura do bráquete. À medida que o fio é girado e preenche a folga da ranhura, um componente de força é gerado. Na forma de ligação ativa, o fio é pressionado contra a base da ranhura. A interação do método de ligação (fio, ligadura ou porta ativa do bráquete) cria um segundo componente de força. No caso dos bráquetes em que um clipe gera pressão contra o arco, a força pode agir na aresta do arco e alterar a posição zero. À medida que o fio gira, a interação do clipe contra o fio, deve contribuir para a expressão do torque.

Em uma revisão sistemática de 2009 foi analisada a quantidade de resistência friccional expressa entre o bráquete convencional e o bráquete autoligado in vitro. Para tanto, foi feita uma busca, ilimitada, em bases de dados (Medline, PubMed, Embase, Cochrane Library e Web of Science) e os artigos sobre fricção entre bráquetes convencionais e autoligados foram selecionados e revisados.

Além disso, foram checadas as referências bibliográficas de todos os artigos, para identificar alguma pesquisa que não houvesse sido capturada na busca eletrônica. Feita a busca, foram eliminados os resumos de artigos descritivos, editoriais, cartas, estudos in vivo ou aqueles que não estivessem avaliando o bráquete autoligado ou que estivessem estudando outras propriedades dos bráquetes que não a fricção.

Ao final, 70 artigos foram selecionados pela busca eletrônica e 3 por meio do levantamento secundário e, após a aplicação dos critérios de seleção, apenas 19 artigos foram incluídos nessa revisão. Os autores concluíram que, comparados aos bráquetes convencionais, os autoligados produzem menor fricção quando combinados a arcos redondos de pequeno diâmetro e na ausência angulação e/ou torque, em um arco com alinhamento ideal.

Não foram encontradas evidências suficientes para comprovar a baixa fricção de bráquete autoligado em relação ao convencional, quando do uso de arcos retangulares, na presença de angulação e/ou torque, em casos de má oclusão considerável. A maioria dos estudos avaliados concordam que a fricção de bráquete autoligado e convencional aumenta com o calibre do arco.

Bibliografia consultada:

BRAUCHLI, SENN, WICHELHAUS. Angle Orthodontist, Active and passive self-ligation—a myth? 81(2) 2011;

EHSANI, S. et al. Frictional resistance in self-ligating orthodontic brackets and conventionally ligated brackets: a systematic review. Angle Orthodontist, Appleton, v. 79, no. 3, p. 592-601, 2009;

PANDIS N. MILES P Treatment Efficiency with Self-Ligating Brackets: The Clinical Evidence. Seminars in Orthodontics. 16(4), 2010.p258-65.

 

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  • Thalita Galassi

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    Cirurgiã- dentista. Especialista em Ortodontia. Pós-graduada em Dentística Estética. Mestre em Ciências da Reabilitação HRAC USP. Professora de Especialização em Ortodontia - SPO. Palestrante, escritora e consultora técnico-científica em Ortodontia. Membro da Comissão de Mídias Sociais CROSP. Diretora Social da Sociedade Paulista de Ortodontia Mídias Sociais. On-line, compartilhando odontologia desde 2013.
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