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Mais de 11 mil vítimas em 2016: saiba o papel do dentista na prevenção do Câncer Bucal

Mais de 11 mil vítimas em 2016: saiba o papel do dentista na prevenção do Câncer Bucal
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Nos primeiros dias de novembro, lembramos da Semana Nacional de Prevenção do Câncer Bucal. Sancionada através da lei 13.230/2015 no final de 2015, essa semana é mais que importante para conscientização e esclarecimento de algumas dúvidas importantes que surgem para todos, inclusive na Odontologia.

De uma forma muito genérica, denominamos para tumor de cabeça e pescoço, diversos tumores que se originam das regiões das vias aéro-digestivas, como boca, língua, gengivas, bochechas, amígdalas, faringe, laringe e seios paranasais.

Destes, o câncer de boca é o que tem início na cavidade oral o que inclui: lábios, revestimento interno da boca (mucosa jugal), dentes, gengivas, os primeiros dois terços da língua, assoalho de boca (parte da boca que fica embaixo da língua), palato duro (céu da boca), região do trígono retromolar (área atrás dos dentes do siso).

Dependendo da extensão e localização do tumor, existe a necessidade de confecção de próteses bucomaxilo obturadoras para que o paciente consiga alimentar-se de forma segura e também para que consiga ter inteligibilidade de fala, ou seja, possa ser compreendido pelos outros. Desta forma tem suas funções vitais restabelecidas de forma adequada. Estas próteses são necessárias na impossibilidade da reabilitação por meio de enxertos e/ou cirurgias de reconstrução estética.

Segundo o INCA (Instituto Nacional do Câncer), estimam-se no ano de 2016, 11.140 casos novos de câncer da cavidade oral em homens e 4.350 em mulheres no Brasil.

Tumor de cabeça e pescoço
Imagem: Blog do CRIO

 

Conversamos com a Dra. Silvia Cristina Nunez, especialista neste assunto, a fim de esclarecer ainda mais algumas dúvidas e reforçar a importância desta campanha. Confira:

 

1– Por que a Semana Nacional de Prevenção do Câncer Bucal é tão importante? E quão importante é o papel dos dentistas nesta causa?

A importância da semana é fazer com que as pessoas falem do assunto, prestem atenção nas causas e identifiquem os sintomas, pois como todo tipo de câncer, a prevenção e a detecção precoce são sempre o melhor caminho.

Muitas vezes o cirurgião-dentista é o primeiro profissional de saúde a identificar a lesão. O dentista pode realizar o diagnóstico através da biopsia e realizar o encaminhamento do paciente para o especialista mais indicado.

Hoje contamos com equipamentos que oferecem apoio diagnóstico por fluorescência o que pode auxiliar também o cirurgião-dentista clínico geral no encaminhamento de pacientes utilizando uma técnica de alta aceitação pelos pacientes por se tratar de método não invasivo. Porém, a biopsia é o exame de eleição para o preciso diagnóstico do tipo de lesão.

 

2- Quais as principais causas do câncer bucal?

As principais causas são o uso ou a presença em longo prazo de agentes agressores da mucosa oral. Hábitos como o alcoolismo, tabagismo e uso de fumo de mascar estão associados à incidência de câncer bucal. Além disso, o uso de próteses mal adaptadas, a má higiene e cuidado oral e no caso dos cânceres de lábio a exposição à radiação solar aumentam a probabilidade do aparecimento de algum tipo de lesão.

Ainda a maior prevalência é em indivíduos com mais de 40 anos e do sexo masculino.

 

3- Como a má saúde e higiene bucal podem afetar e ser uma potencial ameaça a estes problemas? 

Como dito anteriormente, agressões constantes a mucosa são fatores que colocam o indivíduo em risco. Dentes quebrados e restaurações em mal estado podem causar ulcerações em língua e mucosa que não cicatrizam devido ao trauma constante, assim como, o uso de próteses lascadas, quebradas e/ou mal adaptadas.

Infecções por alguns subtipos de vírus HPV também têm sido associadas ao aumento da incidência de câncer de orofaringe. Já a má higienização predispõe a inflamações e infecções, além de poder levar a fratura dental por desmineralização e cavitação dos tecidos duros. Esses fatores aliadas a predisposição do individuo aumentam os riscos de aparecimento do câncer bucal.

 

4- Após a identificação da doença pelo dentista, qual a medida necessária a ser feita? Qual especialista deve ser procurado nestes casos?

O cirurgião-dentista deve procurar orientar o paciente, e esclarecer todas as suas dúvidas dentro do melhor do seu conhecimento,  pois a informação correta é sempre muito importante nestes casos e o encaminhamento deve ser feito para um oncologista preferencialmente um especialista em cabeça e pescoço.

 

5- As pessoas conseguem realizar uma auto-avaliação para identificar o problema, ou somente um dentista pode fazer este diagnóstico?

Sempre devemos estar atentos as mudanças em nosso corpo, por isso a auto-avaliação é sim uma possibilidade. Lesões na boca tipo ulceração superficial que não cicatrizam no prazo de uma semana, indolores ou não. Presença de manchas esbranquiçadas, alterações de cor nos lábios e/ou mucosa, além da presença de gânglios na região, devem ser observadas e notando qualquer alteração um profissional deve ser consultado sempre o mais breve possível, principalmente no caso dos pacientes que se encontram no grupo de maior risco.

 

Entrevista com: Dra. Silvia Cristina Nunez

– Cirurgiã-Dentista;

– Doutora em Ciências pela Universidade de São Paulo;

– Mestre em Laser em Odontologia – IPEN/FOUSP;

– Diretora da Clínica LOI – Laser e Odontologia Integrados -São Paulo;

– Professora da Pós-Graduação UNICASTELO/São Paulo.

Fontes: ACBG, Odontoclinic, Blog CRIO

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