Casos Clínicos

Tratamento restaurador atraumático

Tratamento restaurador atraumático
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A estratégia do tratamento restaurador atraumático (ART) foi proposta inicialmente em 1994 na OMS pelo pesquisador holandês Dr. Jo Frencken, visando o atendimento de populações que residiam em áreas onde não existia eletricidade nem outras facilidades para a instalação de consultórios odontológicos tradicionais.

Por se tratar de uma técnica minimamente invasiva, propõe o uso de instrumentos cortantes manuais para a remoção do tecido cariado e o selamento das cicatrículas e fissuras com um material restaurador adesivo de presa química capaz de ser manipulado e inserido diretamente na cavidade e superfícies adjacentes. O cimento de ionômero de vidro foi escolhido para essa finalidade por apresentar propriedades altamente vantajosas como adesividade à estrutura dentária, liberação de flúor, compatibilidade biológica e um coeficiente de expansão térmica linear semelhante à estrutura dentária.

A técnica também previa a não utilização de anestesia na quase totalidade dos casos. Com a utilização mundial do ART observou-se uma extensão da sua indicação para pacientes geriátricos, ansiosos ou mesmo com temor do tratamento odontológico tradicional. Além disso, a rapidez com que se pode realizar essa técnica viabiliza o atendimento de um grande número de pessoas em um curto espaço de tempo. Por isso, vários programas de saúde bucal no mundo afora hoje adotam o ART e o seu sucesso pode ser observado em vários estudos clínicos randomizados e bem controlados.

No que diz respeito ao preparo cavitário é imprescindível realizar a remoção cuidadosa do tecido cariado começando pela junção amelo-dentinária e a confecção de retenções adicionais tornando a cavidade auto-retentiva. Quanto ao material, o proporcionamento do pó e líquido seguindo as recomendações do fabricante bem como a sua correta manipulação obtendo uma mistura com brilho na superfície e aspecto homogêneo são importantes a fim de preservar as propriedades físicas do material e permitir que o processo de adesão química se estabeleça com a estrutura dentária adjacente. Atenção também deve ser dada durante a inserção, pois a realização de movimentos de vibração da espátula apoiada numa parede cavitária minimizará a inclusão de bolhas. A compressão do material na cavidade durante a sua presa inicial melhorará a sua adaptação as paredes internas bem como o protegerá quanto a sinérese e embebição.

Uma vez seguidos os cuidados durante o preparo cavitário, manipulação e inserção do material restaurador, o desempenho das restaurações será otimizado.

Autoras:

Dra Maria Fidela de Lima Navarro

Professora Titular do Departamento de Dentística, Endodontia e Materiais Odontológicos da Faculdade de Odontologia de Bauru, da Universidade de São Paulo (FOB-USP)

Dra Renata Corrêa Pascotto

Professora Associada do Departamento de Odontologia da Universidade Estadual de Maringá,PR

Caso Clínico 1:
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