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Como escolher um mini-parafuso ortodôntico ou mini-implante – Parte I

Como escolher um mini-parafuso ortodôntico ou mini-implante – Parte I
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Os mini-parafusos ortodônticos são uma realidade no dia a dia de muitos ortodontistas, e hoje já não há mais necessidade de encaminharmos pacientes para que o implantodontista realize a instalação deste dispositivo. Aprendemos a técnica dentro do curso de especialização de Ortodontia ou em cursos de aperfeiçoamento específicos, e quando bem orientados sobre o tipo de parafuso que devemos escolher para determinada área não sobram dúvidas sobre o sucesso da técnica.

O avanço da Odontologia tem colocado as especialidades em uma constante situação de evolução. Cada vez mais profissionais são solicitados a dar respostas às necessidades clínicas do paciente, assim como ter conhecimento das ferramentas que proporcionem tais respostas. É nesse quadro que se insere a utilização dos mini-implantes, no intuito de possibilitar uma ampliação da resposta dentária aos movimentos requeridos na clínica ortodôntica.

Os mini-parafusos ortodônticos são pequenos parafusos em titânio que são fixados no osso com o intuito de servirem de apoio fixo às forças aplicadas nos dentes. São confeccionados com uma liga de titânio com grau de pureza V (Ti-6Al-4V), e apresentam como característica a não-osseointegração completa e uma maior resistência à fratura. Logo, são considerados dispositivos de ancoragem absoluta, além de ser um DAT (dispositivo de ancoragem temporária), ou seja, após sua utilização na terapia ortodôntica ele é removido.

As partes constituintes do mini-implante são: cabeça, perfil transmucoso e rosca. Existem diversas variações em formatos de cabeça de acordo com os fabricantes (eles fazem isso propositalmente, pois cada marca de mini-implante possui um kit específico para a sua colocação). O comprimento de perfil transmucoso e a rosca também variam, e isso é importante de acordo com o local que o mini-implante vai ser colocado.

Desenho esquemático demonstrando mini-implante com cabeça de botão e suas partes constituintes – Livro do Jurandir Barbosa

A cabeça do mini-implante servirá de apoio aos aparelhos ortodônticos, e ficará exposta na cavidade bucal. Deve ser pequena, superfície polida e arredondada para não ferir o paciente ou reter placa. No mercado temos à disposição cabeça de botão ou de bráquete.

O perfil transmucoso corresponde à superfície lisa logo abaixo da cabeça, e pode estar presente ou não no mini-implante. Quando presente pode ter 1mm ou 2mm,  e por ele ser liso, permite maior adaptabilidade aos tecidos moles e diminui o risco de aderência de placa bacteriana, prevenindo assim a inflamação da mucosa. Deve ser selecionado de acordo com o local onde vai ser implantado, sendo menor na área vestibular e maior na região palatina ou retromolar, onde a mucosa é mais espessa.

A rosca do mini-implante é a parte que fica intra-óssea após a instalação, e varia de acordo com o fabricante também. Ela pode ser cilíndrica, com um diâmetro único do início ao final ou cônica, com um afinamento no diâmetro ao se aproximar da extremidade. O sentido da rosca pode ser para a direita ou para a esquerda, dependendo do planejamento biomecânico necessário para o caso. Infelizmente não são todos os fabricantes que possuem esse tipo de mini-parafuso.

Desenho esquemático da rosca tipo cônica (A) e tipo cilíndrica (B) – Livro do Jurandir Barbosa

Em relação ao tipo de corte, a rosca pode ser autorrosqueante, sendo necessária a perfuração da cortical óssea com um micromotor e broca lança no momento da instalação, uma vez que sua ponta ativa não é capaz de perfurar esta cortical. Pode ser também autorrosqueante e autoperfurante, tendo assim capacidade de perfurar a cortical mediante sua ponta ativa sem a necessidade de perfuração prévia, facilitando sua instalação para o ortodontista. O comprimento da rosca do mini-parafuso varia também, de acordo com a área em que será utilizado.

Aí vai da preferência de cada dentista o tipo de kit de MPO para ter em seu consultório. Cada marca tem suas particularidades, como a rosca ser para direita ou esquerda, comprimento específico de transmucoso, cabeça de bráquete ou não e ser autorrosqueante ou autoperfurante e autorrosqueante. Eu prefiro a segunda opção, pois simplifica a técnica e afasta a ideia do paciente de uma cirurgia. Existem diversas marcas no mercado, mas vale ressaltar que uma vez que você comprar um kit só poderá usar MPOs desse kit, pois a chave que encaixa na cabeça do parafuso na hora da instalação não é universal.

Fonte: BARBOSA, Jurandir. Odontologia com Excelência: na busca da perfeição clínica.

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