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Vírus Zika, o que o dentista precisa saber!

Vírus Zika, o que o dentista precisa saber!
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Conhecimento, conscientização, combate e prevenção.

O assunto do momento é o vírus zika. E nós, cirurgiões-dentistas, como profissionais da saúde, o que precisamos saber?

As pesquisas estão intensas e a cada semana sai uma notícia sobre este vírus, transmitido pelo Aedes Aegypti e identificado pela primeira vez no Brasil em abril de 2015.

A Organização Mundial de Saúde, no dia 1º de fevereiro de 2016, declarou que a disseminação deste vírus e sua provável ligação com casos de microcefalia tornaram-se uma emergência de saúde pública internacional. O Brasil é o país com maior número de casos da doença, por isso a população deve ser alertada sobre meios de combate e prevenção deste mosquito, o transmissor não é só do vírus zika, mas também da dengue e do chikungunya.

Não existe tratamento específico para a infecção por este vírus e também não há vacina. O tratamento recomendado para os casos sintomáticos é baseado no uso de acetaminofeno (paracetamol) ou dipirona para o controle da febre e manejo da dor. No caso de erupções pruriginosas, os anti-histamínicos podem ser considerados. Não se recomenda o uso de ácido acetilsalicílico (AAS) e outros anti-inflamatórios, em função do risco aumentado de complicações hemorrágicas descritas nas infecções por outros flavivírus. Os casos suspeitos devem ser tratados como dengue, devido à sua maior frequência e gravidade conhecida.

O principal modo de transmissão descrito do vírus é pela picada do Aedes Aegypti.  Mas um estudo pioneiro da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), órgão vinculado ao Ministério da Saúde, constatou a presença do vírus zika ativo (com potencial de provocar a infecção) em amostras de saliva e de urina. A evidência inédita, que sugere a necessidade de investigar a relevância destas vias alternativas de transmissão viral, foi constatada pelo Laboratório de Biologia Molecular de Flavivírus do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz).

Essas recentes descobertas demonstram a importância da prevenção sobre o risco de transmissão via oral do vírus. Embora ainda sejam necessárias mais pesquisas para saber se há de fato possibilidade de infecção, medidas preventivas devem ser tomadas.

O Ministério da Saúde recomenda também que reforcem medidas de higiene para evitar o contágio pelo vírus da zika. Entre as medidas sugeridas estão: evitar compartilhar objetos de uso pessoal, como escovas de dente e copos, e lavar as mãos com frequência, não manipular objetos de pessoas infectadas e por exemplo, não beijá-las na boca.

Nós profissionais da saúde, como temos contato com muitas pessoas diariamente temos a possibilidade de conscientizar a população e a necessidade de adotar medidas preventivas tanto para nossa proteção como a do nosso paciente.

Sabemos que a biossegurança tem o objetivo de oferecer uma condição de segurança alcançada por um conjunto de ações que eliminam, controlam, previnem ou reduzem riscos em atividades que podem comprometer a saúde humana.

Estamos constantemente em contato com um ambiente que pelas suas peculiaridades, possibilita transmissão de micro-organismos, tanto para os pacientes quanto para a equipe. Isso acontece por meio das gotículas e dos aerossóis, que podem contaminar diretamente esses profissionais ao atingirem a pele e a mucosa, por inalação e ingestão, ou indiretamente, quando contaminam as superfícies. Além disso, ocorre a manipulação  de instrumentos perfuro-cortantes contaminados por fluidos potencialmente infectantes (sangue ou a saliva contaminada por sangue), havendo a possibilidade de acidentes durante os procedimentos, ou durante a sua limpeza. Por esse motivo, vem aumentando significativamente a preocupação para evitar a contaminação cruzada nos consultórios odontológicos, visando impedir a transmissão de doenças como o HIV, Hepatites B e C.

As precauções padrão que são preconizadas como medidas de biossegurança nos consultórios odontológicos são consideradas adequadas para proteger pacientes e profissionais da transmissão do vírus nesse ambiente:

  • Realizar correta higiene das mãos;
  • Uso preciso de equipamentos de proteção individual para os pacientes e equipe;
  • Adequada limpeza de superfícies;
  • Desinfecção, esterilização e descarte apropriado dos resíduos de saúde dentre outros.

Vamos conscientizar, contribuir para implementar as medidas de biossegurança e checar se efetivamente estão sendo realizadas. Buscar eliminar possíveis criadouros do mosquito, com as medidas cabíveis para domicílio para a área externa, verificar se a dedetização está em dia e reforçar a biossegurança.

Fonte: who.int, BBC, Portal Fiocruz, The Lancet, Combate Aedes

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  • Thalita Galassi

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    Cirurgiã- dentista. Especialista em Ortodontia. Pós-graduada em Dentística Estética. Mestre em Ciências da Reabilitação HRAC USP. Professora de Especialização em Ortodontia - SPO. Palestrante, escritora e consultora técnico-científica em Ortodontia. Membro da Comissão de Mídias Sociais CROSP. Diretora Social da Sociedade Paulista de Ortodontia Mídias Sociais. On-line, compartilhando odontologia desde 2013.
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