Especial

A escova elétrica na remoção do biofilme

A escova elétrica na remoção do biofilme
Compartilhar | Comentar

O biofilme dental está associado a fatores determinantes e modificadores e é considerado peça-chave para o desenvolvimento das principais doenças bucais. Dentre elas estão: a cárie dentária e doenças periodontais. A rotina, eficácia e frequência da escovação diária controlam o biofilme dentário o suficiente para interferir na sua maturidade microbiológica. Diante disso, limita a severidade das doenças dentárias observadas clinicamente.

O biofilme dental

De acordo com Berenie (1973), sabe-se que a qualidade da higiene bucal realizada, uma, duas ou mais vezes ao dia, é suficiente para o controle do biofilme dentário. Contudo, Bellini e colaboradores (1981) observaram que a qualidade da higiene bucal é mais importante que sua frequência. Além disso, Storino (1994) relata que a frequência da higiene deve ser suficiente para prevenir a cárie e a doença periodontal.

Desde a década de 60, quando Loe (1965) demonstrou o papel da placa bacteriana no desenvolvimento da gengivite, ficou evidente a importância do correto controle desta para a saúde dos tecidos bucais. Inúmeros estudos demonstraram que o controle efetivo da placa diminui a prevalência e a incidência das doenças periodontais e cárie. Entre os métodos mais utilizados de controle mecânico da placa supragengival, inclui-se uma escova dental associada ao fio ou fita dental. Os pacientes conseguem remover a placa em até 1 mm subgengival com uma boa escovação.

Escovas manuais x Elétricas: quais as diferenças e indicações?

As escovas dentais são importantes não só no controle da placa bacteriana, mas também na remoção das manchas que se formam sobre a superfície dos dentes. A eficácia de uma escova em remover biofilme dental está relacionada com o alinhamento de suas cerdas. Com o tempo de uso, apresentam alterações para frente, para trás e para os lados, resultado da pressão exercida contra os dentes. É dever do cirurgião-dentista, ter conhecimento técnico e científico para indicar a melhor escova de acordo com o perfil do paciente.

A escolha de uma escova depende de fatores como preferência pessoal, custo e recomendação profissional. Em relação às escovas elétricas, podem ser mais atrativas por representarem uma solução moderna para os problemas do cotidiano. As escovas elétricas foram introduzidas comercialmente no início dos anos 60, como uma alternativa aos métodos manuais de escovação.

As mais comuns exibem trajetórias laterais e rotatórias da cabeça. Recentemente, foram introduzidas no mercado escovas elétricas com uma grande combinação de movimentos, como oscilatórios e as que operam com frequências ultra-sônicas.

Estudos quanto a eficácia das escovas elétricas

Com o objetivo de avaliar a eficácia e segurança das escovas elétricas e manuais na remoção do biofilme, foi realizado um estudo com 30 crianças entre 7 e 8 anos. As crianças estudadas não possuíram dificuldades de compreensão ou limitações de ordem motora. Após a seleção da amostra, foram testados diferentes tipos de escovas dentárias com relação à eficácia na remoção
de biofilme dental. A escova elétrica teve prevalência de 21% a 40% de redução do percentual de biofilme, correspondendo a 39,3% da amostra.

Outros autores também realizaram estudos para verificar a eficácia das escovas elétricas, as constatações foram diversas:

Grossman e Proskin (1997) realizaram um estudo com participantes entre 8 e 12 anos de idade, verificando a efetividade da escova elétrica. Os resultados obtidos foram que o uso da escova elétrica produziu reduções nos índices de placa, tanto na dentadura decídua quanto na permanente.

Willershausen e Waterman (2001), avaliaram a efetividade de escovas dentárias elétricas e manuais. Esse estudo foi realizado em uma escola de ensino básico onde já existia um programa de prevenção da cárie dentária. Os autores concluíram que, em relação à prevenção de cárie e gengivite, as escovas dentárias manuais e elétricas podem ser consideradas igualmente eficientes para crianças com risco indeterminado de cárie.

Costa e colaboradores (2001) compararam a efetividade na remoção de placa realizada com escova elétrica e manual. Quinze crianças com dentição decídua e 14 crianças com dentadura mista foram divididas em 2 grupos. Essas crianças foram designadas aleatoriamente a utilizar escova manual e elétrica. Não houve diferença, estatisticamente significante, na remoção de placa quando as escovas foram utilizadas na dentadura mista. No entanto, para a dentição decídua, a escova elétrica promoveu uma significante remoção de placa da superfície lingual dos dentes.

Autores:

Ana Carolina Soares Fraga Zaze – Cirurgiã-dentista, Mestre e Doutora em Odontopediatria

Edimar Rafael de Oliveira – Cirurgião-dentista, especialista em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial.

Maria de Jesus Andrade da Silva Melão – Cirurgiã-dentista

Ederson Alves – Cirurgião-dentista, especialista em Endodontia.

Referências:

AXELSSON, P.; LINDHE, J.; NYSTROM, B. On the prevention of caries and periodontal disease. J. Clin. Periodontal, v. 18, n. 3, p.182-189, 1991.

BERENIE, J.; RIPA, L. W.; LESKE, G. The relationship of frequency of toothbrushing, oral hygiene, gingival health, and caries-experience in school children. J. Public Health Dent. v. 33, n. 3, p. 160-171, 1973.

STORINO, S. P. Pacientes portadores de aparelho ortodôntico. In: ______. Odontologia preventiva especializada. Rio de janeiro: Cultura médica, 1994. p. 21-25.

WAERHAUG, J. Effect of toothbrushing on subgingival plaque formation. J. Periodontol. v. 52, n. 1, p. 30-34, 1981.

PANZERI, H. et al. Avaliação de algumas características das escovas dentais do mercado nacional. Rev. ABO Nac. v. 1, n. 1, p. 23-29, 1993.

VILANI, E.; BAPTISTA, T. C. L.; VERTUAN, V. Avaliação clínica da efetividade de escovas dentais. RGO, v. 46, n. 1, p. 217-21, 1998.

LOE, H.; THEILADE, E.; JENSEN, S. B. Experimental gingivitis in man. J. Periodontol. n. 36, n. 1, p. 177-187, 1965.

CROSS, W. G. A comparative study of tooth cleaning using conventional and electrically operated toothbrushes. Br. Dent. J. v. 113, n. 1, p. 19-22, 1962.

HEANUE, M. et al. Manual versus powered toothbrushing for oral health. In: ______. The Cochrane Library. Oxford: Update Software, 2003.

WILERSHAUSEN, B.; WATERMANN, L. Longitudinalstudy to assess the effectivity of electric and manual toothbrushes for children. Eur. J. Med. Res. v. 6, n. 1, p. 39-45, 2001.

COSTA, C. C. et al. Plaque removal by manual and electric toothbrushing among children. Pesqui. Odontol. Bras. v. 15, n. 4, p. 293-301, 2001.

Artigo adaptado de: http://www.revistas.unipar.br/index.php/saude/article/view/5395/3301

 

Gostou do artigo e quer receber mais conteúdo como esse na sua caixa de entrada? Coloque seu email aqui embaixo que do resto a gente cuida.