Abertura coronária: primeira etapa do tratamento endodôntico

Diante da indicação de um dente necessitar de um tratamento endodôntico, além do diagnóstico e planejamento correto, o primeiro passo é planejar uma abertura endodôntica correta. A abertura coronária nada mais é do que um conjunto de procedimentos que permitam com o que os instrumentos endodônticos entrem no canal radicular de forma livre (sem interferências), podendo assim trabalhar em toda a extensão do canal.

O que determina uma abertura endodôntica correta é a anatomia dentária. Obviamente, não podemos deixar de levar em consideração os princípios básicos que nós aprendemos na faculdade e antes de fazer qualquer abertura, faça o isolamento absoluto.

As aberturas endodônticas ou acessos endodônticos podem ser feitos em dentes ou coroas protéticas. Em ambas situações é muito importante observar a direção relativa do dente na arcada, para não produzir acidentes ou desgastes excessivos durante o acesso.  Especificamente em casos de coroas protéticas, devemos avaliar com uma sonda periodontal o perímetro da junção cimento-esmalte para poder realizar o acesso da forma mais correta possível.

Devemos avaliar aonde está a câmara pulpar na radiografia endodôntica. Muitas vezes devido a deposição de dentina secundária ou terciária  a câmara pulpar pode estar mais achatada ou diminuída. O uso de radiografias interproximais dos dentes posteriores podem nos auxiliar na direção que realizaremos a abertura endodôntica.  A falsa sensação de se cair no vazio nos casos de dentes com câmaras pulpares atrésicas podem levar a uma perfuração em assoalho da câmara pulpar.

A abertura endodôntica não é imutável. Os acessos endodônticos podem ser modificados em diferentes situações clínicas como: incisivos inferiores ou superiores com muito desgaste incisal, dentes anteriores com rizogênese incompleta que precisem de um tratamento de tampão apical com biocerâmico reparador, dentes que apresentam mais canais ou raízes que o normal e que necessitam uma abertura maior para acessarmos todos os canais, dentre outros.

Importante também, avaliarmos como procedimentos prévios a abertura endodônticas, as curvaturas radiculares, remoção de cáries e restaurações, remoção de tecidos cariados, tártaro e tecidos hiperplásicos, alisar as superfícies pontiagudas, obter  um ponto de referencia estável e estabelecer a área de eleição.

Os objetivos da abertura coronária são:

  1. Remover o teto da câmara pulpar.
  2. Remover todo o tecido pulpar coronário.
  3. Localizar todos os orifícios do canal radicular.
  4. Acesso direto ao forame.
  5. Respeito a assoalho da câmara pulpar.

Os materiais usados para o acesso inicial em dentes geralmente são brocas diamantadas esféricas 1012, 1014 ou 1016. Para os profissionais com mais experiência indica-se estas mesmas numerações de brocas, porém com haste longa. O cuidado com estas brocas mais cumpridas, justamente é para que não haja um desgaste excessivo e que possa levar a uma perfuração em um local indesejado. Outra questão é, que se você somente tiver estas brocas de haste longa em sua clínica, pode usar com cursores ou stops de borracha medidos com régua de acordo com a distancia que quer fazer sua perfuração.

Para acessos em porcelana, se você tiver dificuldades com as brocas esféricas diamantadas, brocas transmetal e brocas especificas para acesso de zircônia podem ser indicadas para estes acessos. Lembrando que sempre tanto em coroas protéticas como em dentes, o acesso deve ser feito com brocas novas e irrigação abundante para não sobreaquecer os dentes. Quando fizermos aberturas em coroas protéticas, sempre importante avisar o paciente que estas coroas podem lascar ou fraturar.

Após o acesso a câmara pulpar, realizamos a forma de contorno com as brocas em alta rotação com refrigeração tronca cônicas com pontas inativas como a 3081, 3082, 3083, ENDO Z, 4081, 4083, dentre outras. Estas brocas podem ser apoiadas no assoalho, sem o risco de causar danos. O cuidado que temos que ter com elas é não desgastar a incisal e vestibular dos dentes quando em uso.

A forma de conveniência ou desgaste compensatório é a conformação final da abertura coronária. Pode ser considerada parte da forma de contorno. Ela é obtida por meio de desgastes compensatórios para: Remover as projeções dentinária, regularizar as paredes laterais da câmara pulpar e das entradas dos canais radiculares, obter a divergência das paredes para a oclusal e simplificar a instrumentação e obturação dos canais radiculares. Podem ser feitas com brocas gates glidden, brocas CPdrill, Triple Gattes dentre outras e até as próprias limas rotatórias ou reciprocantes usadas para os preparos dos canais.

A seguir temos uma cartilha do resumo que você precisa saber sobre o acesso aos grupos dentários.

Abertura endodôntica Abertura endodôntica

Se você tiver dúvidas ou quiser conversar com a gente, será um prazer te responder pelo instagram @milenaperraro.

Beijos e até a próxima.

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