Você acabou de se formar, está pronto para atender pacientes e aí surge a dúvida: como regularizar minha situação profissional? Abrir um CNPJ é um dos primeiros passos para quem quer trabalhar com segurança jurídica, pagar menos imposto e ter acesso a uma série de benefícios que o dentista autônomo simplesmente não tem.
Neste guia, você vai entender as principais estruturas jurídicas disponíveis para dentistas, como MEI, Microempresa (ME) e sociedade simples, além de descobrir qual regime tributário faz mais sentido para o seu perfil. Tudo explicado de forma direta e sem complicações.
Por que abrir um CNPJ como dentista?
Trabalhar como pessoa física até pode funcionar no início, mas traz custos tributários altos. O dentista autônomo que emite recibo está sujeito ao INSS de 20% sobre cada serviço prestado mais o Imposto de Renda na tabela progressiva, que pode chegar a 27,5%.
Ao abrir um CNPJ, você passa a ser tributado como empresa, o que geralmente representa uma economia tributária significativa. Além disso, ter CNPJ permite:
- Emitir nota fiscal eletrônica de serviços
- Trabalhar com convênios odontológicos que exigem PJ
- Ter conta bancária jurídica com condições diferenciadas
- Separar as finanças pessoais das profissionais
- Construir histórico creditício como empresa
- Contratar funcionários com mais facilidade
MEI: o dentista pode ser Microempreendedor Individual?
Essa é uma das perguntas mais frequentes de quem acabou de se formar, e a resposta é não. O MEI é uma categoria destinada a atividades específicas listadas pelo governo, e a odontologia não consta nessa lista. Isso porque a profissão é regulamentada pelo Conselho Federal de Odontologia (CFO), o que impede o enquadramento como MEI.
Portanto, se alguém te indicar abrir um MEI para exercer a odontologia, cuidado: além de irregular, pode gerar problemas com o CFO e com a Receita Federal.
Microempresa (ME): a opção mais comum para dentistas que estão começando
A Microempresa é a estrutura mais utilizada por dentistas que trabalham em consultório próprio ou em parceria, com faturamento anual de até R$ 360 mil. É uma pessoa jurídica de direito privado que pode ser constituída como empresa individual ou sociedade.
As principais vantagens da ME para dentistas são:
- Possibilidade de enquadramento no Simples Nacional
- Carga tributária mais baixa do que na pessoa física
- Facilidade de abertura e manutenção
- Permite pró-labore, o que é vantajoso para o planejamento financeiro pessoal
Dentro da ME, o dentista pode optar por ser empresário individual (apenas uma pessoa como titular) ou constituir uma Sociedade Limitada Unipessoal (SLU), que oferece proteção patrimonial separando os bens pessoais dos bens da empresa.
Sociedade Simples: a escolha quando há dois ou mais dentistas
Quando dois ou mais profissionais se unem para montar uma clínica ou consultório compartilhado, a estrutura mais adequada costuma ser a Sociedade Simples. Esse tipo de pessoa jurídica é específico para profissões intelectuais e regulamentadas, exatamente o caso da odontologia.
A Sociedade Simples tem algumas características importantes:
- Cada sócio responde com seus bens pessoais em caso de dívidas (diferente da Ltda.)
- Deve ser registrada no Cartório de Registro Civil de Pessoas Jurídicas, e não na Junta Comercial
- O contrato social define a participação de cada sócio e as regras de funcionamento
- Pode se enquadrar no Simples Nacional, dependendo do faturamento
Caso os sócios queiram mais proteção patrimonial, é possível constituir uma Sociedade Limitada (Ltda.), onde a responsabilidade de cada sócio fica limitada ao capital social integralizado.

Comparativo rápido: qual estrutura escolher?
Para facilitar a visualização, confira abaixo um resumo das principais estruturas jurídicas disponíveis para dentistas, com as características de cada uma e para qual perfil cada opção é mais indicada.
| Estrutura | Faturamento máximo | Para quem é indicada? |
| MEI | Não permitido | Dentistas não podem usar |
| Empresário Individual / SLU | Até R$ 360 mil/ano (ME) ou mais | Dentista solo, fatura menor |
| Sociedade Simples | Sem limite (mas faturamento define o regime) | Dois ou mais profissionais |
| Sociedade Limitada (Ltda.) | Sem limite | Clínica com sócios e mais proteção |
Qual regime tributário escolher após abrir o CNPJ?
Abrir o CNPJ é só o primeiro passo. Logo depois, vem outra decisão igualmente importante: em qual regime tributário o seu negócio vai se enquadrar? Existem três opções principais: Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real.
Simples Nacional
O Simples Nacional é o regime mais simples operacionalmente, com pagamento unificado de tributos por meio do DAS (Documento de Arrecadação do Simples). É destinado a empresas com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões.
Para serviços odontológicos, a alíquota começa em torno de 6% sobre o faturamento, mas pode aumentar conforme a receita cresce. É geralmente a opção mais vantajosa para quem está começando com faturamento menor.
Lucro Presumido
No Lucro Presumido, a Receita Federal presume que o lucro da empresa é 32% do faturamento bruto para serviços de saúde. Os principais impostos são IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Costuma ser mais vantajoso quando o faturamento mensal está acima de um determinado patamar e o Simples se torna mais caro.
Lucro Real
O Lucro Real tributa o dentista sobre o lucro efetivo da empresa, após dedução de todas as despesas. É mais complexo e exige contabilidade detalhada. Pode ser vantajoso em casos específicos, como clínicas com despesas operacionais muito altas.
Para entender melhor a diferença entre Lucro Real e Lucro Presumido e descobrir qual faz mais sentido para o seu perfil, confira nosso artigo completo: Lucro Real ou Lucro Presumido para dentistas?.
Passo a passo para abrir o CNPJ como dentista
O processo de abertura do CNPJ pode parecer burocrático, mas seguindo os passos certos é bastante tranquilo. Veja o caminho:

👉 Vale reforçar: o registro no CRO é indispensável para que a pessoa jurídica possa funcionar legalmente como prestadora de serviços odontológicos. Sem ele, a empresa não pode emitir notas fiscais de serviços odontológicos nem operar em conformidade com as normas do CFO.
E o Imposto de Renda? Como fica depois que você abre o CNPJ?
Depois de formalizar a sua empresa, uma dúvida muito comum é: como declarar o Imposto de Renda? A resposta depende do seu regime tributário e de como você retira os recursos da empresa (pró-labore, distribuição de lucros, etc.).
Para entender exatamente como funciona a declaração, quais rendimentos precisam ser informados e como evitar problemas com a Receita Federal, leia nosso guia completo: Imposto de Renda para dentistas: guia completo para autônomos, CLT e donos de clínicas.
Dúvidas frequentes de dentistas que estão abrindo CNPJ
Preciso ter consultório próprio para abrir um CNPJ?
Não necessariamente. Você pode abrir uma empresa mesmo que ainda atenda em clínicas de terceiros como profissional autônomo. O importante é que o objeto social da empresa reflita a atividade que você de fato exerce.
Posso ter mais de um CNAE?
Sim. Você pode incluir CNAEs secundários para atividades complementares, como harmonização orofacial (quando realizada pelo dentista), por exemplo. Converse com seu contador sobre quais fazem sentido para o seu perfil.
Qual é o custo mensal de manter um CNPJ?
Os custos variam conforme o regime tributário, os impostos devidos e os honorários do contador. Em geral, para uma ME no Simples Nacional com faturamento inicial, os custos fixos mensais (DAS + contador) costumam ficar entre R$ 200 e R$ 600. Mas esses valores mudam bastante dependendo da cidade e do nível do serviço contábil.
Posso distribuir lucros sem pagar IR?
Sim, desde que a contabilidade esteja em dia e os lucros sejam devidamente apurados. A distribuição de lucros é isenta de IR para o sócio, diferentemente do pró-labore, que é tributado. Por isso, a forma como você retira recursos da empresa faz diferença na carga tributária total.
Conclusão: qual é o melhor caminho para você?
Não existe uma resposta única para todos os dentistas. A estrutura jurídica e o regime tributário ideais dependem de fatores como faturamento esperado, se você vai trabalhar sozinho ou com sócios, quais são seus custos operacionais e seus objetivos de longo prazo.
De forma geral, o caminho mais comum para dentistas que estão começando é:
- Abrir como Microempresa (SLU ou Empresário Individual) se for atuar solo
- Optar pelo Simples Nacional como regime tributário inicial
- Registrar a empresa no CRO antes de começar a emitir notas
- Contar com um contador especializado em saúde para revisar as escolhas periodicamente
O mais importante é não postergar essa formalização. Atuar como autônomo sem CNPJ por muito tempo pode custar caro no final das contas, tanto em impostos quanto em perda de oportunidades no mercado.
E se quiser continuar se aprofundando nas questões financeiras e tributárias da sua carreira, confira também nosso conteúdo sobre como funciona o Imposto de Renda para dentistas e a comparação entre Lucro Real e Lucro Presumido para entender qual regime tributário pode fazer mais sentido para o crescimento do seu negócio.
Nota: Este artigo tem caráter informativo e não substitui a orientação de um contador ou advogado especializado em direito empresarial e tributário. Consulte um profissional antes de tomar decisões sobre a estrutura jurídica do seu negócio.

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