A importância das tecnologias 3D na Ortodontia

Para contar a vocês sobre a importância das tecnologias em 3D na Ortodontia, falarei um pouco da minha própria experiência acadêmica com algumas dessas inovações.

Lembro-me muito bem quando estava no ano de 2009, iniciando meus estudos na Especialização em Ortodontia na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Nessa época, as tomografias computadorizadas de feixe cônico (TCFC), das mais indicadas para o uso odontológico, já estavam disponíveis para qualquer Ortodontista nos centros de radiologia.

Os Ortodontistas poderiam utilizar, de forma importante, as TCFC?

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(Planejamento orto-cirúrgico virtual com o uso de TCFC. Fonte: www.encurtador.com.br/afgD3)

Essa pergunta deu origem ao meu trabalho de conclusão de curso de Especialização em Ortodontia (TCC). Ele teve como objetivo, mais especificamente, avaliar se as imagens em 3D poderiam modificar o plano de tratamentos de Ortodontistas, que avaliavam casos clínicos com caninos superiores impactados.

Resumidamente, posso dizer que os resultados do meu trabalho demonstraram que uma grande parte dos ortodontistas modificou seus planos de tratamento ortodônticos ao se depararem com informações em 3D que se somavam à documentação ortodôntica tradicional desses pacientes.

Assim, ficava evidente que, nessa época, há mais de 10 anos, as novas tecnologias já poderiam influenciar profundamente a especialidade de Ortodontia. Dessa forma, não poderíamos mais fechar os olhos para os avanços da ciência.

Tecnologias 3D na Ortodontia: Scanners

Pouco tempo depois, em 2011, eu decidi continuar os meus estudos sobre as tecnologias 3D e seu impacto na rotina clínica dos ortodontistas. Nesta fase, eu já estava no Mestrado em Ortodontia (UERJ) e decidi pesquisar a acurácia de dois tipos de scanners utilizados na Ortodontia a fim de criar um modelo em 3D da arcada do paciente.

Um desses scanners tratava-se de um scanner de modelos de gesso ou de moldagens (ele poderia criar um modelo 3D a partir do escaneamento de um modelo de gesso do paciente) e o outro era um scanner intraoral.

O objetivo da minha dissertação foi avaliar a acurácia desses dois tipos de métodos de criação de modelos digitais do paciente. Portanto, comparei algumas medidas interdentárias realizadas no paciente com as medidas realizadas nos modelos digitais criados pelos dois diferentes métodos pesquisados.

Bem, os resultados da minha pesquisa de Mestrado sobre os modelos tridimensionais dos pacientes demonstraram que, apesar de existirem diferenças significativas entre as medições, elas não foram clinicamente relevantes. Além disso, provavelmente não influenciariam o diagnóstico sobre o caso clínico, bem como não afetariam o planejamento ortodôntico desses casos.

Finalizei o Mestrado em 2014 e a literatura científica corroborava com meus achados, trazendo os scanners intraorais de variadas marcas como boas alternativas aos modelos tradicionais feitos de gesso a partir de uma moldagem do paciente. Porém, ainda eram pouco acessíveis, economicamente falando. Ademais, era difícil justificar esse investimento para um ortodontista que já estava habituado a utilizar modelos de gesso.

Inovação em tempo real

Atualmente, a realidade é outra para a Ortodontia. Enquanto eu escrevo este texto, considero que o escaneamento intraoral foi uma grande inovação e que chegou para mudar a rotina clínica do ortodontista de várias maneiras, de forma que proporciona uma facilidade de armazenamento das informações do paciente, facilita a comunicação entre profissionais e permite que o ortodontista realize um setup virtual dos seus casos.

Essa última vantagem, aliás, é a que permite realizar planejamento ortodônticos virtuais, possibilitando a produção de alinhadores estéticos, uma tendência na Ortodontia. Então, é preciso entender que algumas tecnologias chegam para mudar de vez uma profissão. No caso da Ortodontia, chegam para mudar de uma vez por todas uma especialidade.

Como todo novo conhecimento, é preciso para todos os ortodontistas, formados há mais ou menos tempo, uma curva de aprendizado, muito estudo e dedicação. A rotina não chega de uma vez para o ortodontista. Assim, é preciso um amadurecimento clínico e científico para que os novos recursos possam ser adequadamente aproveitados.

Comente aí embaixo o que achou do artigo!
Abraços e até breve!

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Referências

LOIOLA, Marlos. Utilização de recursos 3D na rotina ortodôntica. 2019. Disponível em: http://www.ortodontiacontemporanea.com/2019/04/utilizacao-de-recursos-3d-na-rotina.html. Acesso em: 19 jan. 2021.

Camardella LT, Vilella OV. Modelos digitais em Ortodontia: novas perspectivas, métodos de confecção, precisão e confiabilidade. Rev Clín Ortod Dental Press. 2015 abr-maio;14(2):76-84.

Camardella LT, Ongkosuwito EM, Waard O, Breuning KH. A utilização do fluxo de trabalho digital no tratamento ortodôntico e orto-cirúrgico. Orthod. Sci. Pract. 2015; 8(31):305-314.

Comentários

1 comentário
  1. Bom dia.
    Aposentei-me a pouco mais de 1 ano na Ortodontia, não atendo mais. Entendo que estas informações são extremamente necessárias para quem faz Ortodontia com amor como eu sempre tentei fazer. Acredito que o profissional, como sempre, precisa estar atualizado e preparado para realizar estes procedimentos para e isto virá com a realização de cursos ao vivo ou pela Internet. Assim ele atingirá a curva de aprendizado adequada a que se propõe. É muito importante que escolha cursos adequados e Pertinentes à Ortodontia Moderna.

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