Atualidades em odontologia estética direta

É com bastante alegria e honra que escrevo esta primeira coluna para o blog da Dental Cremer. Como cirurgião-dentista, formado há quase vinte anos, minha ideia é compartilhar alguns conceitos e novidades da odontologia estética. Além de tudo, reflexões quanto à evolução e mudanças de nossa profissão, bem como os impactos e aplicabilidades no Brasil.

Minha formação e atuação profissional dirigiram-se fundamentalmente à dentística restauradora. Clinicamente e cientificamente, foram as restaurações diretas que mais me atraíram. Atualmente, estou envolvido no ensino da área de Prótese e Reabilitação, área que pode ser considerada irmã da operatória dental. É fundamental que o profissional que atue nessas duas áreas, especialista ou não, compreenda que a odontologia estética moderna permite muito mais possibilidades dos que as que tínhamos à nossa disposição há dez ou vinte anos atrás.

Onde traçamos a linha que separa prótese e dentística?

Até alguns anos atrás, na época das restaurações metálicas de amálgama e das coroas metalo-cerâmicas, essa separação era mais fácil de ser percebida. Hoje, na época das facetas, onlays e CAD-CAMs, torna-se cada vez mais difícil determinar onde uma termina e a outra começa.

Outro exemplo de área que mudou muito é a Endodontia. As técnicas endodônticas de hoje são bem diferentes daquelas ensinadas vinte anos atrás. Além disso, com toda a evolução das técnicas de implantes, muitas vezes pode ser questionável a necessidade de se resgatar um dente por meio da Endodontia. Talvez “substituí-lo” por um implante possa ser a melhor ideia. O termo substituí-lo está entre aspas porque esse é justamente o tema desta primeira coluna: como escolher a melhor opção de tratamento.

Sendo um país continental, o Brasil apresenta realidades sócio-econômicas distintas, e não há dúvidas de que isso deve ser levado em conta em nossos diagnósticos e planos de tratamento. Muitas vezes, nossa formação deu mais importância à execução do que ao diagnóstico e planejamento do trabalho restaurador. Em outras palavras: em geral, fomos bem treinados a realizar o tratamento, mas lamentavelmente, fomos mal capacitados a escolher o melhor deles, tendo em vista a promoção de saúde do paciente.

É importante entender que as novas tecnologias em odontologia estética não são necessariamente melhores apenas porque são novas.

Coroas metalo-cerâmicas tem um histórico de muitas décadas, por isso são extremamente confiáveis. Minha opinião é que devemos considerar, assim como novas tecnologias, em nossos planos de tratamento. Entretanto, apesar de toda sua história, isso não significa que outras opções mais modernas e menos invasivas não sejam a melhor opção.

Ou então: o melhor dentista não é o que melhor sabe reconstruir um dente, ou o que utiliza os melhores e mais modernos materiais. O melhor dentista é aquele que melhor sabe tratar seu paciente de maneira honesta e conservadora.

Pode soar petulante imaginarmos que materiais artificiais, resinas ou cerâmicas, sejam superiores ao dente. Vivemos uma época de ouro na Odontologia. Dispomos de diversas opções de tratamento a oferecer para nossos pacientes. Deixo o convite a todos para nos reencontrarmos nesse espaço futuramente, onde irei discutir sobre técnicas, novidades e filosofias. Em frente!

Sobre o autor:

Dr. Rafael S. Beolchi

  • Atua em consultório particular desde 2001 na área de odontologia estética.
  • Mestrado em Biomateriais pela USP.
  • Professor responsável por Cursos de Atualização em Estética com Resinas Compostas
  • Diretas em institutos nacionais e internacionais.
  • Pesquisador associado do departamento de Dentística da Universidade de São Paulo.

 

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