Ortodontia

Bráquetes autoligados são a melhor opção?

Bráquetes autoligados são a melhor opção?
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A ortodontia avançou muito ao longo dos anos, principalmente quando se trata de inovações cientificas. Nos tratamentos, esse cenário não foi diferente. Apesar de o uso dos bráquetes autoligados serem recentes, não são considerados inovação na Ortodontia, sendo citado pela primeira vez por Stolzenberg, em 1935. Apesar disso, ganharam enorme notoriedade nos tempos atuais devido a facilidade no acesso às informações.

Desde 1935, Russel descreveu na literatura que o uso de amarrilhos para fixação do arco era dispensável na Ortodontia. Nesse sistema, o arco era fixado e pressionado dentro da canaleta dos bráquetes Edgewise por um parafuso. Desta forma, há mais de 70 anos, essa compreensão já fazia parte do conceito ortodôntico. Mas, em função do alto custo e fragilidade das peças devido às limitações de fabricação, não se popularizou. Somente em 1972, surgiu outro dispositivo, idealizado por Wildman e chamado Edgelok (Ormco Corp., EUA), que apresentava uma tampa por vestibular para fechar a canaleta do bráquete.

Mas, quais são as vantagens dos bráquetes autoligados?

Para um tratamento ortodôntico produtivo, desenvolveu-se a biomecânica ortodôntica de deslize. Resumidamente, quanto mais baixo o atrito existente entre os bráquetes e fios ortodônticos, mais facilmente ocorre a movimentação dentária. Assim, surgiram os aparelhos autoligados que eliminam a necessidade da instalação de ligaduras elásticas para amarrar os fios nos bráquetes.

Foram desenvolvidos com o objetivo de ser um sistema com menor atrito, o que pode proporcionar uma mecânica de deslizamento e alinhamento mais eficientes. Por consequência, tornando o movimento dentário mais rápido e proporcionando diminuição no tempo de tratamento. Dentre as principais vantagens constatadas pelos bráquetes autoligados em relação aos convencionais incluem:

  • Redução do nível de atrito;
  • Diminuição da magnitude de força e aumento da velocidade da movimentação dentária;
  • Bom controle dos movimentos dentários;
  • Redução da necessidade de extrações para alinhamento da arcada;
  • Não utilização de ligaduras elásticas;
  • Maior intervalo entre as consultas de manutenções;
  • Redução do tempo de atendimento e tratamento;
  • Simplicidade de ligação e liberação do arco;
  • Inteira ligação do arco em todos os momentos diminuição de retenção de placa bacteriana e maior facilidade de higienização.

Contudo, serão necessárias mais análises dos pesquisadores para podermos verificar quão grande é o grau do aumento da eficácia dos aparelhos autoligados.

A mecânica proporciona a agilidade no procedimento?

Em um estudo sobre “Avaliação do atrito em bráquetes autoligáveis submetidos à mecânica de deslizamento: um estudo in vitro” da Mariana Ribeiro Pacheco e colaboradores, verificou-se que todos os bráquetes autoligáveis examinados apresentaram considerável diminuição no atrito com o fio 0,018". Assim, podendo ser considerado uma alternativa para minimizar os resultantes indesejáveis do atrito, observados com os bráquetes convencionais.

Portanto, quando é empregada a mecânica de deslizamento e avaliados com fios retangulares, os bráquetes autoligáveis ativos apresentaram atrito significativamente maior do que aqueles considerados passivos. E, com toda certeza, proporcionando resultados estatisticamente similares aos dos bráquetes convencionais com fios de mesmo calibre.

Bônus: curiosidade em relação custo benefício

Fiz uma breve pesquisa no site da Dental Cremer com o propósito de comparar os valores de cada material utilizado no procedimento ortodôntico.

*Valores pesquisados no site no dia 28/08/2019 (pode sofrer variações)

Foi possível verificar um custo menor em relação ao aparelho autoligado. Porém, quando falamos em resultados, podem ser mais rápidos pois as consultas ortodônticas, em geral, ocorrem a cada dois meses. Associado à uma mecânica de tratamento com menos incomodo em relação a aparelhos convencionais. Além disso, proporciona praticidade para o especialista somado ao maior conforto para o paciente.

Os bráquetes autoligados têm sido apresentados como um diferencial para o ortodontista que procura oferecer um tratamento de excelência no menor tempo possível e com número mínimo de consultas.

Portanto, quando associados ao uso de fios termoativados, permitem ao profissional a obtenção de excelentes resultados, sem a necessidade de extração de pré-molares, além de propiciarem uma força leve e contínua para movimentação dentária, gerando baixo nível de atrito e resultando em um tratamento finalizado em um menor período de tempo.

 

Bibliografia

1. Avaliação do atrito em braquetes autoligáveis submetidos à mecânica de deslizamento: um estudo in vitro. Mariana Ribeiro Pacheco; Dauro Douglas Oliveira; Perrin Smith Neto; Wellington Correa Jansen. Dental press j. Orthod. Vol.16 no.1 maringá jan./feb. 2011.

2. Braquetes autoligáveis – futuro da ortodontia?. Marcos A. Lenza. Rev. Dent. Press Ortodon. Ortop. Facial vol.13 no.6 maringá nov./dec. 2008.

3. Braquetes autoligados: eficiência x evidências científicas. Renata castro. Rev. Dent. Press ortodon. Ortop. Facial vol.14 no.4 maringá july/aug. 2009.

4. Mudança de paradigmas na utilização de forças em ortodontia com o uso de aparelhos autoligados . André Trevisi Zanelato; Adriano César Trevisi Zanelato; Reginaldo César Trevisi Zanelato. Revista ortodontiaspo 2013.v46n3.páginas: 269-74.

5. Autoligado: a eficiência do tratamento Ortodôntico. Ana Isabella Estel; Bruna Ferreira Gardin; Renata Cristina Gobbi de Oliveira; Ricardo César Gobbi de Oliveira; Sandra Oliveira Torchi. V. 25 n. 1 (2016): revista uningá review.

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