Cimentos de Ionômero de Vidro na Odontologia Reparadora

A Odontologia restauradora tem como objetivo principal a preservação da estrutura dental sadia e recompor o tecido perdido. Portanto, a reconstrução dos tecidos dentais perdidos seja por processo carioso, fratura ou qualquer outro fator que gere a perda, deve ser executada com técnicas restauradoras corretas. Além disso, deve-se utilizar materiais que auxiliem nesse processo. Dentre esses materiais, os que mais se destacam, pelo caráter terapêutico, são os Cimentos de Ionômero de Vidro.

Os Cimentos de Ionômero de Vidro chegaram no mercado em 1975, passando depois por sucessivos desenvolvimentos até chegar nas formulações de hoje em dia. Atualmente, a sua classificação se dá de acordo com sua indicação de uso.

  • Cimentação – Tipo I
  • Restauração – Tipo II
  • Forração (selante) – Tipo III

Quando usar o Cimento de Ionômero de Vidro (CIV)?

As indicações clínicas para o uso do cimento Ionoméricos são amplas, porém, se destacam pelo uso como protetor do complexo dentino pulpar. Pois, a dentina e a polpa são fundamentais para a manutenção da vitalidade dental.

A polpa proporciona nutrição à dentina através dos prolongamentos odontoblásticos e quando ela sofre injuria ou irritação mecânica, térmica, química ou bacteriana, desencadeia uma reação de efetiva proteção. Essa reação defensiva é caracterizada pela formação de dentina reparadora.

Portanto, sempre que houver perda de estrutura, quer seja por cárie e sua remoção, ou fraturas, erosões ou abrasões, o dente deve ser restaurado. É necessário, no entanto preservar a vitalidade do complexo dentino/pulpar por meio de adequada proteção.

Como é feita a sua manipulação?

Para realizar a manipulação é necessário ter:

  • Colher dosadora do sistema ionomérico que você vai utilizar, exclusivamente.
  • Blocos de papel para manipulação (Faces brilhosas do bloco) ou uma placa de vidro.
  • Espátula de plástico ou metálica, para manipulação do Ionômero de Vidro.
  • E claro, o produto propriamente dito.

Recomenda-se que a manipulação seja feita com a espátula de plástico e bloco de papel, para que as partículas de vidro arranhem e desprendam outras partículas da placa de vidro, assim como desprendam íons metálicos da espátula metálica, que possam ambos, interferir nas propriedades do cimento ionomérico que está sendo manipulado.

Abaixo, confira o passo-a-passo da sua aplicação:

  1. Agite levemente o frasco que contém o pó, até ficar bem solto.
  2. Retire o pó com a colher medidora e utilize a tampa interna do plástico para retirar os excessos.
  3. Despeje o pó no bloco e adicione o líquido (Deixe o frasco do líquido na posição vertical para evitar bolhas de ar na medida).
  4. Separe metade do pó e coloque aos poucos ele em contato com o líquido e depois misture com a outra metade.
  5. Por fim, para saber se o cimento está pronto, verifique se ele está brilhoso e se forma o fio quando prensado contra e espátula no bloco.

Quais são as vantagens do uso dos cimentos de Ionômero de Vidro?

As caraterísticas favoráveis dos cimentos de ionômero de vidro as transformam em vantagens e indicações para sua utilização. São elas:

  • Liberação de flúor (ação anticariogênica);
  • Boa adesão a estrutura dental;
  • Coeficiente de expansão térmica do ionômero vidro é baixo e próximo aos valores da estrutura dentária.

Os Cimentos de Ionômero de Vidro também possuem outros usos clínicos, como: material de escolha para restaurações pela técnica restauradora atraumática e restaurações provisórias e até definitivas em dentes em processo de esfoliação. Ademais, desempenham o papel de selantes de fóssulas e cicatrículas e cimentação de peças protéticas.

Desvantagens do uso de CIV

A versatilidade desse material esbarra em algumas desvantagens, por exemplo, a diminuição em seu uso clínico, e como consequência sua limitação estética e mecânica em relação às resinas compostas, fragilidade e resistência mecânica inferior.

Atualmente, deseja-se utilizar um único material para restaurar a cavidade com eficiência e que mantenha as características biológicas do dente. Embora muitos materiais possuam vários dos requisitos necessários, ainda não existe um material que possua todas as características juntas e a eficiência da dentina com relação à proteção dada ao tecido pulpar.

Portanto, é importante a escolha de um material biocompatível para proteção eficiente do complexo dentinopulpar, e hoje, o Cimento de Ionômero de Vidro ainda tem seu lugar de destaque.

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