Como seguir carreira acadêmica em Odontologia?

Por onde começar? Dicas para quem quer seguir carreira acadêmica, onde encontrar os melhores artigos da área, habilidades que devem ser desenvolvidas.

Nem sempre é fácil decidir o que se quer ou que caminho seguir após o término da faculdade. Para alguns, é mais tranquilo, por terem referências ou por traçarem objetivos com muita antecedência. Para outros, demanda mais tempo e escolhas. Porém, vou mostrar neste post para vocês que o quanto antes vocês souberem para onde querem seguir após a formatura, melhor, para que haja tempo hábil de preparação e crescimento. Mas, fica tranquilo, que eu vou te dar algumas dicas de como entender para onde seguir.

Após a formatura em Odontologia, temos algumas escolhas profissionais a serem feitas

Dentre elas, é possível “correr para o abraço” e se inserir no mercado de trabalho (seja em algum consultório da família, algum espaço já conhecido ou entregando currículos para buscar oportunidades. Além disso, também podemos continuar nossa formação, nos especializando na área de interesse, partindo para residências ou cursos de curta duração como imersões ou aperfeiçoamentos. Por fim, e como tema de interesse do post de hoje, podemos também seguir carreira acadêmica/científica, quando decidimos por ingressar em um programa de pós-graduação stricto sensu de mestrado e, a posteriori, doutorado.

Esse artigo é para você, então, que leu até aqui e já pensou em fazer mestrado. Ou mesmo para você que já se viu como professor, que curte pesquisa científica, ou as duas coisas. E pra você que quer entender um pouco mais sobre isso, até para entender se é algo a se pensar, ou se é hipótese descartada na sua cartela de sonhos.

Você sabe para que serve o mestrado na carreira acadêmica?

O mestrado forma professores. Portanto, se você não se vê como professor ou não tem interesse de ser professor, não faz sentido seguir neste pensamento. Talvez seja mais indicado realizar algum curso prático/clínico, como a própria especialização ou imersões. Entenda: o mestrado já é difícil por si só, mesmo para quem gosta. Imagine ter o título sem serventia, se não pretende lecionar? Não caia nesta besteira.

Existem dois tipos de mestrado

Existe o mestrado acadêmico e o mestrado profissionalizante. O mestrado acadêmico, ao qual eu estou me referindo ao longo deste artigo e o qual eu cursei, é normalmente oferecido por universidades públicas, de maneira gratuita, e a admissão é feita por processo seletivo.

Esse processo seletivo varia em quantidade e forma das etapas, que podem incluir prova escrita, prova de proficiência em língua estrangeira, títulos, entrevistas, projeto de pesquisa, entre outros. Ele possui carga horária teórica (ou seja, você tem aulas de algumas disciplinas) e é necessário desenvolver um projeto de pesquisa do início ao término, para apresentação ao final do curso. A este trabalho final, chamamos de dissertação.

A duração do mestrado é de 1 a 2 anos, podendo ser prorrogado eventualmente sob justificativa pertinente. Já o mestrado profissionalizante normalmente é oferecido por instituições privadas, é pago, também tem carga horária teórica, também se desenvolve um projeto, mas o interesse é em uma extensa execução prática na área (no caso da odontologia, envolve muitos atendimentos clínicos também).

Porém, vale um alerta: nem todos os concursos públicos universitários, principalmente em universidades públicas, admitem o título de mestre para os alunos que cursaram mestrado profissionalizante. Pode ser um título não considerado ou considerado com menor pontuação.

E o doutorado na carreira acadêmica?

Do mesmo modo que o mestrado forma professores, o doutorado forma pesquisadores. Segue a mesma ideia do mestrado acadêmico, com carga horária teórica mais extensa (mais disciplinas) e o projeto de pesquisa precisa necessariamente resultar em achados originais.

Ou seja, no final do doutorado, sua pesquisa precisa oferecer para a ciência alguma descoberta, mesmo que mínima ou muito específica. Tem a duração de 4 anos, com possível prorrogação. Um detalhe legal de ser lembrado: é possível cursar o doutorado sem ter feito mestrado (doutorado-direto). Algumas universidades prevêm este tipo de ingresso, diante de alguns pré-requisitos, como publicações e titulações relevantes.

Portanto, não quer dizer que necessariamente precise seguir a ordem: graduação, especialidade, mestrado e doutorado. Estas formações são flexíveis e independentes entre si.

Certo, após compreender estes conceitos e se você permanece interessado em saber mais sobre o assunto, continue a leitura. Aqui você irá receber algumas dicas quanto à preparação para o ingresso na carreira acadêmica em odontologia, seja para o mestrado, para o doutorado ou ambos.

01 – Fortaleça o seu currículo, o quanto antes!

Isso significa que, a maioria dos processos seletivos stricto sensu terá como parte avaliativa a sua nota de títulos. Portanto, várias coisas podem incrementar o seu currículo como, por exemplo, o desenvolvimento de pesquisas em iniciação científica, participação em projetos de extensão, publicação de artigos científicos, participação de cursos na área, participação de congressos científicos (como ouvinte e, principalmente, como apresentador de trabalhos), premiações, especializações, atualizações, imersões, estágios, entre outras coisas.

Portanto, a dica de ouro é: não se limite a realizar somente as suas disciplinas da graduação. Procure, também, realizar atividades extracurriculares.

02 – Fique de olho em editais anteriores do curso almejado.

Isso porque o processo seletivo de uma instituição para outra varia muito e você precisa se preparar de maneira mais específica. Por exemplo, as atividades que eu citei acima no nosso primeiro tópico, podem contabilizar pontos para uma universidade, mas para outras não. Outro detalhe é: a grande maioria das instituições solicitam no próprio processo seletivo a entrega de um projeto de pesquisa, mas nem todas. A Universidade de Brasília, pelo programa de pós-graduação em Odontologia do qual eu participei, não exigia. Portanto, você precisa saber o que é necessário e o que não é para a sua instituição de interesse, até para se preparar. Então, acesse o edital de processos anteriores, veja o que pontua e o que não pontua, e foque em incrementar o seu currículo com atividades que pontuem para a instituição pretendida.

03 – Faça contato com seu orientador, demonstre interesse e participe de atividades relacionadas

Muitas instituições também oferecem oportunidade de participação de pessoas externas em disciplinas ou palestras, com o pagamento de alguma taxa. Isso significa que você não precisa esperar ser aprovado no processo seletivo para o mestrado ou doutorado, para procurar se envolver ou cursar algo na própria instituição. Cursar disciplinas como aluno especial ou externo, comparecer à eventos na instituição, participar de palestras e contribuir com serviços de voluntariado, te tornam conhecido entre os professores e esse “networking” é extremamente vantajoso para que você possa conhecer pessoas da área pretendida, entender sobre os projetos desenvolvidos na área e rastrear oportunidades de ingresso. Ser visto! Pois quem é visto, é lembrado. Isso também diz muito sobre seu interesse.

04 – Fortaleça suas habilidades de oratória.

Outro ponto bem importante é: mestrado e doutorado formam professores e pesquisadores, respectivamente. De um modo ou de outro, você precisará investir em suas habilidades de oratória. Isso porque a carreira acadêmica demanda sua participação efetiva em atividades de licenciatura, lecionando aulas, apresentando seminários, discutindo artigos em grupo, e é necessário ser o mais claro e objetivo possível nessas arguições.

Portanto, se você é do time da timidez, não se preocupe. O próprio mestrado ou doutorado te forçam a desenvolver algumas dessas habilidades, pelo excesso de atividades relacionadas. Tudo se aprende. Mas, se for possível adiantar esse treinamento, as coisas se tornam menos dificultosas! Use do espelho para se ver apresentando, grave seus áudios para rastrear termos repetitivos, abuse da sua imaginação para melhorar suas habilidades de conversação.

05 – Tente a carreira acadêmica!

Muitas pessoas desistem sem ao menos tentar. Eu mesma fui bem desincentivada quando manifestei interesse em ingressar no mestrado imediatamente após a graduação. Hoje já não me vejo fazendo outra coisa, que não seja ser professora. O fato é: não se compare com seus adversários, apenas consigo mesmo. Busque melhorar habilidades, como sugeridas nesse artigo. Seja melhor do que ontem, melhor que mês passado e melhor do que um ano atrás, respeitando suas limitações e oportunidades. Não ache que, mesmo gostando daquilo, “não é pra você!”. Você conquistará tudo aquilo que almeja, porque tudo o que você quer… é pra você.

Participe dos processos seletivos para mestrado e doutorado em várias instituições diferentes, para treinamento e autoavaliação em relação aos pontos que precisa melhorar. Não desista na primeira tentativa. Enquanto não for admitido, continue fazendo paralelamente atividades que tornem a incrementar seu currículo. Veja: trata-se de um ciclo. Conhecimento adquirido nunca será perdido, portanto esta fase de otimização de habilidades será de grande valia e resultará em uma grande melhora das suas qualidades profissionais também. Nada é perdido. Mais tempo, menos tempo, dará certo.

Conte comigo, no que eu puder ajudar, estarei à disposição.
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Boa sorte e que você se orgulhe do caminho que percorreu! Super beijo.

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