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Covid-19 e os cuidados para endodontistas

Covid-19 e os cuidados para endodontistas
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Você sabe quais mudanças os endodontistas estão precisando fazer para adaptar os atendimentos em tempos de COVID-19? Algumas regiões do Brasil já estão com os atendimentos eletivos liberados, enquanto outros locais ainda possuem restrições, atendendo apenas casos de urgência. Portanto, antes de entrar em detalhes sobre os atendimentos endodonticos, vamos falar sobre os casos de urgência e emergência.

Quando pensamos em mudanças no cenário odontológico, podemos citar as adaptações que aconteceram há pouco tempo, quando a AIDS ou a conscientização do contágio da Hepatite B entraram em pauta. Nesse momento, os profissionais começaram a utilizar as luvas de procedimento, coisa que antes não era comum.

O que são casos de urgência para os endodontistas?

No enredo  dos atendimentos de urgências para endodontistas, urgência odontológica é quando há uma situação clínica que não pode ser adiada e que deve ser resolvida rapidamente, mas não oferece risco iminente à vida.

 Em sua grande maioria, são casos de doenças que afetam a polpa dos dentes e que causam uma dor aguda muito difícil de suportar. Nesse caso, o diagnóstico deve ser certeiro e precisamos de dados precisos para poder fazer um plano de tratamento o mais correto possível.

É difícil, na odontologia, termos uma emergência. Muitas vezes os termos são confundidos. Emergência odontológica implica em um risco de vida e este deve ser diagnosticado e tratado nos primeiros momentos após sua constatação.

O diagnóstico correto

Para um diagnóstico correto, se tratando de urgências endodônticas, precisamos ter um equilíbrio e domínio emocional diante do paciente. É muito importante que o endodontista tenha amplo conhecimento cientifico das patologias pulpares e experiência para conduzir os casos clínicos que aparecerão.

Caso surja alguma dúvida, não existe problema em conversar com colegas endodontistas para pedir uma opinião. Uma outra dica é SEMPRE escutar o que o paciente tem a dizer. Nunca subestime as informações que só ele pode te dar.

Endodontista, o que fazer quando o paciente chegar?

Quando um paciente senta em sua cadeira,  a primeira coisa a se fazer é seguir as recomendações da Anvisa e pedir para que ele faça um bochecho prévio. Nesse momento utilizamos Peróxido de hidrogênio 1% (15ml por 1 min) seguido de digluconato de clorexidina 0,12 ou ,02% (20ml por 1 min). A literatura respalda o efeito antimicrobiano sinérgico de ambas as soluções enxaguatórias.

No exame clinico, como endodontistas vocês precisam saber qual realmente é o dente que está causando a dor. Para isso, você pode contar com a inspeção visual, testes de sensibilidade, percussão, palpação e profundidade de sondagem. Ambas poderão ser fundamentais para fecharmos o plano de tratamento.

Muitas vezes o paciente não sabe qual é o dente, dessa forma, a nossa experiência como endodontistas é muito importante. Radiografias periapicais nessa etapa são fundamentais e ajudam a complementar o diagnóstico. Se por alguma razão a anatomia for complexa ou a radiografia periapical não for conclusiva, a indicação de uma tomografia computadorizada de alta resolução e FOV (campo de visão) pequeno deve ser indicada.

Quer saber mais sobre as radiografias endodônticas? Confira este artigo aqui.

Depois de correto diagnóstico, anestesiamos o paciente e obrigatoriamente realizamos o Isolamento Absoluto. O Isolamento absoluto evitará, sobremaneira, a contaminação por aerossóis. O  ideal é que o endodontista tenha bomba a vácuo no consultório.

Mais detalhes sobre o atendimento dos endodontistas

Após isso, devemos usar substancias químicas irrigadoras auxiliares. Elas devem ter as melhores propriedades químicas antimicrobianas e de dissolução de matéria orgânica. Dessa forma, a remoção do tecido pulpar ou tecido necrosado é efetiva. Assim, conseguirmos resolver o quadro de dor dos nossos pacientes.

É aconselhado que o tratamento seja feito em sessão única já na primeira consulta. Ou no mínimo, já devemos instrumentar todos os canais em sua totalidade e colocar uma medicação intracanal. Em caso do tratamento ter que ser realizado em mais de uma sessão, importantíssimo realizar a restauração temporária entre sessões com resina composta fotopolimerizável. Assim, teremos a integridade da restauração durante todo o período que antecede a próxima consulta.

Importante agendar os pacientes com um tempo entre consultas para que eles não se cruzem na sala de espera. Além disso, você ainda ganha tempo para limpar e organizar seu ambiente com todos os protocolos necessários para o próximo paciente.  Quer saber mais dicas de biossegurança para esse momento? Confira o novo guia preparado pela Dental Cremer, clique aqui.

Todas as medidas citadas acima são importantes para a proteção dos profissionais, pacientes e familiares.  Cuidem-se.

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  • Milena Perraro

    Confira todos os artigos do(a) Dr(a). Milena
    Doutoranda em endodontia USP Bauru
    Mestre e especialista em endodontia
    Especialista em Implantodontia e Saúde Coletiva e da Família
    Professora de endodontia da graduação Uniavan - Balneário Camboriú
    Professora de pós graduação IOA Style - Balneário Camboriú
    Instagram: @milenaperraro