Se você deseja marcar presença no digital e atrair pacientes por meio das redes sociais, saiba que o sucesso nesse meio exige manter equilíbrio entre o marketing de autoridade e o Código de Ética Odontológica (CEO).
É importante evitar a mercantilização do serviço odontológico, assim como a divulgação de preços de procedimentos, promessas de resultados milagrosos, autopromoção exagerada e outros temas sensíveis.
Quer entender melhor quais práticas devem ser evitadas? Veja, a seguir, os 15 erros mais comuns dos dentistas e como evitá-los ao produzir conteúdo.
O que o CFO proíbe?
1. Postar fotos de sangue ou tecidos biológicos
É proibido divulgar nas redes sociais imagens contendo sangue, tecidos, dentes extraídos, bem como procedimentos cirúrgicos realizados em consultório.
Além de causar um impacto visual negativo ao público das redes, esse tipo de imagem pode ser interpretado como sensacionalista e fere a ética profissional, podendo resultar em notificação pelo CRO, processos ético-disciplinares e advertências.
Lembre-se de que esse tipo de publicação só é permitido em contextos científicos e acadêmicos, como artigos, aulas e congressos.
2. Divulgar preços e modalidades de pagamento
A divulgação do preço e da modalidade de pagamentos configura mercantilização da odontologia, expressamente vedada pelo Código de Ética Odontológica.
Ao publicar nas redes sociais, priorize conteúdos que enfatizem o valor e não o custo dos seus procedimentos, como:
- Explicações sobre o procedimento x ou y;
- Importância do diagnóstico ou procedimento x ou y;
- Como é ser atendido no seu consultório? (foco na experiência).
3. Prometer resultados garantidos
Na odontologia, cada paciente é único, e suas características biológicas também são. Significa que nenhum tratamento pode ter resultados garantidos, e isso precisa ficar claro para o paciente.
Promessas de resultados podem gerar expectativas irreais e, ao mesmo tempo, serem vistas como “propaganda enganosa”, aumentando o risco de passivos jurídicos.
Portanto, comunique com clareza as possibilidades terapêuticas, os benefícios e as limitações de cada tratamento.
4. Publicar “Antes e Depois” sem TCLE
A divulgação de imagens clínicas, incluindo fotos de “antes e depois” do tratamento, só pode ser feita com autorização prévia do paciente ou de seu representante legal.
Isso envolve a assinatura de um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), documento que resguarda o profissional e protege o paciente, garantindo que o uso da imagem foi autorizado.
5. Selfies com pacientes sem autorização formal
Embora seja algo natural nas redes sociais, publicar selfies com os pacientes também exige autorização formal por escrito.
Conforme a Resolução CFO 196/2019, a divulgação da imagem só pode ser feita com autorização prévia por meio de TCLE. O documento deverá ser assinado pelo paciente (ou responsável legal) e arquivado no prontuário.
Sem a devida autorização, esse tipo de exposição pode ser considerado violação da privacidade do paciente e, portanto, acarretar prejuízos ao cirurgião-dentista.
6. Vídeos do transcurso de procedimentos
Mostrar o “passo a passo” técnico de um procedimento pode parecer tentador. Afinal, esse tipo de conteúdo costuma gerar curiosidade e engajamento nas redes sociais.
Mas, vale destacar que essa prática não é permitida pelas normas éticas da Odontologia:
“Fica expressamente proibida a divulgação de vídeos e/ou imagens com conteúdo relativo ao transcurso e/ou à realização dos procedimentos, exceto em publicações científicas.” Art. 3º, CFO 196/2019.
Essa restrição existe para evitar que pacientes sejam expostos de forma inadequada ou que os procedimentos sejam divulgados de forma sensacionalista.
7. Uso de termos sensacionalistas
Falando em sensacionalismo, evite usar certas expressões nas redes sociais, pois elas podem caracterizar uma autopromoção exagerada dos seus serviços.
Alguns exemplos:
- “O melhor”; “único”. Exemplo: “O melhor dentista da cidade”.
- “Imperdível”; “Última chance”. Exemplo: “Tratamento imperdível.”
- “resultado garantido”. Exemplo: “Sorriso perfeito garantido!”.
- “Grátis”. Exemplo: “Primeira consulta grátis”.
Lembre-se de que a comunicação odontológica deve ter, sobretudo, caráter informativo e educativo.
8. Consultas pelas redes socias
Realizar consultas e diagnósticos nas redes sociais por meio de mensagens no direct, stories ou comentários também é proibido e pode configurar infração ética grave.
O diagnóstico odontológico deve ser feito pelo cirurgião-dentista em consulta presencial, incluindo todos os protocolos clínicos necessários, como anamnese, análise clínica e exames complementares.
- O que é permitido? O dentista pode responder dúvidas mais gerais sobre saúde bucal, sempre direcionando o paciente para uma consulta presencial quando houver necessidade de avaliação individualizada.
9. Anunciar especialidades sem registro
O cirurgião-dentista também não pode anunciar ou divulgar nas redes sociais títulos, qualificações e especialidades que não possua, não tenha registro ou que não sejam reconhecidas pelo Conselho de Odontologia.
Práticas desse tipo constituem infração ética, conforme o Código de Ética Odontológica. Portanto, se ainda não tiver a especialidade registrada, utilize apenas o título de clínico geral.
10. Sorteios de tratamentos
Oferecer os serviços odontológicos como brindes, sorteios ou prêmios também é uma prática proibida. Isso não só transforma o tratamento odontológico em um produto promocional, como também pode desvalorizar a classe profissional.
Utilize brindes apenas como ferramenta de fidelização:
- Ofereça escovas de dente personalizadas após a consulta;
- Presenteie os pacientes com kits de saúde bucal;
- Dê brindes para pacientes infantis e reconheça o bom comportamento.
11. Críticas a colegas de profissão
Vídeos de profissionais reagindo a técnicas de outros profissionais são comuns nas redes sociais e podem gerar muitas visualizações. Contudo, esse tipo de exposição pode configurar infração ética.
Vale destacar que a regra não se aplica apenas às redes sociais, mas também no atendimento físico. É importante manter o respeito entre colegas e evitar atitudes que possam prejudicar a própria credibilidade profissional.
12. Uso de equipamentos/instrumentais como destaque
Não divulgue produtos, equipamentos ou instrumentais como forma de atrair clientes por meio de redes sociais.
Ao criar conteúdo, foque nos benefícios para o paciente, priorizando sempre a educação em saúde e informação. O tratamento odontológico não deve depender apenas da tecnologia utilizada.
13. Falta de identificação profissional:
Lembre-se de que toda a publicidade odontológica deve conter:
- Nome do profissional: nome completo.
- Nome da profissão: Cirurgião-dentista.
- Número de Inscrição no CRO.
14. Exposição de pacientes em situações vexatórias
Nunca publique imagens ou vídeos de pacientes que causem qualquer constrangimento. Sejam imagens do tratamento ou vídeos que, nas redes sociais, possam ser considerados “engraçados”, esse tipo de conteúdo exige cautela.
Como cirurgião-dentista, é importante respeitar a privacidade e o bem-estar do paciente, evitando situações que possam ferir sua dignidade.
15. Ignorar o branding na comunicação
Postar apenas conteúdo técnico sem humanização, posicionamento ou identidade também é um erro bem comum.
É claro que existem muitas regras para a comunicação odontológica, mas isso não significa que o cirurgião-dentista não pode ser estratégico nas redes sociais e investir em branding.
Na prática, isso significa:
- Investir em uma identidade visual (logo, cores, fontes);
- Definir seu posicionamento profissional;
- Criar conteúdo educativo de forma humanizada;
- foco na experiência clínica, sem expor os pacientes.
Exercer a Odontologia com ética é dever de todos os profissionais! Aproveite para ler outros conteúdos relevantes para sua prática clínica e esteja por dentro das principais normas e diretrizes da profissão:



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