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Educação postural: como sua secretária trabalha?

Educação postural: como sua secretária trabalha?
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Já falamos de posicionamento e posturas adequadas para o profissional Dentista aqui, mas temos outra peça muito importante na maioria dos consultórios: a(o) secretária(o). E para que sejam possíveis melhores condições de trabalho, faz-se necessário que o empregador se preocupe com questões como mobiliário, ambiente e organização do trabalho, conceitos esses que são englobados em uma ciência chamada “Ergonomia”.

Com o aumento da competitividade no mercado de trabalho devemos ir em busca de diferenciais onde a equipe de trabalho é o maior deles. Passamos por um período em décadas passadas, onde tínhamos pouco emprego, muita gente e quase ninguém capacitado, porém, este cenário mudou. São mais vagas, menos pessoas para trabalhar e, quanto mais capacitadas forem, mais concorrido é. Bons profissionais podem escolher onde trabalhar, por isso o empregador começa a investir mais na ergonomia. A ideia principal é adaptar o ambiente de trabalho ao homem para que, desta forma, melhore a qualidade de vida deste e, consequentemente, a produtividade.

São inúmeras as pesquisas que relacionam o ambiente de trabalho ao desempenho do profissional, mas tem uma que li e achei muito interessante. Esta pesquisa foi feita certa vez na Inglaterra, grupos de pessoas foram distribuídos em diferentes ambientes de trabalho, sendo alguns agradáveis e alguns desagradáveis (considerando mobília, cores, iluminação, etc). Ao final de um período estas pessoas deveriam classificar uma série de rostos (em fotos) como sendo de pessoas simpáticas ou antipáticas, e olha a surpresa (ou nem tanto) – o grupo de pessoas em ambiente desagradável desaprovou a maioria dos rostos enquanto que as pessoas de ambientes agradáveis consideram os rostos simpáticos – o detalhe mais importante – eram as mesmas fotos!

Assim como tantas outras pesquisas o ambiente influencia na percepção, humor e desempenho das pessoas. O trabalhador passa cada vez mais tempo no ambiente de trabalho e por isso valoriza cada vez mais seu conforto e bem-estar, ou seja, quanto melhor for maior será sua satisfação. Como consequência, haverá um maior envolvimento no trabalho.

Vamos aos erros mais comuns e que fazem uma enorme diferença:

Figuras 1 e 2. Foto divulgação
Figuras 1 e 2. Foto divulgação

1. Telefone: um hábito muito comum das pessoas é fixar o telefone em seu ombro enquanto escreve ou digita. Nem preciso falar o quão prejudicial é esta posição, já que quem a assume já sente os desconfortos em braço, pescoço e cabeça. Caso não seja possível segurar o telefone com uma das mãos ou então o número de ligações seja intenso, poderá se considerar o uso de um headset – aqueles telefones fixos à cabeça. É importante que se procure orientação de algum profissional de ergonomia caso opte por este equipamento.

2. Uso de notebook: embora seja prático, este tipo de computador não foi feito para trabalhar (a menos que se façam as adaptações necessárias). Mouse desconfortável, teclado alto e, em grande maioria, com teclas menores, sem falar na necessidade de o monitor manter-se abaixo dos olhos. Para que seja possível fazer uso do notebook precisamos: utilizar mouse e teclados independentes e elevar a tela ao nível dos olhos.

Figuras 3 e 4. Foto divulgação
Figuras 3 e 4. Foto divulgação

3. Teclado na gavetinha: o uso de superfícies retráteis para teclado era muito usada, porém, hoje em dia, aconselhamos não utilizá-la. Nesta posição, a pessoa não consegue apoiar seus braços, gerando um aumento da tensão na região dos ombros, exigindo ainda uma posição de compressão de estruturas do punho.

4. Trabalhar em rotação: é muito comum observarmos (principalmente em consultórios, clínicas) teclado e monitor posicionados em ângulos diferentes o que leva a quem o usa manter-se rodado com os braços em um local e a direção do olhar em outro. Importante: teclado e monitor devem estar sempre em linha reta, possibilitando a manutenção da coluna tal como deve ser, sem rotações ou inclinações.

5. Superfície da mesa: na maioria das vezes achamos que o uso de pedras ou vidro sobre a mesa é mais “chic”, entretanto, o ônus desta beleza é grande. Estas superfícies possuem três características que não são muito adequadas em um posto de trabalho: fria (facilitando o desenvolvimento de LER), reflexiva (causando desconforto visual), e quinas ou bordas vivas (possibilitando um acidente, além da compressão permanente nos antebraços).

Qual seria a forma correta então?

Para que fique perfeito, mais algumas observações:

  • Quanto mais apoiado o braço estiver, melhor. Se for possível apoiar sobre a mesa desde o cotovelo até o punho, o conforto será bem maior.
  • O suporte para monitor deve disponibilizar regulagem. Pode ser suportes ou então o próprio monitor possuir regulagem.

Seguindo estas recomendações, será perceptível a mudança na qualidade de vida e desempenho no trabalho. Vale a pena tentar!

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